Cinema Críticas

Crítica: Sicario: Day of the Soldado (2018)

Nome: Sicario: Guerra de Cartéis
Título Original: Sicario: Day of the Soldado
Realizador: Stefano Sollima
Elenco: Benicio Del ToroJosh BrolinIsabela MonerElijah Rodriguez
Duração:
 122 min

A sequela de Sicario (2015) é-nos trazida ao ecrã por Stefano Sollima e é a terceira longa-metragem que passa pela mão do realizador. No entanto, podemos contar na mesma com Taylor Sheridan, argumentista do primeiro filme, para nos fascinar com o enredo da segunda entrada da trilogia.

Apesar de não conseguir bater a qualidade do seu antecessor, Day of the Soldado surpreende o espectador com o seu enredo. É fácil distinguirmos e apontarmos diferenças entre os dois filmes, mas também fica bastante explícito que Stefano Sollima pretendeu entrar pelo lado mais pessoal do protagonista no segundo filme. Apesar do primeiro filme ser mais violento, rápido e intenso, Day of the Soldado não se deixou ficar para trás, com uma história sobre a aceitação do nosso passado e de fazermos o bem pelos outros.

A dupla incrível de Benicio Del Toro e Josh Brolin regressam aos papéis de Alejandro e Matt Graver respetivamente, e não se podia esperar melhor dos colossos de Hollywood. Benicio encanta o espectador com uma performance fantástica e emocionante, transmitida através de um personagem que não consegue expor as suas emoções. É uma prestação arrepiante que só o galardoado Del Toro conseguiria transpor para o grande ecrã, e que nos deixa agarrados ao seu personagem.

Apesar de Del Toro ter roubado a atenção toda para si, não podemos deixar de aplaudir Josh Brolin pelo seu papel no filme. Embora o seu personagem não seja tão explorado como Alejandro sentimos os seus conflitos e os seus interesses serem explorados. Brolin dá um relevo a Matt Graver incrível e a sua performance é formidável. O ator está a ter o verão da sua vida com participações de calibre em blockbusters incríveis. Josh já interpretou Buck Ferguson em The Legacy of a Whitetail Deer Hunter, o colosso Thanos em Avengers: Infinity War e o misterioso Cable em Deadpool 2, e fecha o seu ano de 2018 com um filme e performance igualmente fantástica como o astuto Matt Graver em Sicario: Day of the Soldado. É certo que o ano ainda vai a meio, mas Brolin já tem um lugar fortíssimo como personalidade do ano!

Isabela Moner e Elijah Rodriguez são caras novas na trilogia mas deixam a sua marca em Day of the Soldado, cada um à sua maneira. Isabela interpreta Isabel Reyes, uma jovem adolescente que se vê envolta num enredo perigoso e assustador. Apesar do papel não ser exigente, a jovem atriz não passa despercebida ao espectador. O mesmo se pode dizer de Elijah Rodriguez, que, embora não seja um papel extraordinário, foi uma boa adição ao elenco e certamente compensará na última instalação da trilogia.

Em termos de enredo, Day of the Soldado decide comprometer ação frenética e adrenalina intensa para conseguir alcançar um nível mais pessoal e emocional. Sendo algo que difere do primeiro filme, a sequela necessita de vaguear por outros caminhos e é executada lindamente, tanto em realização como em argumento. Day of the Soldado continua a contar com cena de ação intensas e rápidas, mas numa escala inferior, quando comparado com a primeira instalação da trilogia. O filme também conta com uma fotografia incrível e uma banda sonora e efeitos sonoros de outro mundo! Nota-se facilmente a diferença da fotografia de Sicario (2015) e de Day of the Soldado, onde o primeiro utiliza ângulos panorâmicos com abundância, enquanto o segundo tenta utilizar um objeto ou pessoa como foco da câmara. Poderá ser também uma alusão ao facto do primeiro filme se focar bastante numa narrativa mais generalizada e o segundo decide apostar mais numa história pessoal.

No entanto, algo me incomoda acerca de Sicario como uma trilogia. Numa das minhas rubricas pessoais falo sobre como Hollywood está a industrializar o cinema (podem ler a rubrica aqui), e penso que Sicario seja uma vítima disto. Não estou a insinuar que Sicario perdeu qualidade, ou que seja uma má trilogia, muito pelo contrário, adoro! Mas sinto que Sicario (2015) foi lançado como um filme standalone e que teve um final conclusivo e sem pontas soltas. No entanto, dado ao sucesso do filme nas bilheteiras mundiais, decidiu-se criar uma trilogia… Nada contra as trilogias bem executadas no cinema, mas sinto que Sicario (como um todo) vai sofrer por causa do primeiro filme não pertencer ao mesmo enredo que os seus sucessores. Um exemplo perfeito disto é Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, que foi lançado como um standalone mas, devido ao seu sucesso, levou à criação de uma trilogia (de grande qualidade!). Mas há sempre algo que me deixa a pensar e que parece afastado do resto: o “filme-mãe”. Enquanto que Dead Man’s Chest e At World’s End fazem perfeito sentido em termos de enredo (visto que um dá seguimento ao outro), The Curse of the Black Pearl (apesar de ser o primeiro filme da trilogia) faz-me sentir que estou a assistir a uma prequela ou spinoff do enredo principal. Em Sicario (2015) tenho a mesma sensação, na medida em que o primeiro filme teve um final conclusivo e sem dar indícios de que estaria a desenvolver o enredo para uma trilogia. Já o segundo tenta estabelecer um enredo para a última instalação. Pirates of the Caribbean e Sicario sofrem do mesmo dano colateral de Hollywood, que é formarem uma trilogia “incompleta”, ao contrário de, por exemplo, The Lord of the Rings ou Planet of the Apes, cujas trilogias foram planeadas desde o início. Apesar de apontar estes “defeitos”, adoro ambos como filmes independentes e trilogias!

No final, Sicario: Day of the Soldado é um filme incrível e uma sequela muito bem executada que mantém a qualidade do seu antecessor, utilizando apenas um estilo de narrativa diferente. Apesar de diferentes, ambos sabem perfeitamente o que pretendem transmitir, e Day of the Soldado superou as minhas expectativas. É um filme mais calmo e lento, mas pessoal e emocional. Conta com prestações brilhantes de duas grandes estrelas de Hollywood e o enredo é muito bem aproveitado.

Trailer | Sicario: Day of the Soldado

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