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Fear the Walking Dead – 4×08 – No one’s gone

A primeira metade da 4ª temporada de Fear The Walking Dead chegou esta semana ao fim. No One’s Gone é o episódio que serve de ponto final a uma primeira fase de temporada que começou muito bem, mas depois se perdeu um pouco.

É tempo de balanço. O que tiveram estes 8 episódios de bom e de mau, o que contribuíram para o quadro completo do universo The Walking Dead e o que este episódio em concreto trouxe de novo (ou não).

Daqui para a frente há um ou outro spoilers, mas há também, e acima de tudo, considerações e ponderações importantes sobre a série.

Sobre No One’s Gone

Ao contrário do que eu temia e tinha até previsto no meu artigo anteriorNo One’s Gone acabou por ser exactamente aquilo que devia ser: um episódio que vira a página do actual capítulo, sem deixar grandes pontas soltas para o que resta da temporada. Há questões em aberto, claro, mas as respostas mais urgentes foram apresentadas.

Depois de um enrolar demasiado prolongado e que prometia, assustadoramente, passar este mid-season finale, foi-nos revelado o destino de Madison (Kim Dickens) e o que realmente sucedeu no estádio. Foram essencialmente esses os aspectos sobre os quais este episódio se debruçou, e ainda bem.

No One's Gone
Alicia descobre as motivações da mãe para construir a comunidade no estádio.

Sobre a temporada, até agora.

Penso que não choco ninguém se disser que a 4ª temporada de Fear the Walking Dead nos trouxe alguns dos melhores momentos da série até agora. Acho mesmo que rivaliza com a primeira temporada em termos de qualidade.

A questão aqui é mais o problema do trauma que todos temos com a série principal. Sejamos francos: a qualidade de The Walking Dead tem caído muito nas últimas temporadas e, às vezes, parece mesmo que a série foi pelo cano abaixo. Digamos que as desilusões que apanhamos com as escolhas feitas nessa série, nos assombram nesta.

Cheguei a um ponto em basta ver um mau episódio em Fear para sentir o fantasma do eterno enrolar de narrativa até ao episódio final a pairar. É a pior coisa que pode acontecer a uma série. A meio do caminho desta temporada, acreditei mesmo que ia acontecer isso. Felizmente o episódio final parece ter confirmado a redenção da série… Mas nunca fiando!

No one's gone
A 4ª temporada trouxe a qualidade da fotografia dos primórdios da série.
Os novos personagens

Esta temporada trouxe muitas coisas novas. Desde logo Morgan (Lennie James). Tanto o personagem como actor conferem muita qualidade à série seja como cabeça de cartaz ou mero adjuvante. Dado o momento que o grupo principal atravessa na narrativa, esta espécie de Jedi Morgan que surgiu há umas temporadas veio equilibrar as forças e refrear os ímpetos mais homicidas de alguns personagens como Alicia (Alycia Debnam-Carey).

John Dorie (Garret Dillahunt) conseguiu também, rapidamente, transformar-se no personagem mais interessante da série, quer pelas suas capacidades de sobrevivência como pela sua comicidade inocente.

É por demais evidente que Fear começou a reciclar o elenco. Personagens novos, fortes e com backstories muito interessantes, foram introduzidos, à medida que outros nos vão deixando como o caso de Nick (Frank Dillane) e agora de Madison.

A série no universo The Walking Dead

Recuemos 4 anos: a criação da série foi um risco. Á vista desarmada, tinha tudo para ser um “cromo repetido” da primeira. Mas a premissa de que iríamos ver o mundo a entrar em decadência, ao contrário de simplesmente começarmos já no fundo do poço, cativou-me. E a série era o mesmo da original sim, mas numa perspectiva nova e refrescante.

Quatro anos depois decidem colocar as linhas de tempo em paralelo: novo risco. De nariz torcido, assisti cheio de cepticismo aos primeiros episódios e a qualidade era inegável. Correram os risco e, a meu ver, tem compensado. É importante que continuem assim. Assumam riscos e avancem na narrativa a bom ritmo. Queremos ver coisas a acontecer. Não queremos 8 episódios de pessoas a caminhar no mato e a pensar na vida. Para isso já temos The Walking Dead

Infelizmente, há coisas que deviam ter feito e não fizeram: o que raio aconteceu a esta gente depois da barragem? Eu exijo uma resposta! Fizeram coisas muito sem nexo na temporada passada e agora querem fingir que não aconteceu? Não me parece bem. Aconteceu e todos vimos isso… Criem lá qualquer coisa, nem que sejam webisodes (até podem por o meu nome nos Special Thanks por vos dar a ideia).

As séries, as BDs, os jogos…

Mas o universo The Walking Dead não se resume a séries. Convém relembrar que, ainda que Robert Kirkman tenha o seu dedo nesta série, estas personagens não fazem parte da sua Banda Desenhada e foram criadas de raiz. Se numa série há uma expectativa grande para conhecer a personagem X ou Y que veio da BD, aqui tudo era (e é) novo. E mesmo os eventos beneficiam disso. Não temos termo de comparação. Isso acaba por ser bom, na medida em que a série está livre para se desenrolar sem estarmos a comparar com o que se passou na BD, apontando sempre que na TV isto foi melhor e na BD foi aquilo… E onde é que isto nos leva? Ora vejamos:

  • Morgan começou na TV como uma personagem tirada directo da BD. Hoje é completamente diferente. Muito mais interessante no ecrã do que nos quadradinhos.
  • Curiosamente, os eventos nas BDs desenrolam-se com uma intensidade muito mais forte. Um ritmo muito mais próximo de Fear do que de The Walking Dead.

Se eu tivesse que olhar para o universo e fazer um ranking, por estranho que pareça aos outsiders, colocaria Fear à frente de The Walking Dead… Aliás, desde o início da temporada anterior de The Walking Dead que a série é, para mim, o produto menos interessante do universo com o mesmo nome, sendo mesmo ultrapassada pelos brilhantes jogos da Telltale. Quem leva a taça? As BDs, claro… Não há hipótese.

Conclusão

Fear The Walking Dead continua a valer muito a pena. As personagens são do melhor que existe na TV. Teve altos e baixos, é certo, mas está num dos melhores momentos desde a sua criação e, quando pensávamos que ia deixar de fazer sentido a sua existência, é quando está a fazer mais.

Venha a segunda metade da temporada, que vai ter novos desafios para este grupo completamente disfuncional  e cheio de razões para se odiar e implodir. Ainda quero ver qual vai ser o fim destas personagens… Perceber como Alicia se vai relacionar com a pequena assassina do irmão; como John vai lidar com a mulher que disparou sobre ele; se June (Jenna Elfman) vai perdoar Alicia… Vem por aí mais e melhor, certamente.

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