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Crítica: Mamma Mia! Here We Go Again (2018)

Título: Mamma Mia! Here We Go Again
Título Original: Mamma Mia! Here We Go Again
Realizado por: Ol Parker
Elenco: Lily James, Amanda Seyfried, Meryl Streep, Dominic Cooper, Pierce BrosnanStellan Skarsgård, Christine Baranski, Colin Firth, Cher, Julie Walters, Jeremy Irvine, Andy Garcia, Josh Dylan, Hugh Skinner, Jessica Keenan Wynn, Alexa Davies
Duração: 
114 minutos

SPOILER ALERT!!!

Quando se trata de sequelas (ou no caso de Mamma Mia! Here We Go Again, sequelas/prequelas) de filmes que foram um grande sucesso, vou sempre para o cinema com as expectativas baixas. Isto porque quando um filme é um estrondo, o seu sucessor tem de estar à altura do primeiro (ou mais alto ainda) para não desiludir. Tal e qual como quando temos um 20 na escola: se no próximo teste tirarmos um 18, a nota não nos vai dar a satisfação que devia, pois já tivemos um valor mais alto que esse.

Mamma Mia! Here We Go Again passa-se 5 anos depois da acção do primeiro filme. Para grande tristeza dos fãs do Mamma Mia! e de Meryl Streep, a personagem da actriz, Donna, já se encontra morta há 1 ano. Neste filme, vemos a sua filha Sophie (Amanda Seyfried) a organizar a reabertura do hotel que pertencia a Donna. Neste evento, aparecem as personagens que já conhecemos no primeiro filme: as duas melhores amigas de Donna, Tanya (Christine Baranski) e Rosie (Julie Walters), e os três pais de Sophie, Sam (Pierce Brosnan), Harry (Colin Firth) e Bill (Stellan Skarsgård). Conforme a história se desenrola, somos presenteados ao longo do filme com flashbacks da juventude de Donna, de como ela acabou por ir viver para aquela ilha e como conheceu os 3 possíveis pais de Sophie. Mais à frente, descobrimos que Sophie está grávida, e daí em diante vamos também descobrindo como foi a gravidez de Donna há 25 anos atrás, naquele mesmo sítio, praticamente sozinha. É quase escusado dizer que tudo isto se desenrola com a música dos ABBA como pano de fundo (e sinto-me tentada a acrescentar que Benny Andersson aparece no filme como pianista de café, embora não esteja creditado).

Mamma Mia! Here We Go Again peca em algumas partes, por exemplo: Primeiro, em Mamma Mia!, tornou-se óbvio que Tanya e Rosie não sabiam que Donna tinha estado com 3 rapazes diferentes ao mesmo tempo. Donna só lhes contou 20 anos depois quando eles apareceram na ilha na altura do casamento da sua filha.

”- É o pai dela”
” – O pai de quem?”
” – O pai da Sophie. Lembram-se de eu ter dito que era o Sam? Sam, o arquitecto, que teve de voltar para casa para se casar? Não tenho a certeza que é ele, porque houve mais dois rapazes na mesma altura”
” – Donna Sheridan… Sua maluca!”
” – Porque não nos contaste?”
”- Porque jamais achei que alguma vez teria de contar”

O que leva a que o facto de Rosie se ter apaixonado por Bill quando eram mais novos também não faça o menor sentido. Afinal de contas, Rosie só soube que Bill existia 20 anos depois.

Em segundo lugar, no primeiro filme aparecem (embora por breves segundos) as versões mais jovens dos 3 homens da vida de Donna, e embora seja natural que no segundo filme sejam diferentes das do primeiro visto que são representadas por outros actores, nota se uma grande diferença de estilo: Bill e Sam tinham o cabelo muito mais comprido e um estilo mais hippie no primeiro filme e Harry tinha um estilo muito punk, com os olhos pintados de preto, cabelo espetado e gargantilha de picos. Em Mamma Mia! Here We Go Again, todos apresentam um estilo bastante mais clássico.

Por último, mas não menos importante, em Mamma Mia! ficamos com a sensação de que a mãe de Donna já não está entre nós, quando ela diz ”Alguém lá em cima tem algo contra mim. Aposto que é a minha mãe”, mas vá, vamos descontar esta parte, porque podia ser apenas Donna a presumir que a sua mãe poderia já estar morta, já que sempre foi dado a entender que já não a via há imenso tempo. Mas a mãe dela está viva, pronta para descer do seu jacto particular em saltos altos e cantar e encantar o mundo. Cher é Ruby Sheridan, e embora seja uma excelente adição ao elenco de actores, ao início custa-nos um pouco a acreditar que a cantora e actriz, que é apenas 3 anos mais velha que Meryl Streep, possa ser sua mãe, mesmo que seja só no grande ecrã.

E claro, não posso deixar de identificar a falta que mais se fez sentir em Mamma Mia! Here We Go Again: Quando temos Meryl Streep num filme, esperamos que ela apareça na sua sequela. Adorada universalmente, não é de espantar que todos tenhamos ficado abatidos ao apercebermo-nos de que a sua personagem tinha morrido. E além disto, fica uma dúvida no ar: Como é que Donna morreu? O que terá acontecido? O filme não nos esclarece esta dúvida.

Mas nem tudo são espinhos. Na verdade, há várias coisas a ser elogiadas neste filme. Para começar, não há filme que se ajuste mais a esta altura do ano. Cenários coloridos, cheios de música, paisagens lindas e pessoas a cantar e a dançar. Além disso, algumas cenas têm entre si umas transições muito bem conseguidas, e é aqui que aproveito para elogiar os responsáveis pela edição do filme. Amanda Seyfried e Christine Baranski não envelheceram um dia desde o primeiro filme e o restante elenco encontra-se em excelente forma (embora continuo a achar que o filme ficava a ganhar se não tivessem posto Pierce Brosnan e Dominic Cooper a cantar… Mas isto é apenas uma opinião).

Lily James fez um excelente trabalho ao encarnar a versão jovem de Donna. Conseguiu retratá-la tal e qual como eu a imaginei no primeiro filme. Isto sem deixar de dar os meus parabéns também a Alexa Davies Jessica Keenan Wynn, as versões jovens de Tanya e Rosie.

Apesar da estranheza quanto ao facto de Cher ser mãe de Meryl, isso não compromete o desempenho da actriz e cantora em Mamma Mia! Here We Go Again. Embora só apareça durante alguns minutos, as suas frases vêm cheias de um atrevimento que assenta na perfeição à sua personagem. E claro, a sua irrepreensível rendição de ”Fernando”, o que me leva a comentar a parte musical do filme. Sou fã incondicional dos ABBA e se calhar isso leva a que a minha opinião se deixe influenciar por esse facto, mas acho que as músicas e respectivas letras assentaram perfeitamente nas situações em que se inseriram, embora com algumas excepções, como foi o caso de ”When I Kissed The Teacher”, que podia ter sido dispensada. O filme teve de se fazer valer de músicas menos conhecidas da banda, já que tinha colocado os seus maiores hits todos no primeiro, embora algumas se repitam neste.

Eu nasci bem depois do auge de sucesso dos ABBA, mas imagino que ver este filme e o seu antecessor tenha um sabor especial para quem viveu naquela altura e teve as suas músicas como banda sonora da sua juventude. Portanto, o factor nostalgia neste caso é um ponto positivo.

E por fim, tenho de falar em Meryl Streep. Aparece tão pouco neste filme, mas aparece o suficiente para que a sua presença se faça sentir na forma das lágrimas que caíram pela cara de muitos a ver a cena deliciosamente encantadora em que ela aparece. Num dueto com Seyfried, canta ”My Love, My Life” e parte-nos o coração em mil pedacinhos sem dó nem piedade, como se a tristeza de Donna estar morta não fosse já o suficiente. Só mesmo a Meryl Streep para me fazer chorar assim em plena sala de cinema.

O filme tem as suas falhas, plot holes, mas como também tem os pontos positivos que acabei de referir, o resultado final é agradável. Ver o Mamma Mia! Here We Go Again é como beber uma Coca-Cola gelada num dia de 38º graus de temperatura: refrescante, é mesmo disto que o Verão precisa.

Trailer | Mamma Mia! Here We Go Again

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