Cinema Críticas

Crítica: Mission: Impossible – Fallout (2018)

Mission: Impossible

Nome: Missão: Impossível  – Fallout

Realizador: Christopher McQuarrie

Elenco: Tom Cruise, Henry Cavill, Ving Rhames, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Michelle Monaghan, Sean Harris, Angela Bassett, Vanessa Kirby, Wes Bentley, Alec Baldwin

Duração: 147 min.

Os anos passam e Ethan Hunt não mostra sinais de fadiga enquanto enfrenta as conspirações mundiais mais perigosas que existem, muito menos parece ter receio de enfrentar missões absolutamente empolgantes e sempre com o tempo limite contado ao último milésimo de segundo. Com a sua equipa ternurenta de ajudantes, Ethan está (mais uma vez) numa corrida contra o tempo para salvar a humanidade de perecer nas mãos do terrorista Solomon Lane e duma misteriosa nova ameaça.

Quando a crítica começou a aplaudir a nova entrada de Mission: Impossible como uma das melhores sequelas do século XXI, os meus olhos brilharam com entusiasmo. Sempre fui fã de Ethan Hunt e das missões impossíveis que tornaram sempre os meus Verões muito mais divertidos e repletos de ação constante. Nunca foi propriamente uma saga que primasse pela criatividade, muito menos com personagens fabulosas, mas tinha precisamente os elementos certos para causar uma forte sensação de adrenalina e uma narrativa básica repleta de clichés deliciosos que lhe foram dando carisma com o avançar dos anos.

O novo filme Fallout não foge desta fórmula de entretenimento. Aliás, ele é mais que garantido, já que as sequências de ação são fabulosas (com a excepção de uns exageros aqui e acolá, mas já lá vamos) e Tom Cruise, aos 56 anos, continua numa forma invejável, correndo mais rápido que um campeão olímpico, ainda se empoleira num helicóptero para me arrepiar a espinha com o pânico das vertigens, continua a dar uns socos e pontapés com uma genica que, se fosse eu, partia os ossinhos todos das mãos e das pernas em dois segundos. A estrela continua a ser um dos ícones do cinema de ação precisamente por evitar duplos nas suas façanhas físicas em sequências de ação perigosas e capazes de afastarem qualquer um.

A própria narrativa de Mission: Impossible – Fallout (que foi igualmente criada pelo realizador Christopher McQuarrie) recebe uma forte dose de twists and turns que acabam por surtir efeito até ao segundo ato do filme. Há momentos deliciosos que são acompanhados com uma banda sonora de cortar a respiração, uma fotografia ampla e sequências de câmara inovadoras que refrescaram a saga, dando-lhe um ar revitalizado. Henry Cavill também se torna uma adição divertida e interessante e o seu ar sereno e postura calma trouxeram algum mistério cativante e que deixa o espectador em constante dúvida.

Há particularmente uma cena maravilhosa de ação na good old fashioned way que irá certamente ser um marco histórico na saga, bem como há sempre criatividade nas linhas já clichés de diálogos, que traz aquela típica cheesiness tão nostálgica.

Mesmo não havendo desenvolvimento de personagens de forma surpreendente (e é quase nulo, de facto), Mission: Impossible – Fallout é tecnicamente vertiginoso, ainda que a sua narrativa continue a não surpreender.

Apesar de lucrar com a nostalgia, o novo capítulo da saga não consegue maravilhar-nos por inteiro. De facto, a crítica exagerou bastante comparando-o frequentemente com grandes clássicos do cinema de ação que cria expectativas exageradas no espectador. Este Mission: Impossible não é tão memorável quanto pintam; é apenas mais um, com as suas características típicas e sem grande originalidade.

O enredo por vezes embrulha-se e tropeça em si mesmo, ainda que sobreviva pelos momentos de ação que são, quase todos, muito competentes. O exagero, que é uma característica inconfundível dos filmes do franchise, toma proporções demasiado elevadas no segundo ato do filme, quebrando o ritmo realista a que fomos apresentados no início.

Ainda assim, mesmo não sendo extraordinário, Mission: Impossible – Fallout é um filme de ação vertiginoso e que prova que o cinema ainda entretém sem precisar necessariamente de ser avaliado como arte. Para muitos isto pode ser algo mau, mas não deixa de ser uma componente intrínseca da indústria, o que, de certa forma, complementa as falhas argumentativas tão evidentes.

Portanto, desliguem os cérebros críticos e desfrutem de um filme de ação desmiolado que, dentro do género, é one hell of a ride!

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