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Crítica: Tangled (2010)

Título: Entrelaçados
Titulo Original:
Tangled
Realizado por: Nathan Greno, Byron Howard
Elenco: Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy
Duração:
 100 minutos

O 50º filme da Disney traz-nos mais uma adaptação de Rapunzel, uma história dos Irmãos Grimm e que já foi inúmeras vezes adaptada para imensas formas de arte diferentes, nomeadamente filmes. Em Tangled, vemos (como a Disney já nos habituou) uma história um pouco diferente da original.

Eu sou fã da Rapunzel desde pequena, li o conto original e vi vezes sem conta a versão da Barbie, saída em 2002, tinha até a boneca e estaria a mentir se dissesse que não sonhei ter as suas ”tranças de mel”. Por tudo isto, a minha curiosidade em ver a versão da Disney era perfeitamente natural.

Posso dizer já que, de todas as versões que já vi e li da história da Rapunzel, esta é das minhas preferidas, e uma das razões é a seguinte: comédia. Sou uma enorme fã do género e penso que é um dos filmes da Disney que mais se aproxima do mesmo, apesar de ter também romance, aventura e acção pelo meio, um cocktail que acho que resultou bastante bem.

É um filme que tem uma animação fabulosa. Essa é mais uma das razões pelas quais me dá um gozo enorme ver Tangled . As cores, a fluidez dos movimentos das personagens (por exemplo, no momento em que Rapunzel, cuja voz pertence a Mandy Moore, finalmente decide descer da sua torre com a ajuda dos seus cabelos), a definição de imagem incrível (no momento em que a nossa protagonista assenta um pé na relva pela primeira vez – céus, eu quase que consigo sentir a sensação! – ou no momento mesmo antes de os reis lançarem as lanternas no dia do 18º aniversário da sua filha, a tristeza espelhada na expressão dos monarcas é capaz de emocionar até as pedras da calçada) e até conseguimos mesmo imaginar a textura das roupas das personagens só de olharmos para o ecrã.

Quanto à banda sonora, não é má mas sinto que a Disney conseguia ter feito melhor. As músicas são agradáveis de ouvir, mas não são nada por aí além, o que faz com que a parte musical de Tangled esteja longe de ser das melhores que este estúdio de animação já produziu.

Ao ver o filme, sei que deve haver imensas pessoas que, de certa forma, se identificam com a protagonista, pois vêem espelhada nela a esperança de aos 18 anos obter a liberdade com que vieram a sonhar toda a vida e vêem em Gothel (Donna Murphy) a representação metafórica daqueles ou daquilo que se impõe como obstáculo a essa liberdade e contra a qual se rebelam. Sinto que alguns filmes da Disney se baseiam nesta espécie de estratégia de Marketing para conseguirem a atenção e adoração do seu público alvo (que não são apenas as crianças), para que sintamos que somos compreendidos e que não estamos sozinhos. E se essa é mesmo uma das intenções da Disney, o objectivo é cumprido.

Tangled traz-nos uma mensagem que, embora seja bonita e positiva, não é novidade nos filmes da Disney: se continuares a acreditar, irás conseguir realizar o teu sonho e é aqui que perde alguns pontos, ao se perder bastante numa ideia que já foi transmitida tantas vezes. Transmite-nos também , por exemplo, que as aparências enganam e muitas vezes as coisas e pessoas não são o que parecem, mensagem que também já não é nova. Embora perca pontos pela ligeira falta de originalidade nesse aspecto, temos de manter em conta que são, ainda assim, mensagens positivas e é disso que o mundo precisa.

Tangled, tal como a maioria dos filmes saídos do monstro da animação que é a Disney, está repleto de pormenores interessantes, pequenos detalhes que tornam os filmes muito mais apelativos. O meu preferido neste caso é o facto de Pascal, o camaleão, mudar de cor não só conforme o local onde se encontra, mas conforme a situação onde está e conforme as suas emoções e as da própria Rapunzel mudam. Um pequeno pormenor que, para mim, faz alguma diferença. Muitas vezes é nos pequenos detalhes que reside o charme de um filme, e Tangled está repleto deles.

Não é o melhor filme da Disney, mas é um filme giríssimo de se ver, colorido, leve como uma lufada de ar fresco, com um final que acaba em festa. E às vezes é mesmo disso que a alma precisa.

Trailer | Tangled

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