Cinema Críticas

Crítica: Corpse Bride (2005)

Corpse Bride

Título: A Noiva Cadáver
Título Original: Corpse Bride
Realizado por:  Tim BurtonMike Johnson
Elenco: Johnny DeppHelena Bonham CarterEmily Watson
Duração: 77 minutos

Reconhecido como um dos trabalhos mais conhecidos deTim BurtonCorpse Bride é um adorável e ligeiramente creepy filme de animação sobre Victor (Johnny Depp), o noivo prometido de Victoria (Emily Watson), que, ao ensaiar os seus votos de casamento durante uma caminhada ao luar, se casa “acidentalmente” com Emily (Helena Bonham Carter), uma adorável noiva cadáver. A obra anda à volta do triângulo amoroso; enquanto que Victor quer o casamento anulado o mais rapidamente possível, sem a sua noiva descobrir, Emily esperou a sua vida (e morte) inteira pelo momento do seu casamento. Entretanto, a noiva negligenciada Victoria é manipulada pelo vilão Barkis Bittern (Richard E. Grant), que anda atrás da sua suposta riqueza. Vemos também as peripécias dos pais do noivo e da noiva, que oferecem vários momentos de comic relief.

Este é um filme que puxa por muitos sentimentos. É cómico e inteligente, por outro lado é extremamente emocional pois claramente lida com a morte. Existe todo um mundo de mortos que não podem subir ao mundo dos vivos, que sentem falta de alguém, tal como os vivos choram a morte de uma pessoa. A história de Emily é bastante trágica: a morte de uma jovem rapariga à espera do seu noivo, “roubada dos seus sonhos”. É uma personagem enternecedora, tal como é Victor e Victoria e todos os habitantes da cidade dos mortos. Barkis Bittern é um dos vilões mais maléficos que já vi. Burton é um mestre na sua arte e sabe exatamente como nos afeiçoar às suas complexas personagens, seja pelas suas bonitas caracterizações como pelas suas personalidades excêntricas. Uma das minhas cenas favoritas envolve o Pastor Galswells (com a voz do magnífico Christopher Lee) quando os mortos prestam uma visita ao mundo dos vivos, é hilariante e perfeitamente executada.

Aprecio ver também como todas as personagens têm o seu lado defeituoso. Os noivos não se conhecem praticamente, Emily está mais apaixonada pela ideia do amor, Barkis é sedento por dinheiro e os pais dos noivos não são grandes exemplos. O amor que esta obra transmite é aquele entre os vivos e os seus entes queridos que faleceram, um amor trágico que todos nós, humanos, sentimos ou sentiremos ao longo da vida.

Visualmente, é incrivelmente bonito e dá gosto ver uma obra tão bem trabalhada, tendo em conta a dificuldade que é fazer uma animação stop motion. Corpse Bride conta também com Danny Elfman, um titã no mundo das soundtracks, que compôs cada magnífica música, o que por si só torna Corpse Bride um filme especial.

Demorou 55 semanas a ser filmado, nas quais foram usadas 109,440 frames. Stop motion não é uma arte muito famosa, certamente não o era em 2005, nem tão pouco em 1993 quando estreou O Estranho Mundo de Jack, também de Burton. É trabalho árduo, no entanto há algo de especial em obras como estas; em todas as frames vemos o cuidado e o amor que todos os envolvidos no filme sentem pela história que estão a criar, e pelas personagens a quem dão vida. Para uma experiência fantástica de uma arte rara no mundo do cinema, com uma história que puxa cada cordelinho do coração, recorram a Corpse Bride. Mais animações destas, por favor.

Trailer – Corpse Bride

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