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Sharp Objects – 1×01 – Vanishing

Sharp Objects

PODE CONTER SPOILERS! 

Baseado no livro de Gillian Flynn, autora de Gone Girl e sob o comando na realização de Jean-Marc Vallée, o autor do último grande sucesso da HBO, Big Little Lies, Sharp Objects prometia não só por aquilo que já sabiamos à partida da história, como por ter Amy Adams no papel principal. Ela é Camille Parker, uma jornalista que acaba por ser obrigada pelo seu patrão a voltar à sua cidade natal, para investigar um assassinato e um desaparecimento de duas adolescentes.

O silêncio e os pormenores são algo que percebemos que pairam sobre o ambiente que a série quer transmitir. Há muitos olhares, muitos toques… e vamos acompanhando tudo isto com a protagonista, que agora ao regressar à sua terra, parece que vive numa espécie de loop mental, onde em diversas cenas, vemo-la regressar ao passado, mostrando a maneira que aquele local a formou e a transformou quando era uma adolescente.

O realizador, que já nos tinha demonstrado o brilhante trabalho de câmara anteriormente, aqui, ainda que com algumas semelhanças, apresenta um trabalho mais negro, planos que demonstram confusão e desequilíbrio, talvez por os vermos quase sempre sob a perspectiva de Camille. Vemos a cidade triste, cinzenta, quase irrespirável atualmente, enquanto vamos assistindo a cenários mais serenos e claros no passado, quando acompanhamos a incrível Sophia Lillis no papel da jovem protagonista.

A maneira brilhante como Vallée nos demonstra, já no final, o corpo cortado com palavras escritas pela própria mulher, é de aplaudir. Subtilmente, deu-nos algo que nos fez entender finalmente um pouco mais sobre ela e o tormento que vive.

Ainda que a meia-irmã, Amma (Eliza Scanlen), me deixe intrigado, acreditando que ela terá muito a dizer durante o decorrer dos episódios, é na relação da jornalista e da sua mãe que a narrativa parece socorrer-se para nos ir dando mais informações sobre o passado, sobre aquela cidade e sobre o porquê de Camille ser como é. Patricia Clarkson é a escolha perfeita para o papel e tenho a certeza que virão aí muitas cenas de arrepiar vindas dela. Adams é o trunfo maior da série e brilha do primeiro ao último minuto. A adição com a bebida, o olhar perdido e ao mesmo tempo, toda a sua força para conseguir fazer o seu trabalho da melhor maneira… será, certamente, uma das performances do ano.

No final, descobrimos que a segunda miúda desaparecida, afinal também está morta. Isto, faz com que Camille recorde a morte da sua irmã, quando ainda estava na adolescência e, talvez por isso, a sua vontade em descobrir o que está a acontecer naquela cidade. Será que haverá ligação entre todas as mortes? Um serial killer? Mas porquê?

Com vibes de True Detective, com algumas nuances de Big Little Lies, Sharp Objects parece ter todos os ingredientes para dar certo. Personagens fortes, um texto seguro, uma realização que sabe para onde quer caminhar e uma cidade cheia de segredos. Tudo isto, acaba por funcionar e quando o episódio termina, a minha vontade era só ver mais. Tenho a certeza que estamos perante o novo sucesso do canal.

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Com vibes de True Detective, com algumas nuances de Big Little Lies, Sharp Objects parece ter todos os ingredientes para dar certo. Personagens fortes, um texto seguro, uma realização que sabe para onde quer caminhar, uma cidade cheia de segredos.

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