The Death of Superman

24 de Julho poderá parecer uma data como outra qualquer. No entanto, esta é uma data importante para qualquer fã da DC Comics ou da DC Universe Animated Original Movies. Falo-vos, claro, de The Death of Superman, a mais recente abordagem ao clássico evento que marcou os anos 90. Mas porque é que existe aquela teima de adaptar uma das histórias mais negras de Superman?

Aliás, porquê tanta importância com um personagem de bandas-desenhadas que é “impossível” de matar? Claro, em termos de popularidade, nem mesmo um alienígena que obtém todos os seus poderes através da exposição solar e que tem uma alergia estranha a rochas verdes não tem o mesmo impacto que, digamos, Batman. Ambos podem ser considerados como duas faces da mesma moeda: apesar das suas rotas diferentes na vida, nas suas experiências diferentes, ambos são órfãos que conseguiram sobreviver à sombra da perda dos seus familiares, conseguiram fazer “das tripas coração”, e tornaram-se em dois pesos pesados da DC Comics. No entanto, claro que há diferenças entre ambos.

Batman é 100% humano; Superman é um alienígena oriundo do extinto planeta de Krypton. Desde uma tenra idade que Bruce Wayne teve de aprender a desenrascar-se na vida sozinho (ainda que com a preciosa ajuda do seu mentor/mordomo, Alfred Pennyworth); Kal-El foi acolhido de braços abertos por Jonathan e Martha Kent, dois fazendeiros de Smallville, no estado do Kansas, que não só o amaram incondicionalmente, mas também ensinaram-no a respeitar os valores da Verdade, Justiça e do Estilo de Vida Americano. Batman passa as noites de Gotham a executar a sua própria versão de justiça ao fazer-se de predador ao elemento criminoso da cidade, ao passo que Superman sobrevoa a cidade de Metropolis com um claro sorriso na cara e a ajudar o próximo.

Apesar das claras diferenças, fica mais que claro que o favoritismo vai para Batman, por ser o mais relacionável com o público (pelo menos no que toca a temáticas como a perseverança e não como o “dinheiro compra tudo”). Enquanto isso, as histórias de Superman incidem-se largamente numa linha de pensamento que o coloca como um herói claramente bom e inspirador, mas que corria o risco de cair no aborrecimento. Ainda que o Rogues Gallery de Superman também seja um tanto invejável, a verdade é que não há muitos que consigam testar os limites físicos do herói. Isso viria a mudar em anos mais recentes, claro, mas há uns valentes anos atrás, eram poucos os vilões e anti-heróis que conseguiram dar uma valentes dores de cabeça ao nosso herói.

E assim, no ano de 1992, nasceu The Death of Superman. Um título curioso, claro, que nos levantou uma boa questão: quem, dos vilões de Superman, seria capaz de desferir um golpe desta magnitude? A resposta: nenhum deles. Em vez disso, este evento viria a introduzir um dos vilões mais icónicos desta mitologia: Doomsday! O personagem pode pecar no que se toca ao character development após estes anos todos. Mas precisamos de saber tudo e mais alguma coisa de uma criatura que foi criada com o intuito de sobreviver às piores condições de vida e que, cada vez que morre, renasce e torna-se completamente imune ao que o matou da última vez? Doomsday representa todo um caos desbloqueado, sem descriminação de sexo, género, deformidades físicas ou o que quer que seja; Doomsday é pura violência e morte, encarnadas numa criatura que provou ser um adversário à altura de Superman e que conseguiu a proeza inimaginável de “matar” o super-herói.

É caso para dizer que uma história contada em papel causou um impacto social inimaginável na época. A indústria das bandas-desenhadas possui um nível de twists e reviravoltas que justificam o regresso dos seus leitores ávidos, mas raramente chamam a atenção dos media. Mas a morte de Superman, um personagem icónico que marcou presença da indústria desde os longínquos anos 30, pereceu pela primeira vez. E durante uns tempos, a banda-desenhadas – e provavelmente a sociedade – viveu sem Superman a aventurar e a inspirar (não se preocupem, ele reviveu, como seria de esperar).

Esta história de teste dos limites físicos tornou-se numa das histórias mais populares do personagem, ao ponto de já ter sido adaptada anteriormente. Tivemos direito a uma adaptação ao de leve no filme Superman/Doomsday em 2007 (sensivelmente 15 anos após o lançamento do evento em formato banda-desenhada). No entanto, e apesar da sua eficácia, esta adaptação tomou apenas, mais ou menos, 20 minutos em 80, com o restante tempo do filme dedicado a uma outra história mal-empregue. O mesmo se pode aplicar a Batman v Superman: Dawn of Justice, se bem que esta “adaptação” resume-se mesmo ao terceiro ato do filme, além de mostrar uma depravidade em vez do verdadeiro Doomsday (que, de acordo com o realizador Zack Snyder, este continua à solta). E este ano, provavelmente teremos uma adaptação mais fiel ao material de origem (ainda que façam algumas mudanças para condizer com este universo animado). E o melhor de tudo? Independentemente do (in)sucesso, The Death of Superman irá ter uma sequela, que irá adaptar The Reign of the Supermenou seja, a história de quatro aspirantes a sucessores de Superman terá direito a uma adaptação animada!

Portanto, se a DCEU vos está a desiludir, então se calhar a próxima adaptação da linha DC Universe Animated Original Movies não vos desiluda. É esperar até ao dia 24 de Julho!

Comments