Dos Quadradinhos à Grande Tela Rubricas

A minha opinião sobre James Gunn

James Gunn

Caros fãs do CineAddiction,

Se têm acompanhado a minha rubrica Dos Quadradinhos à Grande Tela, então deverão estar a par do tipo de conteúdo que costumo lançar numa base semanal. Desde bandas desenhadas a mangás, animes, videojogos,… Faço o melhor que posso para vos transmitir conteúdo que seja do vosso interesse, de fomentar novos conhecimentos, entre outras. Tenho-me mantido o mais objetivo possível, tirando algumas exceções em que costumo colocar a minha alma nas palavras que vos escrevo. Mas ocorreu uma situação durante este fim-de-semana que mexeu comigo e decerto deverá ter mexido convosco. Durante dias a fio, tenho tentado encontrar uma melhor maneira de me auto-expressar sobre a situação em si, mas sem grande sucesso, porque o que tenho para opinar não cabe em nenhum post do Facebook ou numa InstaStory.

Como já deverão saber, o fim-de-semana passado ficou marcado pela San Diego Comic Con 2018, uma das maiores convenções do mundo. Durante 4 dias a fio, os fãs têm a oportunidade de ouro que conhecer as suas vedetas, de saberem novidades sobre o mundo da 7ª Arte. E este fim-de-semana não foi exceção, com trailers de filmes como Godzilla: King of the MonstersGlassShazam! ou Aquaman, passando também pelas novidades televisivas como Deadly Class, Roswell, New Mexico ou Legacies. Portanto, um evento desta magnitude tem tudo para ser bem sucedido; no entanto, esta edição de 2018 da SDCC ficou marcada na negativa com uma notícia que apanhou todos de surpresa:

James Gunn foi despedido pela Disney!

Tudo isto começou quando, antes de o certame ter começado, tweets antigos de Gunn terem sido descobertos e expostos por um grupo de direita-alternativa americana. Não vou colocar o conteúdo desses mesmos tweets aqui, mas digamos que roçam em temas como a pedofilia ou racismo. Depressa, Gunn começou a tentar justificar as suas más escolhas da época, mas o dano estava feito. A Disney não só o despediu do cargo de realizador do terceiro filme de Guardians of Galaxy, como também o retirou de quaisquer futuros projetos para a Marvel.

E é simples de ver a justificação da gigante americana. Hoje em dia, vivemos uma era denominada tolerância zero. Ou seja, quaisquer erros que atores, realizadores, produtores e afins possam ter cometido no passado, podem e serão usados contra eles. E este despedimento possui precedentes. Por exemplo, quando chegaram as verdades sobre Kevin Spacey, o ator foi imediatamente despedido da série House of Cards e do filme All The Money in the World. Em termos mais recentes, Clayne Crawford foi despedido da série Lethal Weapon por ter causado um mau ambiente durante as filmagens da série. E estes precedentes também se fizeram sentir na Disney: devido a um tweet de mau gosto por parte de Roseanne Barr, a série Roseanne acabou por ser cancelada. Para piorar a situação, esta ainda se desculpou a dizer que estava sob o efeito de Ambien (um fármaco vendido nos Estados Unidos) e, mais recentemente, ainda se tentou justificar ao dizer que pensava que a c**** era branca.

No entanto, existe uma diferença entre estes atores e James Gunn e não tem a ver com o cargo desempenhado. Terão sido os seus tweets ofensivos? Claro! Inapropriados? Seguramente! No entanto, e num movimento raramente visto na indústria, Gunn assumiu os seus erros, lamentando-se sobre os mesmos. Não apenas quando estes vieram ao de cima, mas desde o início! E creio que isso mostra o tipo de carácter de Gunn não como um profissional, mas como ser humano. Esta sua atitude recebeu largos elogios de amigos e colegas de profissão, mas também levou a uma onda de inspiração. Recentemente, Dan Harmon – sabem, o criador de séries como Community ou Rick and Morty, este último com a ajuda de Justin Roiland – confessou que tinha feito um piloto que roçou no ofensivo em várias frentes. E esta atitude não passou despercebido pelos seus chefes na Adult Swim, com esta a condenar o mau gosto, mas reconheceu a boa atitude de Harmon ao reconhecer os seus erros e manteve-o em casa.

Com ambos os lados certos e errados, em que lado me sento na cerca? Francamente, ambos os lados possuem as suas razões válidas. No entanto, e numa nota pessoal, não posso deixar de sentir empatia pelo caso de James Gunn. Não vou mentir e dizer que sou um mega-fã do trabalho do realizador (o facto de ele ter estado por detrás de filmes como Dawn of the Dead ou o primeiro filme live-action de Scooby-Doo passaram-me completamente ao lado). E também digo que só passei a ouvir o seu nome assim que trouxe um grupo de desconhecido para a ribalta dentro da Marvel. No entanto, e apesar deste percalço, não deixo de sentir respeito por Gunn. Dar desculpas esfarrapadas pelos nossos erros é muito mais fácil do que ter a coragem de admitir “eu sei que cometi estes erros e admito-os”. E por isso, James Gunn recebe o meu maior respeito, não como realizador de filmes da Marvel, mas como um ser humano íntegro.

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