Cinema Críticas

Crítica: A Prayer Before Dawn (2017)

A Prayer Before Dawn

Nome: Prece ao Nascer do Dia
Título Original: A Prayer Before Dawn
Realizador: Jean-Stéphane Sauvaire
Elenco: Joe Cole
Duração:
116 min

A Prayer Before Dawn é-nos apresentado pela mão de Jean-Stéphane Sauvaire, um realizador francês com muito pouco reportório. Apesar dos seus trabalhos não possuírem grande fama, A Prayer Before Dawn utiliza um estilo muito característico e profissional. O filme conta a história verídica de um pugilista britânico que é encarcerado numa das mais notórias prisões da Tailândia. Apesar de ser um biográfico, a película contém ação suficiente para deixar o espectador interessado.

O protagonista do filme é William Moore, que é interpretado por Joe Cole. A estrela de Peaky Blinders rapidamente demonstra uma fusão completa com o seu personagem, dando toda a vida ao filme. Joe é sem dúvida o que mais se realça na película, não só pelo contraste físico entre o ator britânico e os seus colegas tailandeses, mas também pela sua prestação incrível, que faz com que o espectador quase que tenha um ataque de pânico. Apesar de mais atores integrarem o elenco, a presença de Cole é a única que se destaca durante todo o filme. Pessoalmente, foi uma má aposta pelo realizador só dar tempo de antena a Billy Moore e não apostar em personagens secundários. Desta forma, Sauvaire não dá hipótese ao espectador de criar afeição com mais nenhum interveniente. No entanto, é compreensível, visto que a ideia que o realizador pretende passar é uma de solidão e paranóia, e do inferno que Moore teve que passar para sobreviver.

A Prayer Before Dawn retrata uma realidade dura e chocante. É um filme bastante violento e realista no retrato do meio onde se insere. A fotografia é bastante bem conseguida e, aliada à banda sonora, cria no espectador um efeito de alucinação, adrenalina, desorientação e pânico. É um trabalho que nos deixa desconfortáveis enquanto o apreciamos, visto que é maioritariamente passado num ambiente claustrofóbico. Desde o início sentimos uma falta de lucidez extrema, com o que o realizador joga muito bem, e Joe Cole transporta para a tela lindamente.

No entanto, o filme peca pelo seu enredo. Apesar de ter uma fotografia e banda sonora fantásticas e uma prestação tremenda por parte de Joe Cole, A Prayer Before Dawn não sabe o que pretende de si. O filme tenta retratar a jornada de um pugilista britânico que ingressa em combates de Muay Thai numa prisão tailandesa, na esperança de um dia ganhar a sua liberdade. Mas ao longo do filme, o espectador não se apercebe disso. A característica do filme não possuir falas prolongadas ou conversas entre personagens ajuda a este propósito. O que o espectador acompanha é Billy Moore a levar uma vida completamente diferente daquela à qual o britânico está habituado. Mas o público nunca tem uma percepção nítida de qual é o objetivo final de Moore, pelo que este luta, e o que pretende fazer para ganhar a sua liberdade. Mesmo com cenas de ação abundantes, o filme pode tornar-se maçudo e difícil de se assistir.

Concluindo, A Prayer Before Dawn é uma surpresa positiva em termos de performance e do trabalho artístico da equipa técnica. No entanto, o filme peca no que toca ao enredo, não dando exposição suficiente para que o espectador compreenda o protagonista por completo. A película arrasta a história e pode tornar-se cansativa de se ver.

Trailer | A Prayer Before Dawn

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