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The Handmaid’s Tale – 2×10 – The Last Ceremony

The Handmaid's Tale

PODE CONTER SPOILERS!

Quando vi pela primeira vez o título do episódio desta semana de The Handmaid’s Tale, fiquei extremamente intrigado. “A última cerimónia“, que quererá isto dizer? Assim que o capítulo começa e vemos Emily (Alexis Bledel) a ter de se sujeitar a mais uma das violações do seu comandante, que acaba por morrer naquele momento, fiquei aliviado. Pronto, será focado na amiga de June (Elisabeth Moss) e na morte deste homem. Enganei-me redondamente e aquilo que vi nos minutos seguintes e até ao final, foi das coisas mais perturbadoras que já vi na vida.

Há filmes de terror, anunciados como tal, que acabam por nos fazer rir. Não há aquele suspense, aquele arrepio na espinha como devia haver. Esta série tem o efeito contrário. É tida como drama, mas consegue fazer-nos perder o sono e ficar com o coração acelerado, um medo real.

Offred está no mercado quando finalmente começa a ter contrações. O entusiasmo é geral e esta é levada para casa para fazerem o parto. As servas unem-se todas no mesmo quarto, as Marthas tratam dos pormenores da comida e da bebida, Waterford (Joseph Fiennes) e o resto dos comandantes no escritório a fumar e beber, enquanto Serena (Yvonne Strahovski) e as outras espostas estão reunidas também, numa cena altamente ridícula, com a Mrs. Waterford a fingir as contrações – porque será que ainda me impressiono com algo nesta série?

Onde isto acaba? Num falso alarme. Afinal o bebé não nascerá já, algo que deixa June com um sorriso na cara e Serena capaz de a matar. E mais uma vez, fui surpreendido por esta mulher. Quando achava que ela se começava a aperceber de todo o mal que fez com este regime e que a veríamos com outra atitude, levamos outra chapada com a sua vontade de ter um filho superior a tudo o resto, que a cega de tal maneira, levando-a a praticar um dos atos mais macabros que já vi.

Depois da serva pedir a Fred para este a colocar no distrito da filha quando ela sair daquela casa, ele recusa e aqui acho que o que aconteceu foi o orgulho ferido. O pior? June não deixa nada por dizer e atira-lhe a cara algo do género: “Você nunca saberá o que é ter um filho seu, do seu sangue”. Esperava algo realmente grave a partir daqui e foi isso que aconteceu. Ao procurar a esposa e depois de uma conversa extremamente dúbia, Offred é chamada ao quarto por Serena. Fred aparece entretanto e contam que o melhor para provocar o parto é o método mais natural: o sexo. Mesmo com a serva a suplicar, eles levam a “cerimónia” para a frente.

É tudo tão doloroso nesta cena. As expressões e os gritos da vítima, que fazem doer algo em nós que nem conseguimos explicar, a brutalidade do casal Waterford, com a mulher a mantê-la presa e ele com um ar satisfeito. June foi violada a poucos dias de ter o bebé. Haverá ato mais cruel que este? Nada desculpa o que aconteceu aqui, por muito que Fred se tenha tentado redimir depois, pedindo a Nick (Max Minghella) que leve a grávida a um local e que voltem antes que a esposa dê por ela.

Acontece então, numa casa no meio de uma floresta repleta de neve, dos momentos mais bonitos que The Handmaid’s Tale já nos trouxe e que esperávamos há imenso tempo: Hannah, a filha de June está ali. Ainda que inicialmente a reação da pequena seja de estranheza e raiva, não entendendo porque a mãe não fez mais para a salvar, depressa “baixa as armas” e é impossível não chorar nestas cenas.

Tudo acontece muito rápido, Hannah tem de ir embora e se achávamos que poderíamos respirar, um carro chega. a serva esconde-se na casa, enquanto que Nick aborda os dois homens. O que acontece? Nick é baleado e levado por eles, enquanto June observa tudo, impotente. Tenho a certeza que Fred tem uma mão nisto, porque ninguém sabia que eles iriam estar ali. June agora está ali abandonada, quase a dar à luz. O que acontecerá mais a esta mulher?

Ainda de referir o timming deste capítulo. As notícias sobre a separação das crianças dos seus pais, imigrantes ilegais, nos Estados Unidos sob o comando de Trump estão na ordem do dia. É assustador que uma série que fala de um futuro distópico esteja tão atual.

As cenas na neve são maravilhosas, com o vermelho das vestes a contrastar com o branco, em planos extremamente bem filmados. A fotografia é só genial nesta série. Também tinha de voltar a referir pela milésima vez, a qualidade de interpretação de todos os atores, principalmente de Moss. Que soberba! Merece todos os prémios e mais alguns no próximo ano.

Intenso, perturbador e difícil de assistir, The Handmaid’s Tale continua a caminhar num enredo duro e que sabe exatamente para onde quer ir, sendo que, acredito que os episódios finais têm tudo para afirmar este segundo ano da série, como a melhor temporada de 2018.

p.s: Não confio nem um bocadinho em Éden. Já se percebeu o tipo de pessoa que ela é, mal-amada e invejosa, e tenho medo do que possa vir a fazer agora.

Leiam o nosso frame by frame anterior, aqui. 

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Intenso, perturbador e difícil de assistir, The Handmaids Tale continua a caminhar num enredo duro e que sabe exatamente para onde quer ir, sendo que, acredito que os episódios finais têm tudo para afirmar este segundo ano da série, como a melhor temporada de 2018. 

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