Cinema Críticas

Crítica: Won’t You Be My Neighbor? (2018)

Won't you be my neighbor?

Título: Won’t You Be My Neighbor?
Título Original: Won’t You Be My Neighbor?
Realizado por: Morgan Neville
Elenco: Joanne RogersBetty AberlinDavid Bianculli
Duração: 94 minutos

Durante a minha infância, nunca soube da existência de Fred Rogers e do seu programa de TV Mister Rogers’ Neighborhood, penso que já não fez parte da minha geração. Mas foi durante a minha adolescência que comecei a ver mais e mais referências sobre um tal Mr. Rogers e a sua personalidade única. Por esta altura, com o acesso à internet e ao conhecimento rápido, é fácil descobrir exatamente quem foi este homem incrível que moldou gerações de crianças (e adultos). Won’t You Be My Neighbor? é um poderoso documentário que relata a vida de Rogers, o seu programa e como impactou o mundo.

A obra biográfica contém na maior parte filmagens do programa e de entrevistas que Rogers deu enquanto era vivo, tal como entrevistas feitas a quem o melhor conhecia. Conhecendo apenas pedaços da sua existência, tive receio de não apreciar o documentário como merece ser apreciado; muito pelo contrário, foi extremamente informativo e, ao mesmo tempo, senti que conhecia Fred Rogers desde sempre. Portanto, o facto de nunca ter visto o programa pouco interessou neste contexto pois a obra está brilhantemente realizada.

Rogers era um indivíduo extraordinário, como raramente se vê hoje em dia (e ainda mais raramente se vê uma personagem como ele na TV). Adorava crianças e adorava a relação  que mantinha com elas; ambos se ensinavam mutuamente. Acreditava no valor de cada pessoa e acreditava que o mais importante na vida era o amor e carinho que demonstramos aos nossos “vizinhos”. No seu programa ajudava as crianças (e não só) a lidar com temas como a morte, o divórcio, as tragédias que aconteciam na altura (o ataque terrorista às torres gémeas, o assassinato de Robert F. Kennedy, a guerra, entre outras), com a ajuda de vários fantoches (incluindo o seu mais conhecido fantoche, Daniel o Tigre) e de personagens como Lady Aberlin (Betty Aberlin) e Mr. McFeely (David Newell). O seu programa era educativo e reconfortante, opondo-se aos vários desenhos animados violentos daquela época, e procurava também explicar às crianças conceitos tão simples como “como são feitos os lápis de cor” e tão complexos como “como acalmar a raiva que às vezes sentimos em nós”. É um ícone adorado por muitos, e a obra faz questão de o mostrar de forma brilhante, tal como mostra que Fred Rogers não era um homem perfeito e até ele tinha demónios para combater.

Morgan Neville fez um trabalho notável, construiu um documentário impecavelmente informativo, bem estruturado, com timing excelente e filmagens de arquivo imprescindíveis à história de Rogers. A nível técnico está bastante bom, com bom som e excelentes filmagens. É bastante emotivo, não só a forma como relembra o protagonista mas também aprender os ideais em que este acreditava. Confesso que não consegui reter as lágrimas em várias partes da obra, é algo que sem dúvida irei rever e que guardarei na minha memória com carinho, junto com as palavras de Mr. Rogers.

Destaco uma cena que me tocou bastante, na qual François Scarborough Clemmons relata, com lágrimas nos olhos, como encontrou uma figura paternal em Rogers. É um tipo de amor e entreajuda que deveríamos ter para com os outros.

Seja um fã ou um desconhecido à sua obra, seja miúdo ou graúdo, recomendo vivamente Won’t You Be My Neighbor? tal como recomendo Mister Rogers’ Neighborhood, é algo que está em falta na televisão hoje em dia, no meio de tanto barulho

“The greatest thing that we can do is to help somebody know that they’re loved and capable of loving.”. 

Trailer – Won’t You Be My Neighbor?

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