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Fear the Walking Dead – 4×07 – The Wrong Side of Where You Are Now

Não odeiam quando apanham alguém que está uma hora a contar uma história que podia ser contada em dois ou três minutos? Eu odeio. E é basicamente isso que acontece em The Wrong Side of Where You Are Now. Durante 80% do episódio não acontece absolutamente nada de novo e tudo o que vai acontecendo podia ter sido comprimido em pouco tempo. Muita parra e pouca uva.

Depois de um início prometedor, Fear The Walking Dead parece agora estar a beber inspiração da série que lhe deu origem.

Estamos agora a um episódio do mid-season finale e o suspense que nos continua a fazer em alguns dos pontos mais importantes pontos da narrativa passou de interessante a frustrante já há alguns episódios. Temo bem que o próximo seja igualmente um enrolar de pequenos “não acontecimentos” que culminem num cliffhanger que continue a deixar-nos no escuro quanto ao que sucedeu com Madison (Kim Dickens).

Isto seria muito duro. Seria ter começado uma temporada com alguns dos melhores episódios de sempre e chegar a meio já sem gás. Ficaríamos todos como um atleta que bateu o recorde do mundo dos 100 metros… Nos primeiros 100 metros de uma prova de 10km. Começou cheio de força, para nada…

Sobre The Wrong Side of Where You Are Now.

Ver este episódio, sabendo que esta temporada já tivemos coisas como Buried ou Laura, faz pensar que são duas séries diferentes, feitas por gente diferente.

Mas, até lá, tudo isto é especulação. Até pode ser que Fear the Walking Dead nos brinde com um mid-season finale completamente avassalador. As hipóteses são remotas, mas podemos sempre sonhar.

No episódio anterior, Fear abandonou os espectadores com John Dorie (Garret Dillahunt) em risco de vida. Aquele que é um dos mais interessantes personagens do universo The Walking Dead neste momento continua exactamente onde estava: no chão e em risco de vida. Um pouco como a série… Mas adiante.

E agora John?

Enquanto o homem vai passando para “o outro lado”, o mais genérico e mal filmado dos tiroteios televisivos vai ocorrendo. Deve ter sido coreografado por um cego. Até em Alentejo Sem Lei há coisas mais credíveis. Para além disso, um verdadeiro exército de Abutres acaba por ser repelido por apenas três pessoas: Alicia (Alycia Debnam-Carey), Strand (Colman Domingo) e Luciana (Danay Garcia). São os heróis e era provável que ganhassem, sim, mas façam-me acreditar que foi possível… Foi a coisa mais random de sempre. Alicia tem uma aura de raiva em volta dela que é interessante e até credível, mas em toda a restante envolvência da cena parece nem se ter esforçado para ser coerente e verosímil.

Morgan e Nahomi
Morgan e Nahomi têm a vida de John nas mãos.

Naomi (Jenna Elfman), com a ajuda de Morgan, carrega John para o blindado. E este foge dali levando duas pessoas que Alicia deseja matar: Naomi e Charlie (Alexa Nisenson). Esta última foi, entretanto, resgatada por Morgan que, apesar de tudo, não a quer ver morta. Neste momento, percebi que não seria neste episódio que ficaria a saber o destino de John Dorie. Tristeza.

Morgan salva Charlie
Morgan salva Charlie

Assim, com esta preciosa carga, o blindado segue para o estádio onde o episódio termina com a revelação de que, no interior, está um gigantesco número de walkers carbonizados que arrastam a sua crocante e escura carcaça para trás e para diante.

E agora digam-me, isto não podia ter sido feito em 10 minutos? Tinha de ser um episódio todo?

Os flashbacks

Claro que houve flashbacks. Não seria Fear The Walking Dead se assim não fosse. Entre as supra-mencionadas cenas desinspiradas do presente, os flashbacks escritos por Melissa Scrivner-Love tiveram pouco de novo e falham nos momentos em que podiam ser interessantes. Era suposto eu ficar tenso ao ver Alicia e Nick (Frank Dillane) em perigo quando sei que aquilo é um flashback e já os vi no presente?

Narrativa à parte, a realização de Sarah Boyd merece louvor no sentido em que até acaba por tirar o melhor partido possível da situação tendo inclusivamente bons planos dentro da linha que têm sido a qualidade da série.

O problema da série não é a realização nem os aspectos técnicos. Aí continua a valer bem o tempo. O problema é a narrativa e a forma desajustada e descabida como são geridos os arcos das personagens.

Conclusão

Em suma, The Wrong Side of Where You Are Now poderia ter sido, no máximo, metade de um episódio.

Falta apenas 1 episódio para o interregno habitual de Fear The Walking Dead e a redenção que a série prometia para o universo de Robert Kirkman está absolutamente comprometida pelos mesmos erros de sempre.

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