Cinema Críticas

Crítica: The Yellow Birds (2017)

The Yellow Birds

Título original: The Yellow Birds

Título: Pássaros Amarelos

Realizado por: Alexandre Moors

Elenco: Toni Collette, Jennifer Aniston, Alden EhrenreichTye SheridanJason PatricJack Huston

Duração: 94 min.

Tenho uma confissão a fazer: ainda que tente sempre ver os filmes com a maior abertura possível, não resisto a ver as notas que lhe são atribuídas pelos sites mais famosos sempre que me é atribuído um filme para review. No caso de The Yellow Birds o sentimento o meu revirar de olhos e sentimento de “lá vamos nós outra vez” que tive ao ver as notas medianas que lhe haviam sido atribuídas foram rapidamente substituídos por um “espera lá” assim que começou o filme de Alexandre Moors baseado no romance homónimo de Kevin Powers.

The Yellow Birds Livro
Livro no qual o filme foi baseado

The Yellow Birds: Análise

O filme acompanha o trajecto de dois jovens soldados no antes, durante e depois da sua missão no Iraque ao serviço dos EUA. Bartle (21) e Murphy (18) enfrentam os horrores da guerra sob o comando do Sargento Sterling, mais velho e mais experiente que os referidos primeiramente.

Com uma presença militar no Médio Oriente que dura, de uma forma ou de outra, há quase duas décadas, e que tem tanto de controversa como de sangrenta, é normal que os cinema americano tenha toneladas de títulos sobre o tema. No entanto existem apenas um punhado deles que se destacam, sejam porque conseguem apresentar uma narrativa única, porque têm uma qualidade técnica notável ou até porque conseguem combinar os dois. Isto acontece exactamente da mesma maneira com os documentários, como tive oportunidade de abordar num outro artigo deste site.

The Yellow Birds é seguramente um desses filmes. Não vai ganhar nenhum Oscar provavelmente, mas tem todas as características de um bom filme e ainda consegue fazer aquilo que só uma pequeníssima parte das películas conseguem: tocar-nos emocionalmente nos pontos certos e fazer o espectador colocar-se no lugar das várias personagens.

Além disso, o enredo é muito sólido e bem desenvolvido, sendo apresentado ao espectador de uma forma criativa e diferente, que o deixa sempre na expectativa e “no escuro” quanto ao desfecho.

Cinematografia: O Ponto Mais Forte

Se costumam ler o que vou escrevendo por aqui, sabem quem valorizo um filme com uma boa cinematografia. Uma sequência de imagens lógica qualquer “macaco” que leia três artigos na net faz. Imagens que falem por si só, que cativem, que contem metade da história sem necessidade diálogo e que nos prendam a respiração, essas só estão ao alcance de alguns. E aqui ponho-me de pé para aplaudir Daniel Landin, que tem uma carreira já preenchida e diversificada que percorre não só filmes como também trabalhos com bandas e músicos como Madonna ou Oasis.

Realizador e Cinematógrafo
Realizador e Cinematógrafo nas gravações de The Yellow Birds

As localizações das filmagens foram bem escolhidas e muito bem preparadas, e Daniel Landin usa depois a lente para tirar o melhor partido disso. Mesmo nas cenas de combate, sempre difíceis de usar para planos bonitos e onde a tendência é mais a espetacularidade e explosividade “barata”, o cinematógrafo e o realizador conseguem planos que são focados nos personagens, nos sentimentos, nas sensações e que permitem ao espectador sentir o que o personagem sente.

Performances

O elenco principal é relativamente curto, mas está longe de ser um conjunto de desconhecidos. O destaque tem de ir para a performance de Alden Ehrenreich que facilmente reconhecerão do filme Han Solo: Uma História de Star Wars. O actor faz uma interpretação fantástica de um personagem muito complexo e que atravessa várias fazes ao longo do filme. Transmite-lhe enorme credibilidade e nota-se que é um actor de alto calibre com uma carreira a seguir de perto.

The Yellow Birds
As personagens principais em acção

Jennifer Aniston Toni Collettedois nomes que dispensam qualquer apresentação, também conferem ao filme uma maior solidez, fruto da sua experiência e também da fantástica química que têm uma com a outra no pouco tempo em que se cruzam no ecrã.

collette e jen
As experientes actrizes revelaram uma boa química nas suas cenas

 

Prémios

The Yellow Birds foi nomeado para o Audience Award no Edinburgh International Film Festival perdendo para Just Charlie. E no conhecido Sundance Film Festival foi nomeado para o Grand Jury Prize (perdeu para I Don’t Feel at Home in This World Anymore) e arrecadou o Cinematography Award.

Conclusão

Não é o melhor filme de guerra de sempre, nem tão pouco da última década. Mas é um bom filme. Uma perspectiva diferente da guerra, focada nos seus efeitos colaterais e muito menos na missão. Fez-me lembrar A Barreira Invisível, nesse aspecto em particular. Pode dizer-se que The Yellow Birds está para a guerra no Iraque como A Barreira Invisível está para a II Guerra Mundial. Parece-me a conclusão perfeita para este artigo.

Trailer | The Yellow Birds

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