Cinema Críticas

Crítica: Wreck-It Ralph (2012)

Wreck-It Ralph

Nome: Força Ralph
Título Original: Wreck-It Ralph
Realizador: Rich Moore
Elenco: John C. ReillySarah SilvermanJack McBrayerJane LynchAlan TudykMindy KalingJoe Lo TruglioEd O’NeillDennis Haysbert
Duração: 101 minutos

Disney. É impossível resistirmos ao seu charme único. Apaixona-mo-nos por cada nova aventura nova que esta mega-empresa cinematográfica oferece aos seus fãs. Cada filme da sua biblioteca irradia níveis de criatividade raramente vistos em outras empresas da especialidade. E no decurso de mais de 50 anos de existência, temos vindo a testemunhar diversos tipos de filmes diferentes, mas que se revelam como autênticos tesouros para se poder apreciar em família. Até mesmo os neo-clássicos! Wreck-It Ralph é um desses casos: um neo-clássico da animação por computador que todos podem apreciar.

Este filme toma lugar no mundo dos videojogos de arcada. O titular Ralph (John C. Reilly) é o vilão de serviço do jogo Fix-It Felix Jr., protagonizado por Felix (Jack McBrayer). A função de vilão é uma que Ralph cumpria com todo o prazer. No entanto, 30 anos depois, Ralph deseja ser mais do que ser um vilão. No entanto, a sua missão de tentar a volta à sua vida e tornar-se num herói revela-se catastrófica para o seu jogo e para os restantes, tendo, para tal, juntar forças com Vanellope von Schweetz (Sarah Silverman), uma glitch do seu jogo, Sugar Rush, que também tem a sua própria agenda.

Mais uma vez, a Disney superou-se a si mesma. Na mesma década em que saíram filmes que mostram o lado mais criativo desta gigante do cinema (nomeadamente Zootopia Inside Out, esta última uma colaboração com a Pixar), Wreck-It Ralph revelou-se como uma obra a ter em conta tanto para as crianças como para adulto.

A camada mais jovem certamente irá deliciar-se com os mundos vibrantes em que se cruzam. Por exemplo, a Game Central Station é o ponto de encontro em que todos os personagens de todos os jogos de arcada se reúnem para descontrair e confraternizar, repletos de Easter Eggs e referências a esta indústria que, cada vez mais, se revela mais cinematográfica. Mas não é apenas a Game Central Station que é uma peça fulcral de acesso a novos mundos; cada um deles possui uma identidade única e que não se repete: o mundo de Hero’s Duty reflete como os jogos de hoje em dia têm se vindo a tornar cada vez mais assustadores e violentos, ao passo que Sugar Rush é, na prática, uma grande arena de corrida bem ao estilo japonês. Cada mundo é desenhado de uma forma diferente e criativa, que mesmo as camadas mais adultas não deixam de se maravilhar.

No entanto, o que certamente irá puxar os adultos a ver o filme será o seu enredo. Zootopia serviu como uma metáfora dura sobre como a nossa sociedade lida com temáticas sérias, como o racismo; Inside Out serviu como um explorador do funcionamento dos nossos sentimentos e de como todos eles (mesmo a Tristeza) nos moldam como seres humanos. Wreck-It Ralph, graças aos esforços de Rich Moore Phil Johnston a cargo do guião, opta por uma abordagem diferente aos exemplos anteriores; centra-se em Ralph e Vanellope, dois personagens de videojogos que se sentem renegados pelas suas próprias comunidades (ele por ser um vilão, ela por ser uma glitch). Com estas semelhanças, é impossível não sentirmos o coração pesado ao interiorizarmos os seus problemas. E assim também daqui nasce uma das melhores duplas em filmes recentes da Disney, com o “negativismo” de Ralph a fazer o contraste direto com o bom humor e otimismo contagiante de Vanellope.

Com uma sequela pronta a sair perto do final deste ano, é caso para dizer que, graças a mundos coloridos, uma temática demasiado realista para ser ignorada, performances inspiradas por todos os seus intervenientes e imensas referências aos videojogos, Wreck-It Ralph é, seguramente, um bom serão para os fãs do universo animado. A Disney voltou a acertar na mouche!

Trailer: Wreck-It Ralph

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