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Pose – Season Finale – 1ª Temporada

Pose

PODE CONTER SPOILERS!

Ryan Murphy volta a fazer história ao trazer até nós Pose. Quem conhece o trabalho deste criador de conteúdo para televisão (que assinou recentemente um contrato de exclusividade de milhões com a Netflix), sabe o quanto ele tem lutado para mostrar as minorias na TV, assim como trazer à baila certos assuntos que toda a gente tem medo de falar. Homossexualidade, homofobia, transexualidade, travestismo… tudo isto faz parte do mundo desta série que apareceu de forma tímida mas tem conquistado toda a crítica especializada e apaixonando o público que decide dar uma oportunidade.

Pose tem o maior número de atores transexuais alguma vez presente numa série, abordando os famosos “bailes” que fazem parte da cultura americana nos anos 80, onde gays, travestis e transgéneros desfilam com um tema específico, competindo entre si para a melhor roupa e a melhor atitude. Cada um pertence a uma “família” específica, onde uma Mãe acolhe os desfavorecidos, os que não têm para onde ir porque tiveram de lidar com o preconceito dos seus ou aqueles que simplesmente se sentem em casa naquele lugar.

No centro da narrativa estão Blanca (Mj Rodriguez), uma mulher que decide abandonar a casa Abundance, criando a sua própria, a Evangelista. Tudo começa quando descobre ser portadora do vírus do HIV e decide que está na altura de tomar as rédeas da sua vida e lutar para viver uns últimos anos de vida de uma maneira mais feliz. Começa aí a sua guerra com a sua antiga “Mãe” Elektra (Dominique Jackson), uma mulher que não sabe o significado de carinho e que só o irá aprender com o tempo.

Blanca acaba por levar consigo Angel (Indya Moore), uma transexual prostituta que acaba por estreitar relações com Matt (Evan Peters), um homem casado e aparentemente feliz, que procura nela algo que acabamos por nem saber o quê e, acolhe também Damon (Ryan Jamaal Swain), um jovem que acaba por ser expulso de casa depois dos pais descobrirem que é gay, acabando por parar nas mãos da sua nova “Mãe” que o ajudará a lutar pelos seus sonhos no mundo da dança.

O MELHOR

Pose não é certamente uma série que toda a gente quererá ver, mas que é tão importante e tão bem executada, que acaba por apaixonar no primeiro episódio. Todos os personagens tiveram vidas difíceis, questionando-nos muitas das vezes com “o que será que me falta?”. Não deve ser de todo fácil sentires-me preso num corpo errado. Sentires que não és aceite em qualquer lugar, nem da maneira que és. Aqueles bailes era uma forma de expressão para aquela comunidade mas acima de tudo um “Estou aqui e aqui sou feliz”.

Ainda que se passe nos anos 80, a realidade que ela retrata continua a acontecer. Ainda há pais que não aceitam a sexualidade dos filhos e esquecem quem eles são acima disso. Ainda há discriminação na própria comunidade, como vimos acontecer quando num bar gay expulsam duas das personagens transexuais. Ainda há quem decida não deixar os outros viverem da maneira que querem, só porque isso lhes é estranho e incomoda. O que se ganha em espezinhar e maltratar um homem que se vista de mulher porque assim é feliz, porque assim a sua existência vale a pena, só porque isso vai contra os ideais que lhe transmitiram?

Em oito episódios, chorei e ri. Chorei muito, ri mais ainda. Vi amor nas mais variadas maneiras. Vi pessoas marginalizadas que abrem as portas do seu coração e da sua casa a outros que parecem ter ainda menos. Vi dor, vi luta, vi sonhos. Cada um deles quer mais que aquilo. Querem a felicidade que não podem ter porque os outros não lhes permitem, mas nunca baixam os braços e isso é tão inspirador.

Do Pray Tell (Billy Porter) que vai ganhando espaço no enredo e nos dá uma lição a cada capítulo, passando por Angel que apenas quer ter amor e Elektra que não sabe o que é amor verdadeiro até Blanca que nos demonstra que Mãe é aquela que cuida e abre o peito para quem precisar. Todos eles, ainda que existam apenas na ficção, terão certamente dado força e coragem a muitos dos que ainda hoje sofrem por não poderem ser quem são. Ainda de destacar a performance de todos estes atores, muitos deles estreantes e que dão um show de representação a cada episódio. Maravilhosos!

O PIOR

Nada a acrescentar, apenas a existência das personagens dos atores mais conhecidos como Kate Mara e James Van Der Beek, que pouco trouxeram ao desenvolvimento da narrativa.

Nada me deixou mais feliz do que saber da renovação para uma segunda temporada de Pose. Teremos oportunidade de ver mais da luta e dos sonhos destas pessoas, destas personagens e continuar a torcer por vê-los chegar ao lugar onde o coração os manda ir.

ESTADO DA SÉRIE: RENOVADA

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Nada me deixou mais feliz do que saber da renovação para uma segunda temporada de Pose. Teremos oportunidade de ver mais da luta e dos sonhos destas pessoas, destas personagens e continuar a torcer por vê-los chegar ao lugar onde o coração os manda ir.

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