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Westworld – 2×08 – Kiksuya

Westworld surpreende-nos a cada semana que passa, e depois de um episódio repleto de adrenalina e ação como Les Écorchés, só poderíamos esperar um ainda mais violento episódio 8. Bem, parece que fomos enganados novamente pela brilhante série que é Westworld.

Kiksuya é um episódio que abranda em ritmo; deixa o espectador repousar e descansar de tanta ação frenética que a série nos tem apresentado, enquanto escutamos atentamente à história de Akecheta (Zahn McClarnon) e da viagem da Ghost Nation em direção à consciência.

O episódio é deveras diferente do que estamos habituados a ver em Westworld. É um episódio envolvente, que nos conta uma história de amor em tempos remotos do parque. Sentimos a afeição, carinho e proteção, num episódio pouco comum. Kiksuya é maioritariamente narrado por Akecheta, enquanto este conta à filha de Maeve (Thandie Newtona sua história. Viajamos com Akecheta por desertos, regiões rochosas e até ao submundo mas, sobretudo, viajamos pela mente e coração do protagonista deste episódio.

Nunca tivemos grande percepção de quem são os membros da Ghost Nation, ou o porquê de agirem de certa forma, mas tudo isso muda em Kiksuya. O próprio título do episódio é a palavra no dialecto de Lakota (falado pela Ghost Nation) para “relembrar”. Mais uma vez, Westworld acerta em cheio no título do episódio! Akecheta, ao contar a sua história à filha de Maeve (que mais tarde, vimos a aperceber-nos que é, na verdade, Maeve), está a relembrar a sua viagem pelo inferno do parque, e as razões pelas quais é um profeta.

Akecheta, ao ganhar consciência, tenta com que a sua amada, Kohana (Julia Jones), consiga o mesmo. Assistimos a momentos ternos e afetuosos, e outros que nos partem o coração ao longo do episódio. A certo ponto, Akecheta apercebe-se que está a ser egoísta ao não espalhar os conhecimentos que possui sobre o mundo exterior. É aqui que Akecheta se torna um profeta, um mártir. Toma uma atitude altruísta desde então, dedicando-se inteiramente a ensinar ao seu povo o caminho até à consciência.

Maeve também tem uma parte importante neste episódio, através de Akecheta. À primeira vista pode parecer que a host é apenas mais uma espectadora que assiste à comovente história do índio, mas isto não é verdade. No final do episódio, Maeve entrega o seu coração a Akecheta, da mesma maneira que Kohana fazia numa demonstração de amor. Isto pode referenciar a Akane no Mai, onde Akane (Rinko Kikuchirecolhe o coração da sua falecida filha, e o carrega consigo até à “terra prometida”, a terra natal de Sakura (Kiki Sukezane). Maeve demonstra um nível de empatia e de afeto para com Akecheta, apesar de se lembrar do índio como uma ameaça. É criada uma proximidade entre os dois, onde esperemos que haja um reencontro forte e emocional.

“Kiksuya é mais simples que os anteriores episódios de Westworld. Não há batalhas violentas nem saltos temporais confusos e, no entanto, conta uma história pessoalmente tocante e mítica. Começa com a criação de Westworld numa existência edénica, antes da queda do paraíso. Um herói percorre um deserto em busca de significado, viaja até ao submundo por amor, conhece Deus, espalha o seu conhecimento, e prepara-se para liderar o seu povo até à terra prometida. Esta é a cosmologia de Westworld, uma bíblia da ficção científica, tecida ao longo do tempo pela história de amor de Akecheta. Westworld ganha significado quando volta aos básicos, com a história de alguém a tentar encontrar o seu lugar no universo.”Alt Shift X

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Kiksuya abranda o ritmo da temporada de maneira genial. O espectador pode descansar da ação louca de Westworld, e disfrutar de uma história pessoal e comovente.

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