Dos Quadradinhos à Grande Tela Rubricas

Quando Star Wars já começa a ser demasiado Star Wars…

Star Wars


Esta semana, os cinemas de todo o mundo irão dar as boas-vindas a Solo: A Star Wars Storya mais recente entrada na saga Star Wars, sendo este o 10º filme a estrear nas salas de cinema (e o 4º desde que a Disney adquiriu a Lucasfilm), quase 5 meses após a estreia mundial de Star Wars: The Last Jedi. Com esta pressa toda, até mesmo um fã da saga começa a perguntar-se a si próprio: “será assim tão necessário termos tantos filmes seguidos?”

Existem sempre dois lados da mesma moeda neste caso em particular. Entre 2005 (ano de estreia de Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith) e 2015 (ano de estreia de Star Wars: The Force Awakens) passaram 10 anos desde que tivemos um verdadeiro filme de Star Wars nas nossas televisões (não, a desculpa chamada Star Wars: The Clone Wars, que viria dar origem a uma série de culto para os fãs, não conta!). Portanto, como fã, é compreensível que a Disney esteja a compensar os fãs com estes 10 anos de ausência. Mas será este exagero assim tão necessário como pensamos? Vejamos como é que este renascimento está a ser recebido:

  • Star Wars: The Force Awakens foi aquele regresso pelo qual os fãs estiveram tanto tempo à espera. J.J. Abramscom certeza, fez um ótimo trabalho ao reavivar uma galáxia muito, muito distante de volta às nossas vidas, trazendo os nossos velhos amigos de volta e apresentar um leque de “sangue novo”. No entanto, se há fãs que adoraram este regresso, também há outros que lançam a dura crítica de que este cinge-se pela nostalgia, apontando algumas duras similaridades com Star Wars: Episode IV – A New Hope
  • Rogue One: A Star Wars Story foi o primeiro spin-off oficial da saga, com a ação a decorrer imediatamente antes dos eventos de A New Hope, retratando a batalha árdua de um grupo de Rebeldes com a missão de obterem os planos para a Estrela da Morte. O filme pode ter recebido largos elogios por explorar outra vertente que não inclui os nossos velhos amigos da saga (fora alguns cameos). No entanto, também houve uma grande fatia de fãs que não ficaram claramente agradados com o produto final.
  • Star Wars: The Last Jedi é o mais controverso da nova série de filmes. Por um lado, os fãs gostaram desta vertente mais “artística” da saga, algo que já devíamos estar à espera quando vem das mãos de Rian Johnson, mas outros foram ainda mais duros quando apontaram os dedos à série de plot holes testemunhados, algumas performances desinspiradas (Mark Hamill foi um dos duros críticos do filme, apesar de ter pedido desculpas mais tarde) ou o simples argumento de Star Wars estar a ser Disneyficado.
  • Solo: A Star Wars Story pode ainda não ter estreado junto do público, mas os dramas dos bastidores não pintam exatamente uma boa figura. Inicialmente com Phil Lord e Chris Miller como realizadores, o filme parecia mostrar que os executivos também estavam abertos a novas experiências. No entanto, Lord Miller acabaram por ser dispensados, além de terem contratado Ron Howard para esse mesmo posto. Não querendo falar mal de Howard; este já havia deixado bem patente que, quando assim deseja, consegue fazer verdadeiras obras de arte cinematográficas, mas fica a ideia de que os executivos da Disney procuraram por uma solução mais “segura”.

Há também a questão de tempo. Vejamos as seguintes datas: 1977, 1980 e 1983. Estas são as datas de estreia dos filmes que compõem a trilogia original. 1999, 2002 e 2005 são os anos de estreia da trilogia de prequelas. Notaram algumas  semelhanças? Em cada um dos casos, existe sempre um espaço de 3 anos entre filmes. Ou seja, sempre que tivéssemos um cliffhanger explosivo, e que nos fazia desejar pelo filme a seguir, tínhamos de esperar 3 anos para vermos a sua resolução. Já com a Disney, temos de ficar à espera dos filmes principais de 2 em 2 anos, interrompidos pelos spin-offs lançados ou por lançar. Uma maneira um tanto ou quanto gananciosa porque, se pensarmos bem a fundo no assunto, Star Wars é uma marca. Mas não é uma marca qualquer; é uma marca que vende! Mesmo fazendo filmes que não adicionam nada de novo, parece que existe sempre aquele apelo de se ver os filmes ao cinema só porque é Star Wars! E onde quer que haja um filme de Star Wars, existe também merchandising associado. Bonecos, peluches, jogos, séries televisivas, livros, entre outros; existe sempre uma oportunidade para a Disney continuar a angariar fundos monetários, mesmo que o filme não seja o maior sucesso financeiro.

Isso significa que vamos deixar de comprar os bilhetes e tentar apreciar mais uma história do universo de Star Wars? Claro que não! No entanto, com quatro filmes lançados (2 da linha principal e 2 spin-offs), com mais 1 filme da linha principal, outro spin-off, uma nova trilogia a cargo de Rian Johnson, uma nova série animada, juntamente com a primeira série live-action, a cargo de Jon Favreau, até merecíamos uma breve pausa para respirar, certo?

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