Frame by Frame The Handmaid's Tale TV

The Handmaid’s Tale – 2×13 – The Word

The Word

PODE CONTER SPOILERS!

Estamos perante a última hora deste segundo ano de The Handmaid’s Tale e tudo não poderia ter terminado de uma maneira mais positiva. A história veio-nos conduzindo até este dia, até este momento, sem pressas, sem cair nos clichés básicos. June (Elisabeth Moss) já tentou fugir de Gilead algumas vezes, duas delas nesta temporada. Será que se realmente tivesse oportunidade de fugir, o faria, deixando pessoas importantes para trás?

Vamos começar pelo início. A serva e Rita (Amanda Brugel) começam o episódio a arrumar as coisas de Eden, acabando por encontrar nos pertences desta uma Bíblia cheia de anotações e questões. Isto é tudo o que o regime procura abolir: o pensamento individual. É absolutamente proibido lerem o que quer que seja, inclusivé algo relacionado com a fé.

June tem medo do que poderá ser o futuro da filha e por isso, procura Serena (Yvonne Strahovski), dando-lhe a conhecer o segredo da jovem e alertando-a para as suas preocupações com Nichole. Tudo isto surte o efeito pretendido e depois de falar com as outras esposas dos comandantes que partilham da mesma opinião, decidem falar com estes de modo a pedir para que as Bíblias sejam lidas na escola.

Toda esta cena foi incrivelmente forte e deixou-me com o coração nas mãos. As mulheres a entrar na sala todas juntas e unidas é tão forte e simbólica e finalmente vemo-las tomar também uma atitude. Sabia que tal afronta não iria ser bem vista por Fred (Joseph Fiennes) e pelo outros chefes do regime e Serena acabou por pagar bem caro por tudo isto, acabando por lhe ser cortado um dedo. Ainda que esta já tenha tomado atitudes que são quase imperdoáveis, não consigo deixar de ter pena. Ajudou a construir um mundo novo que a rejeitou e agora parece ser tarde demais para mudar algo.

É ainda realmente estranho o comandante Lawrence (Bradley Whitford) e as suas intenções. Pelos vistos a noite da Cerimónia com Emily (Alexis Bledel) foi apenas para conversar e a conhecer melhor, sem a parte sexual dura e nojenta. Ainda assim, e cansada do que tem passado, esta serva consegue uma faca na cozinha e faz algo que ninguém esperava: esfaqueia a Tia Lídia (Ann Dowd) nas costas. Não só lhe espeta a faca, como a pontapeia quando a vê deitada no chão ensanguentada.

Foi um misto de emoções nesta cena. Se por um lado queria muito que a mulher morresse, por outro sinto que ainda há muito para saber sobre esta e acredito que o final dela não será aqui e ainda a poderemos ver continuar a fazer das suas na próxima temporada. Emily é levada pelo comandante sem saber o que lhe irá acontecer mas, mais uma vez somos surpreendidos e este apenas a quer ajudar a fugir de Gilead de uma vez por todas.

Nos minutos finais, vemos uma das cenas mais bonitas e incríveis que a série nos trouxe: as Marthas (incluindo Rita) unem-se para ajudar June a escapar. Esta nem quer acreditar e, com o filho nos braços, vai saltando de ajuda em ajuda, num plano aparentemente perfeito para finalmente ter aquilo que sempre quis. Quem não gosta de tudo isto é Fred, que sendo impedido por Nick, percebe que as coisas estão a fugir do seu controlo.

Contudo, o melhor momento é quando Serena a apanha a tentar fugir com a sua “filha”. Ainda que tente impedi-la inicialmente, depressa é convencida por Offred que ela não pode crescer ali, porque o futuro não é promissor para as mulheres. Numa cena emocionante, com as duas mulheres (e nós) de lágrimas na cara, a Mrs. Waterford cede a que ela fuja com a menina. WELL DONE SERENA! I’M SO PROUD!

Depois de uma conversa entre June e a pequena Nichole, onde a primeira deixa uma foto de Hannah, percebi que as coisas não iriam ser bem assim. Encontrando-se com Emily e com um camião à espera para as levar dali para fora, a protagonista entrega a filha mais nova nos braços da amiga (pedindo-lhe para lhe chamar Nichole) e manda o veículo arrancar. Fiquei de boca aberta. Quando finalmente tem a sua chance de fugir dali de uma vez por todas, desiste? Depois entendi. A filha mais velha continua naquele “mundo”. Continua presa ali e talvez fosse mais difícil lutar pela sua liberdade no Canadá do que ali dentro.

The Handmaid’s Tale sempre nos fez questionar a força da fé, as crenças absolutas das religiões e o papel das mulheres na sociedade, coisas que parecem do tempo dos dinossauros mas que, pensando bem, estão tão vivas e atuais. Aqui vimos que quando há união, não há regime, não há frente, não há religião que seja melhor que ninguém. A força das mulheres desta série é tão grande, tão inspiradora que por muito que lhes aconteça, temos sempre esperança que irão dar a volta por cima.

Já não tenho mais palavras para dizer sobre Elisabeth Moss, apenas que leve os prémios todos embora. Merece todos e mais alguns. Fiennes, Strahovski, Bledel, Dowd, entre outros, também deram shows de representação durante toda a temporada e são de aplaudir de pé. A fotografia e realização são irreprensíveis, de ficar boquiaberta muitas das vezes e o argumento é de uma qualidade que não se vê todos os dias.

Afirmando-se como uma das melhores série da atualidade e dos últimos anos, The Handmaid’s Tale merece ser vista e apreciada por todos. Com um segundo ano fortíssimo e com as expetativas para uma 3ª temporada extremamente altas, só nos resta esperar pelo próximo ano e ir revendo os capítulos desta maravilha.

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Afirmando-se como uma das melhores série da atualidade e dos últimos anos, The Handmaids Tale merece ser vista e apreciada por todos. Com um segundo ano fortíssimo e com as expetativas para uma 3ª temporada extremamente altas, só nos resta esperar pelo próximo ano e ir revendo os capítulos desta maravilha. 

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