Cinema Críticas

Crítica: Rango (2011)

Rango

Título: Rango
Título Original: Rango
Realizado por: Gore Verbinski
Elenco:  Johnny DeppIsla FisherTimothy Olyphant
Duração: 107 minutos

Vencedor de um merecido Óscar de Melhor Filme de Animação, Rango traz-nos a história de um camaleão (Johnny Deppem crise existencial que, após se separar dos seus donos em pleno deserto, se depara com Beans (Isla Fisher), que o leva para a vila de Dirt. Aí, o réptil adopta o nome de Rango e cria uma persona muito ao estilo de Clint Eastwood nos seus westerns, no entanto todas as suas histórias de valentia são mentira. Com uma dose de sorte e teatralidade, Rango ganha o povo de Dirt e torna-se xerife da vila que se vê cada vez mais escassa de água. Ao lado de Beans e dos habitantes da vila, Rango tem de descobrir onde está a água toda.

É uma maravilha ver a cinematografia deste filme, tão detalhada que dá para notar em todas as gotas de água e todos os grãos de areia, tão colorida e tão “viva”. Cada gesto das personagens é tão real e, por vezes, ao reparar nos backgrounds, não sabia dizer se era foto ou animação. Os animais do deserto estão lindamente caracterizados, com a fealdade de quem vive no deserto na época suja dos cowboys. Johnny Depp intepreta Rango como ninguém poderia interpretar, tal como Isla Fisher e o resto do elenco de luxo emprestam a voz de forma tão expressiva e hilariante. A nível de soundtrack, de quem mais poderia ser senão de Hans Zimmer? É composta maioritariamente por peças do génio que compôs para filmes como Gladiador, Inception e Interstellar, no entanto contém também uma modificação da clássica Ride of The Valkyries, por Richard Wagner, tal como uma participação especial de Danny Elfman.

Esta obra retira inspiração e referências a inúmeros outros filmes, incluindo Chinatown, Deadwood, Fear And Loathing In Las Vegas (onde Depp também participa), e principalmente The Good, The Bad and The Uglyaliás, a personagem de Rattlesnake Jake (cuja voz poderosa pertence a  Bill Nighy) é baseada em Angel Eyes, interpretado por Lee Van Cleef e o Spirit of The West (Timothy Olyphant, com uma excelente imitação da voz de Eastwood) é à imagem da personagem de Clint Eastwood, Blondie. Gostei também do pormenor da falta de nome do nosso herói, um tributo à igual falta de nome da personagem de Eastwood.

O argumento é fantástico, hilariante e por vezes bastante poético. As personagens não são demasiado clichés, são equilibradas. As personagens Rango e Rattlesnake Jake foram especialmente bem criadas, com diálogos (e vozes) espectaculares. Gostaria apenas de ter visto mais ênfase e heroísmo na personagem Beans, pois no ínicio do filme ela parece ser muito mais determinada do que mais tarde é.

Tal como o nome indica, Dirt é uma vila seca, dura, no limiar do desespero. Os seus habitantes precisam de alguém que os faça acreditar num futuro melhor, logo acreditam nas histórias exageradas de Rango. Levam uma vida difícil, uma vida que infelizmente é cada vez mais semelhante à nossa; distribuição injusta do poder, dificuldades entre os habitantes que leva a revoltas e desconfianças do “vizinho”, e, mais importante, a falta de água, que é o centro de toda a vida. Penso que Rango precisava igualmente dos habitantes para ter esperança nele próprio; tal como todos nós, o pequeno lagarto não sabe quem é e tenta descobrir qual é o seu papel na vida.

Não se deixem enganar; Rango não é (só) para crianças. Vai para além do humor exagerado e da acção. É uma história de esperança e coragem. É a descoberta do herói que há em nós. “No man can walk out of his own story“.

Trailer – Rango

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