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Westworld – 2×07 – Les Écorchés

Westworld

CONTÉM SPOILERS!!!

Eis uma simples verdade sobre esta segunda temporada de Westworld: até agora, não nos desiludiu. Semana após semana, a série das mentes de Jonathan NolanLisa Joy continua a superar-se a si mesma com histórias cativantes e momentos de desenvolvimento fidedignas. E isto sem descurar das aulas de Filosofia no que toca à lição sobre o que nos torna verdadeiramente humanos. Les Écorchés consegue a proeza de nos submeter a mais uma dessas inúmeras lições, mas sem olvidar o nível de violência que já se tornou uma imagem de marca da série. E plot twists, sempre abundantes quando possível!

Arrancamos o episódio na linha cronológica atual, com Bernard (Jeffrey Wright) a ser “desmascarado” por Hale (Tessa Thompson), Stubbs (Luke Hemsworth) e Strand (Gustaf Skarsgård). No meio de uma interrogação posterior, somos atirados diretamente para os eventos finais do episódio anterior (podem consultar a nossa crítica aqui): com Dolores (Evan Rachel Wood) e a sua companhia a assaltarem a Mesa; Maeve (Thandie Newton) em fuga dos índios da Ghost Nation juntamente com a sua filha (Jasmyn Rae); e Bernard embrenhado dentro do sistema de backup dos hosts (também conhecido como o Cradle), onde reencontra um velho conhecido do passado.

Quem costuma acompanhar os créditos de abertura da série com atenção (leia-se “os detalhes visuais” e o “elenco secundário”) sabe bem que estamos perante uma verdadeira intriga sempre que o nome de Anthony Hopkins nos é atirado de rompante. E de facto, Robert Ford está de “volta” e dá-no respostas semi-concretas sobre alguns mistérios que têm sido o combustível de inúmeras “teorias da conspiração” que podem encontrar a cliques de distância na Internet, nomeadamente sobre as verdadeiras origens de Bernard ou o verdadeiro intuito de Westworld e restantes parques. No entanto, não esperem por respostas a TODOS os mistérios pendentes (como o Valley Beyond, o verdadeiro endgame de Ford, entre outros); e se calhar, devemos estar contentes por isso mesmo. Apesar de estarmos a três episódios de encerrar mais uma temporada brilhante, é bom sabermos que ainda temos algumas incógnitas para matutar até ao seu season finale. E a julgar pelas circunstâncias exibidas neste episódio, o que nos é dado a parecer é que o “fantasma” de Ford poderá ainda ser uma peça central no desenrolar do enredo.

Para os amantes de ação, Les Écorches também não desiludiu, com uma grande fatia do episódio dedicada ao conflito entre as forças paramilitares de Delos contra Dolores e a sua companhia de hosts “despertos”. Cada momento foi feito a pensar com os hosts numa clara vantagem em relação com os humanos. E vimos isso mesmo nas sequências de tiroteios em corredores escuros, relembrando a tensão e o terror das pérolas da 7ª Arte (nada me tira da cabeça que se inspiraram (in)diretamente em Alien, mas posso estar enganado). Também nos deu o primeiro encontro entre Dolores e Hale, cada uma líder à sua própria maneira, mas com claras diferenças entre estas duas. Sem esquecer a emoção do reencontro entre Dolores e Peter Abernathy (Louis Herthum).

Ainda há uma menção honrosa para a curta aparição de Maeve, que teve direito a lidar com um “demónio do passado”. Nada mais, nada menos, que William (Ed Harris). Esta sequência pode ter sido bastante curta quando comparado com o tempo de antena que Bernard e Dolores tiveram direito, mas temos de tirar o chapéu quanto ao seguinte: deu direito a uma das melhores sequências de tiroteio de Westworld até à data. Vermos um William dominante a passar por um mau bocado graças a Maeve (e às suas capacidades especiais) foi um twist esperado, mas não deixa de ser satisfatório, dado o histórico de violência entre as duas personagens.

Les Écorchés revela-se como mais uma adição essencial nesta temporada de Westworld. Oferece sequências de ação de nos prender aos nossos sofás, responde a alguns mistérios pertinentes, sem esquecer os plot twists chocantes ou lições sobre a tendência da raça humana em desenvolver um God complex. Um episódio que mexe com as nossas emoções, do princípio ao fim.

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Se antes pensávamos que Westworld não se conseguiria auto-superar, eis que este Les Écorchés nos prova do quão enganados estávamos.

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