Cinema Críticas

Crítica: Hercules (1997)

Hercules

Nome: Hércules
Título Original: Hercules (1997)
Realizador: Ron ClementsJohn Musker
Elenco: Tate DonovanJosh KeatonRoger BartDanny DeVitoJames WoodsSusan Egan
Duração:
 93 min

O filme animado Hercules estreia-se no grande ecrã em 1997, com a grande dupla inseparável da Disney na cadeira de realização: Ron Clements e John Musker. Hercules não é o primeiro, nem foi o último filme que ambos produziram e realizaram em conjunto. De facto, formam uma equipa incrível que deu vida a fantásticos clássicos da Disney, como The Great Mouse Detective, The Little Mermaid, Aladdin, Treasure Planet, The Princess and the Frog e Moana. Embora nem todos os seus trabalhos sejam vistos com o devido valor, esta dupla já provou inúmeras vezes que é capaz de nos encantar com o seu trabalho na animação.

Hercules conta-nos a história do filho de Zeus que, em tenra idade, é privado da sua imortalidade. Para recuperar o seu lugar junto dos deuses gregos no Monte Olimpo, Hércules deve tornar-se num verdadeiro herói!

O filme conta com uma banda sonora fantástica e cheia de energia, paralelizando com o nosso jovem protagonista. No entanto, Hércules é interpretado por três atores distintos: Tate Donovan, que interpreta o herói na sua vida adulta; Josh Keaton, que dá voz a um jovem Hercules; Roger Bart, que canta e encanta na voz do nosso aspirante a herói! Ambos fazem um trabalho incrível e bastante animado, dando vida ao personagem.

Danny DeVito também se esmera no filme. O ator de It’s Always Sunny in Philadelphia dá voz a Phil, um velho satírico que treina e acompanha Hércules na sua jornada para se tornar num herói. Phil é um personagem destroçado e com pouca fé em heróis, após tantos lhe terem falhado. Hércules consegue acender de novo o fogo dentro de Phil, e este, em retorno, é o apoio precioso do herói nos momentos em que este mais precisa. Phil é o “cérebro” da equipa, que mostra o seu lado duro e restrito, mas não consegue esconder as suas emoções, quer em momentos de euforia, tristeza ou diversão. Danny DeVito consegue fazer com que o espectador crie empatia com Phil de uma forma maravilhosa.

Uma prestação que também não passa despercebida é, definitivamente, a de James Woods, que interpreta o antagonista Hades. Hades é o Deus do Submundo, Senhor dos Mortos e irmão de Zeus, pai de Hércules. Hades é um vilão irónico e bastante engraçado. Tem um plano em mente e poder para o concretizar, mas também é vítima de uma atitude explosiva e descontrolada de longe a longe. Ironicamente, Hades é a vida em Hercules e facilmente poderá ser apelidado de um dos melhores vilões da Disney.

Meg tem um papel importante no filme. Interpretada por Susan Egan, Meg é uma personagem que tenta quebrar o estereótipo de “donzela em apuros”. Inicialmente, a formosa grega tem uma atitude firme e controlada, dando o parecer de que é senhora de si mesma. Com o avançar do filme, esta atitude vai sendo desmascarada para o público, e Meg não passa de alguém que tenta virar a cara aos seus problemas e negar a situação em que está. Não consegue salvar-se a si própria e precisa de um herói que o faça por ela. É um personagem importante para o enredo de Hercules, mas também poderia ser facilmente discartável.

A animação de Hercules é curiosa e fascinante. Os animadores tiveram o cuidado de colocar no ecrã o que tinham em mente para um cenário grego e épico. As linhas e curvas dão logo o entender de que estamos em tempos da Grécia Antiga, e as criaturas são bastante bem desenhadas e caracterizadas. Juntamente com isto podemos associar uma banda sonora repleta de canções animadas e inspiradoras, fantásticas para uma história épica infantil.

Apesar de não ser o enredo mais original da Disney, Hercules toca em pontos vitais na vida de um adolescente. Todos nós a certo ponto da nossa adolescência nos sentimos diferentes, afastados de todos os outros, e até vítimas de troça. É um facto que todos já pensámos que se calhar pertencemos a outro lugar, e que um futuro melhor e mais próspero nos espera. É esta a história de Hércules, um rapaz que é posto de parte pela sociedade por ser diferente e não o saber explicar. Hércules sonha em ser um herói e, sejamos sinceros, quem nunca? Quem nunca quis estar na luz da ribalta, ser aplaudido por multidões e adorado por todos? Mas o propósito de Hércules não está na fama nem na riqueza. Hércules ambiciona tornar-se um Deus Grego, uma divindade adorada por todos e voltar para junto da sua família. É claro que a fama e o dinheiro agradam-lhe mas, por muito que os tenha, sente-se vazio. Um herói não se define por atos de bravura física e medição de forças. Um herói é aquele que é capaz de dar tudo o que tem em defesa daqueles que adora e do que acredita. Hércules aprende esta lição quando confronta Hades, que ameaça destruir todo o Olimpo e a sua amada Meg. Ao sacrificar-se por aqueles que ama, Hércules torna-se finalmente num verdadeiro herói e recupera a sua imortalidade.

Hercules pode não ser o filme perfeito em termos de animações ou performances, e o seu enredo pode não ser o mais original, mas se conseguirmos ler nas entrelinhas o que os realizadores Clements e Musker escreveram, aprendemos uma lição que nos fará chegar mais longe. Conta-nos uma história de desafio, sacrifício e superação de que, independentemente da situação que seja, podemos dar sempre mais daquilo que temos.

Trailer | Hercules (1997)

Comments