Dos Quadradinhos à Grande Tela Rubricas

O meu problema com Venom

O meu problema com Venom

Por esta altura, já não é qualquer segredo que Spider-Man 3 foi uma grande desilusão para muita gente. Entre os vários fatores decisivos (onde se inclui o simples facto de o filme estar apilhado de vilões), existe o “elefante da sala” denominado Eddie Brock, aqui interpretado de forma pouco convincente por um Topher Grace acabado de sair de That 70’s Show e também do tratamento falhado em que tentaram trazer o icónico Venom ao grande ecrã pela primeira vez. Volvidos mais de 10 anos após essa “atrocidade”, o anti-herói terá direito a um filme em nome próprio, que promete tentar trazer uma versão mais fidedigna do personagem. No entanto, a julgar pelos trailers e pelo método de negócio da Sony, a minha opinião é que Venom pode não surtir os resultados desejados. Eis alguns dos meus argumentos.

  • Tom Hardy como Eddie Brock

OK, vamos ser sinceros por um momento aqui: Tom Hardy é tido, e com muita boa razão, como um dos melhores atores da era moderna. E não é difícil de se ver o porquê, considerando o seu currículo invejável: conta com performances no grande ecrã invejáveis em filmes como BronsonInceptionThe Dark Knight Rises ou LockeE isto sem mencionar a sua presença sólida no pequeno ecrã em séries como Peaky Blinders ou Taboo.

No entanto, tal como Topher GraceHardy está longe de parecer ser uma escolha acertada para interpretar um Eddie Brock tal e qual como está apresentado no papel. Tendo em conta a sua dedicação para com o papel, existe uma franca hipótese de estar severamente enganado e, assim que o filme for lançado, Hardy superar as expectativas. No entanto, considerando o tipo de papel duplo que irá interpretar, tenho as minhas sérias reservas.

  • Ruben Fleischer ao leme

No mundo das artes, temos realizadores que mantêm um certo nível de qualidade de forma consistente, tendo alguns percalços de forma ocasional, ao passo que temos realizadores que fazem apenas um bom filme e o resto não corresponde às expectativas estabelecidas. Ruben Fleischer certamente é o caso que faz parte do último grupo. Basta ver que, dentro do seu currículo como realizador, o seu melhor filme, até à data, foi Zombieland. E embora este filme de zombie possua um certo nível de cult following, os filmes seguintes, 30 Minutes or Less e Gangster Squad, foram filmes que não conseguiram capturar as capacidades que Fleischer exibiu na realização de Zombieland. Considerando este poor track record, existem sérias dúvidas sobre o que o realizador conseguirá fazer com Venom nas suas mãos.

  • CGI um tanto ou quanto duvidoso

Venom esteve no centro das atenções (pelos piores motivos) quando foi lançado o seu primeiro teaser no início do ano. De acordo com Fleischer, foi uma montagem para indicar que as filmagens já tinham sido finalizadas, sem quaisquer indícios de CGI. Entretanto, os trailers seguintes já conseguiram mostrar algumas partes da história do filme, além de nos oferecer de como irão trazer o personagem titular (e os seus “filhos”, que serão os vilões da aventura) pelos métodos de computador. Ainda que seja “mágico” vermos um Venom mais comic accurate, existe alguma coisa neles que me deixa com um pé atrás.

  • O “elefante na sala” (ou, neste caso, “aranha”)

Isto posso ser mais eu a ser nit-picky, mas certamente será um ponto a abordar por muitos fãs de Venom: como justificar a sua presença sem Spider-Man? A tragédia de um super-herói é que, bastando apenas a sua presença, estes acabam por criar os vários vilões que causam estragos nas suas cidades protegidas. Vemos isso na Rogues Gallery de vários heróis (como o Batman, por exemplo), e Spider-Man certamente tem o seu dedo na criação dos seus vilões. E um desses é Venom, uma vez que a personagem nasceu através da relação amor-ódio para com o aracnídeo (amor no caso do simbiote, ódio por parte de Brock). Isto sem mencionar o simples facto de o personagem possuir as suas habilidades icónicas graças ao Spider-Man. Portanto, como é que os guionistas irão contornar este problema sem terem de mencionar o herói de todo? Por agora, basta esperar pelos resultados quando o filme for lançado, mas duvido que o realizador, guionistas e estúdio nos consigam dar uma resposta convincente.

  • O atual modelo de negócio da Sony

Atualmente, é a Sony que possui os direitos do Spider-Man. Ao todo, foram lançados 5 filmes (já a contar com os reboots) e só os dois primeiros é que conseguem ser melhor aproveitados. Com o herói a ser emprestado para a UCM, a Sony está à procura de outras alternativas para preencher o vazio. No entanto, será que apresentar um universo cinematográfico protagonizado pelos vários vilões de Spider-Man é um método viável? É que os filmes anunciados, além de Venom, remontam a personagem que possui um certo nível de personalidade para com o herói. A exceção à regra parece ser Spider-Man: Into the Spider-Verse. Mas, a meu ver pessoal, este método de negócio parece ser apenas mais um pretexto para a Sony continuar a deter os direitos do Spider-Man e dos demais personagens relacionados, enquanto cada vez mais personagens estão a fazer a sua migração para a Disney.

  • PG-13?? No, thanks!

Para finalizar este artigo, eis o meu grande problema com Venom: a eventual classificação etária. Considerando o personagem em si, o seu teor e outros fatores, faria sentido que o filme tivesse um R rating. E de certa forma, poderia funcionar. A classificação para uma faixa etária indicada para adultos significaria uma versão de Venom mais fiel às bandas desenhadas, além de marcar a Sony como outra companhia, além da 20th Century Fox, que estaria disposta a explorar os limites que os super-heróis para adultos poderão apresentar. E já vimos esses resultados em filmes como Deadpool ou Logan. Portanto, nada impede que Venom não explore novas áreas – preferencialmente mais sangrentas – dentro de um universo que se mantém seguro para as camadas mais jovens. No entanto, de acordo com alguns relatórios lançados recentemente, existe uma forte possibilidade de o estúdio estar à procura de um PG-13 rating, com o intuito de chamar a atenção das camadas mais jovens. Ainda que se perceba o intuito dos estúdios de chamarem a atenção dos adolescentes e ganhar no box office, o R rating já deixou provas que, consoante a história para contar, o sucesso de bilheteira está praticamente garantido. Aliás, esta classificação não impede que os adolescente de ir ver o filme às salas de cinema mundiais; desde que se façam acompanhar por um adulto.

Consoante o disposto acima, concordam com o medo sentido em relação com Venom?

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