Cinema Críticas

Crítica: Tarzan (1999)

Tarzan

Nome: Tarzan 
Título Original:
Tarzan 
Realizador:
Chris Buck, Kevin Lima 
Elenco: 
Tony Goldwyn, Brian Blessed, Minnie Driver, Glenn Close, Rosie O’Donnell 
Duração: 88 min.

Tinha 6 anos quando o filme estreou e tive o privilégio de o ter ido ver na sala de cinema com os meus pais. Sempre fui um rapaz de sorte por ter quem me incutisse o vício pela Sétima Arte desde muito cedo e, talvez por isso, nunca mais larguei esta paixão. Ainda que fosse um miúdo, lembro-me como se fosse hoje daquele dia, do lugar onde estava sentado e de toda a experiência que foi assistir àquele que era o 37º filme da Disney.

Ainda que tenha o repetido inúmeras vezes ao longo dos anos e que, obviamente a minha perceção sobre o mesmo tenha mudado, aquilo que ele me transmitiu da primeira vez mantém-se até aos dias de hoje, assim como a atualidade da mensagem que se comprometeu a passar, sendo por isso, uma das longas-metragens de animação mais incríveis que já vi.

É uma das personagens e histórias com mais adaptações de sempre, e foi necessário aos olhos dos realizadores, criar uma narrativa ligeiramente diferente, mantendo a essência, mas mudando certos aspetos que apenas vieram trazer maior veracidade e realidade ao clássico. O Tarzan da Disney é mais introspetivo, mais focado na forma como este lida com a o facto de ser “adoptado” por gorilas e menos no romance em si com Jane (Minnie Driver). O primeiro grande vilão do filme é Sabor, o leopardo que mata não só os pais do ainda bebé Tarzan (Tony Goldwyn), como filho de Kala (Glenn Close) e Kerchak (Lance Henriksen). Estes acabam por encontrar o pequeno rapaz sozinho e criam-no como se fosse seu.

A magia acontece a partir daqui. Tarzan cresce a achar que pertence ali. Não sabe o que são humanos e não nota as diferenças entre si e os animais que o acolheram. Move-se como eles, não fala e, por isso, quando descobre o grupo de seres humanos que chega à ilha, a sua existência sofre uma grande reviravolta. Impossível esquecer a cena maravilhosa onde ele e Jane unem as suas mãos, como ele já tinha feito com a mãe adotiva no início e como acaba por voltar a fazer mais à frente. Ainda que sirva para mostrar a semelhança e a distinção nas situações, serve acima de tudo como uma metáfora para a união entre os dois mundos.

Kala: Fecha os olhos. Agora esquece o que vês. (colocando a mãe de Tarzan no peito) O que sentes? 

Tarzan: O meu coração. 

Kala: (colocando a cabeça de Tarzan no seu peito) Vem aqui. 

Tarzan: O teu coração. 

Kala: Vês? Não somos assim tão diferentes. 

Todo o romance com Jane é extremamente bem feito e resulta ao fazer-nos acompanhar a criação de uma bonita história, não sendo de todo o pano de fundo do filme. Contudo, a meu ver, a personagem mais forte é Kala e o seu amor genuíno e puro por aquele menino. Ela perdeu tanto mas, tal como qualquer Mãe, não desiste de abraçar alguém diferente e estranho, que só precisa de colo e educação. A parte cómica está também presente ao longo dos minutos, principalmente nas cenas entre o rapaz e os amigos Terk (Rosie O’Donnell) e Tambor (Wayne Knight), que nos vão apaixonando com as suas particularidades.

“Não importa onde eu vá, tu serás sempre a minha mãe”

Ainda que o final seja um bocado apressado, acaba por resultar no seu conjunto e na maneira como é conduzido. Tarzan está prestes a embarcar com Jane até perceber que Clayton (Brian Blessed) quer caçar a sua família. Vai atrás do vilão, acabando por salvar quase todos, exceto o pai Kerchak, que antes de morrer, o aceita finalmente como filho. Impossível conter as lágrimas. O que eu chorei no cinema agarrado às mãos dos meus pais…

Em termos de produção e, mesmo com todos os desenvolvimentos que foram acontecendo ao longo dos anos, foi necessário ser criado um novo software onde fizeram cenários em computação gráfica, para depois inserir-lhes as personagens a lápis. Queriam fazer mais do que até ali, queriam dar ao filme o que ele merecia, sem limitações e o saldo foi positivo. É impossível isto passar ao lado do público, deixando muitos filmes atuais sem hipóteses de comparação com um filme dos anos 90.

Aquele que é talvez o ponto mais forte de Tarzan é, sem dúvida, a banda sonora, pelas mãos e voz de Phil Collins. Quem não conhece “You’ll be my heart” ou “Son of Man“? As canções funcionam na perfeição sempre que entram em cena, apresentando-se muitas das vezes, quase como videoclips que nos deixam boquiabertos. Ajudam a contar a história e não só nos tocam bem cá no fundo, como nos fazem vibrar a cada cena de ação tão bem executada.

A longa-metragem faz-nos questionar imensas coisas e acabamos por conseguir responder a muitas no final: família é quem cria, é quem dá amor; a nossa realidade não é a certa, há mais mundos para descobrir e temos de aceitar tudo, dando as mãos sem receios. O aspeto é diferente, a maneira de pensar distinta, mas todos temos um coração que vai batendo quase ao mesmo ritmo e no final de contas, só mesmo isso importa. Emocionante e inesquecível, Tarzan vai ser sempre um filme atual e importante, que vou querer mostrar um dia aos meus filhos.

TRAILER | TARZAN

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