Cinema Críticas

Crítica: La La Land (2016)

Título: La La Land: Melodia de Amor
Título Original: La La Land
Realizado por: Damien Chazelle
Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, Callie Hernandez, Jessica Rothe, Sonoya Mizuno, Rosemarie DeWitt, J. K. Simmons, John Legend
Duração: 
128 minutos

SPOILER ALERT!!!!

”Here’s to the fools who dream”. Nem mais. La La Land é para os tolos que sonham, para os amantes de música, romance e drama. Há quem o adore e há quem o odeie. E vocês, leitores, estão prestes a saber em qual destes dois grupos me insiro.

La La Land fala sobretudo de sonhos e dos sacríficios pelos quais muitas vezes temos de passar para que eles se tornem realidade. É um filme que nos traz lembranças de clássicos de Hollywood mas que no final acaba por nos mostrar algo diferente: nem todos os contos de fadas têm um final feliz.

Trata-se de um filme que tem um pouco de muita coisa: comédia, romance, música, dança, drama. Vê-lo foi uma centrifugação de emoções: as suas cores e clima a lembrar os musicais dos anos 50 trouxeram-me alegria, a sua banda sonora encantou-me e o final partiu-me o coração em mil pedaços. Mas não me entendam mal, porque até as partes dramáticas assentam que nem uma luva. Quem diz que só os finais felizes são bonitos?

Sinto-me na obrigação moral de dar destaque à química electrizante entre Emma Stone Ryan Gosling. Já tinha dado pela presença da mesma quando ambos contracenaram em Crazy, Stupid Love mas em La La Land consegue ser ainda mais cativante. Tanto Gosling como Stone já são, só por si, muito bons actores, mas a dinâmica que há entre ambos traz à tona o seu melhor. Aqui, tanto um como o outro revelam ser triple threats: actuam, dançam e cantam na perfeição.

Não é só a representação que é excepcional neste filme. Damien Chazelle realmente deu tudo de si ao realizar La La Land. As danças que vemos ao longo do filme também são um autêntico deleite. Todos os dançarinos se movem numa sintonia perfeita, cada movimento irrepreensivelmente executado em sintonia com a canção em questão. Tudo tão bem arquitectado que até damos por nós a querer dançar com os actores.

Há um aspecto do filme que certamente se destaca, aquele ao qual ninguém consegue ficar indiferente: a música. La La Land é um musical e traz-nos músicas que nos fazem sentir tudo: algumas fazem-nos querer dançar, há aquelas que despertam o sonhador que há em nós, outras que transmitem a emoção de histórias que nunca vivemos e ainda há aquelas desprovidas de voz. Não precisam dela.

São tantas músicas boas que se torna difícil escolher uma só, mas há de facto um tema que merece destaque. A cena em que se insere é tão incrivelmente simples, mas tão poderosa que quase foi o suficiente para Emma Stone ganhar o Óscar. É preciso ser-se muito bom actor para só se precisar de uma câmara e uma música para arrepiar milhões de peles à volta do mundo. Conseguiu-se tanto com tão pouco.

Como em todos os filmes, há uma cena que é ”a cena”. A melhor de todas, aquela que só por si já vale o dinheiro do bilhete de cinema. E, no caso de La La Land é também uma cena que desafia os cânones do cinema, a regra do ”happy ending” que tantos filmes seguem.

O final deste filme ilustra uma realidade: há sonhos que se tornam verdade, mas por vezes há outros que têm de ficar pelo caminho e isso parte-nos o coração de mil maneiras diferentes, deixando-nos a batalhar com a eterna dúvida existencial do ”e se tivesse sido diferente?”, mas deixa-nos também com a segurança de que as memórias que temos dos momentos bons ficam connosco para sempre e isso ninguém nos pode tirar. Estes últimos minutos do filme não têm diálogo, pois Chazelle sabia bem que a música e um sentido olhar seriam muito mais expressivos do que mil palavras. E sabem que mais? La La Land seria muito menos espectacular se tivesse um final feliz.

Já é mais que óbvio que me apaixonei por este filme. Por um lado, suscitou críticas muito positivas, mas há também quem considere que o filme é sobrevalorizado. Eu penso que cada um tem direito à sua própria opinião e que deve apreciá-lo segundo os seus próprios padrões, pois é impossível agradar a gregos e troianos.

Eu gostei imenso e atrevo-me até a dizer que, de todos os filmes que já vi no cinema, este foi um dos que mais valeu o bilhete. É feito de vários pequenos aspectos que em conjunto o tornam num grande filme. Os meus parabéns a Damien Chazelle, que em Whiplash já tinha dado a conhecer a sua mestria enquanto director. Irá La La Land tornar-se num clássico? Não sei. Só sei que será um enorme prazer revê-lo e deixá-lo partir o meu coração em mil pedacinhos novamente.

Trailer | La La Land

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