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Sharp Objects – 1×04 – Ripe

Sharp Objects

Camille Preaker continua em busca por respostas aos assassinatos de Wind Cap e a sua conduta compromete cada vez mais o desenvolvimento da história. Enquanto isto, Amma continua a mostrar sinais de uma rebeldia problemática e que leva a consequências catastróficas no final; e Adora não mostra melhorias em tentar adaptar-se às circunstâncias do seu meio.

Sharp Objects não é uma mini-série fácil de digerir. Está repleta de aspetos fantásticos e a realização de Jean-Marc Vallée é vertiginosa. O ambiente, característico das obras de Gillian Flynn, depressivo e pesado, com características noir palpáveis em quase todos os frames dos episódios, tornam este produto televisivo interessante, dinâmico e imersivo.

Em Ripe, Amy Adams continua a revelar-se uma atriz absolutamente magnífica, adaptando-se perfeitamente ao formato televisivo e agarrando a sua personagem com força, seja pela degradação constante do seu eg, ou pelo pesar que os seus demónios passados exercem sobre si mesma. Eliza Scanlen é também uma estreia muito competente no mundo da 7ª Arte e este episódio prova que está apta a fugir dos típicos clichés de “bonequinha adorável com a mania que é mázinha”.

No entanto, Sharp Objects continua a não conquistar na sua totalidade. O ambiente depressivo e as influências noir e as performances abismais não conseguem suportar a inconstância do enredo. O espectador nunca consegue estar absolutamente concentrado porque os episódios são formatados de forma um pouco aleatória, com flashes constantes de momentos passados e que parecem ser metidos mais para confundir do que propriamente para nos revelar algo de importante relativamente à história.

Mesmo tendo o selo de qualidade e a performance de Amy Adams continuar a trazer Sharp Objects para um patamar de excelência, há algo que simplesmente não nos “agarra” por completo à sua narrativa. As personagens parecem distantes umas das outras (a maioria é certamente propositada), mas também não há um desenvolvimento que nos permite conhecê-las individualmente, tornando-se algo monótono.

Apesar de se entender a sua mensagem e a mise-en-scène ser propositadamente alucinante, sente-se que Sharp Objects foi um pouco vítima das suas ambições. No entanto, o final de Ripe poderá certamente trazer melhorias para futuros episódios e nunca é demais deixar uma réstia de esperança para que a mini-série floresça ainda mais.

Leiam o nosso Frame by Frame anterior de Sharp Objects aqui.

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Apesar de um final de episódio de cortar a respiração, Sharp Objects ainda não conseguiu surpreender e, agora que chegámos a meio da temporada, é necessário haver mais algum desenvolvimento.

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