Cinema Críticas

Crítica: Spirit: Stallion of the Cimarron (2002)

Nome: Spirit: Espírito Selvagem
Título Original: Spirit: Stallion of the Cimarron
Realizador: Kelly AsburyLorna Cook
Elenco: Matt DamonJames CromwellDaniel Studi
Duração:
 83 minutos

Spirit: Stallion of the Cimarron é um filme de animação de 2002, realizado pelos estreantes Kelly Asbury e Lorna Cook. Conta a história de Spirit, um mustangue selvagem que é capturado por humanos e que luta pela sua liberdade, guardando sempre uma réstia de esperança de um dia poder voltar a reunir-se com a sua manada.

A película da Dreamworks é única, reunindo técnicas de animação, enredo e originalidade para se destacar das restantes animações às quais estamos habituados. Muda completamente a forma como vemos um filme e, por alguma razão, passa despercebido aos olhos de muitos. É um filme de animação mais sério do que os restantes do género e que revolucionou a maneira de se contar uma história animada.

Em relação às performances, apesar de serem excelentes, são quase inexistentes. Matt Damon dá voz a Spirit, mas apenas quando a animação não consegue passar a mensagem concreta do que o protagonista está a sentir. As restantes vozes predominantes são as de James Cromwell, que interpreta um Coronel do exército americano, e Daniel Studi, um índio Lakota de nome Little Creek. No entanto, até estas são abafadas pelo encanto revolucionário que é Spirit.

Mas o filme destaca-se das restantes animações pela maneira como narra a história: através da ação. Spirit: Stallion of the Cimarron aposta mais na mensagem visual do que propriamente na transmissão de uma mensagem direta no formato de fala. Pode-se dizer que a película empresta um pouco do estilo de Western, com a narração serena e diálogos curtos e pouco abundantes. Uma saga de filmes que me salta de imediato à cabeça quando penso neste tipo de estilos é Mad Max. A ideia de narração é exatamente a mesma encontrada em Spirit, onde as ações se sobrepõem ao diálogo. Os efeitos visuais do filme são extraordinários e a animação é conseguida com excelência. A ação do filme é tão vertiginosa que quando Spirit corre, seja pelos prados verdejantes, ou pelos desfiladeiros rochosos, parece que estamos a correr com ele. A montagem também é notória, onde a ação se funde lindamente com a banda sonora criada para o filme.

O cantor Bryan Adams canta e encanta na banda sonora do filme, com temas como Here I am, This is where I belong, You can’t take me, entre muitas outras. O artista deposita toda a sua alma e coração nas músicas originais, com uma letra tocante e que refletem perfeitamente os momentos e sentimentos por que Spirit passa. Desde músicas alegres e brincalhonas, desafiantes e empolgantes, até às tristes e melancólicas, Spirit: Stallion of the Cimarron brinca com os sentimentos do espectador, num filme infantil que deixa os adultos em lágrimas.

Juntando-se ao bolo de elogios, está a criação e construção dos personagens. Spirit, o cavalo jovem e desafiante que não se rebaixa a ninguém, vê a sua liberdade posta em causa por pura curiosidade e excesso de confiança. O Coronel, apesar de ser um pouco cliché, não deixa de ser uma figura imponente, cuja personalidade colide de frente com a de Spirit. Também temos Little Creek e Rain, um índio e a sua égua, que libertam e tomam conta do protagonista. São criados laços entre desconhecidos e prestados respeitos a inimigos. A película envolve completamente o espectador a nível emocional com todos estes personagens, e retrata lindamente os sentimentos do mustangue.

O filme toca em pontos cruciais e transmite uma mensagem fortíssima acerca da colonização e da liberdade. Algo que não encontramos em todos os filmes de animação, mais uma vez Spirit inova na mensagem que pretende transmitir, e retrata perfeitamente o que pretende atingir. O choque de culturas é outro aspeto tocado no filme, utilizando o protagonista como uma “ponte” para deliniar as diferenças entre duas civilizações rivais. Os elementos da terra são muito bem explorados no filme e a mensagem ecológica e de liberdade é um dos melhores aspetos do filme.

Spirit: Stallion of the Cimarron é um filme incrível, e um dos melhores de animação que alguma vez assisti. Transmite uma mensagem importantíssima e não muito comum de se encontrar em filmes do género. A banda sonora, aliada à animação, fotografia e ao enredo original, criam uma obra de arte imensurável, digna de lembrança.

Trailer | Spirit: Stallion of the Cimarron

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