Cinema Críticas

Crítica: Anon (2018)

Anon

Nome: Anon 
Realização: Andrew Niccol
Elenco: Clive Owen, Amanda Seyfried,  Sebastian Pigott, Rachel Roberts,
Duração: 1h40m

 Anon traz-nos o dilema ético sobre os limites de vigilância a que uma sociedade deve sujeitar-se por parte das Corporações do Estado, no sentido de evitar a criminalidade ao máximo. Há quem defenda que a única forma de garantir uma segurança sem vírgulas seja uma vigilância constante. Mas há também quem considere que esse controlo ultrapassa todos os limites éticos, no que diz respeito à privacidade e liberdade das pessoas. E agora? “Quem não deve não teme“, ou temos todos direito a viver longe do olhar curioso das câmaras?

Este é o tópico principal da longa-metragem alemã da Netflix escrito e realizado por Andrew Niccol. Estamos a falar de uma viagem ao futuro, onde os maus da fita não existem. Como?

Porque todos os cidadãos são rigorosamente vigiados através de um sistema de segurança. Tipo “Big Brother“. Doentio, certo?  E a única forma de manipular este sistema é através de comportamentos “hacker“. Não é fácil, mas é por aqui que a história se vai desenrolar.

E é também aqui que entra Clive Owen, um importante detective que se vai encarregar do caso, iniciando-se com crimes de estranhos contornos, nos quais o ponto de vista das vítimas é alterado. É quando se encontra com Amanda Seyfried, uma jovem cheia de mistério que descobre a falha no sistema de segurança e de não-privacidade, e que é responsável pela manipulação de dados confidenciais. Estragando assim aquilo que o governo tanto tempo ambicionou e demorou a construir para aquela sociedade livre de crime.

Ponto um sobre o filme: tudo aquilo que funciona na história acontece de acordo com o ponto de vista das personagens. Tudo, desde o funcionamento dos aparelhos electrónicos, os “IDs” sobre as pessoas, as informações e leituras técnicas de tudo aquilo que surge. E isso divide sempre o público. A meu ver, tornou-se exagerado e sobrecarregou-me. Poderia ter funcionado bem, no peso e medida certos. Deu a sensação que a realização quis enfatizar o controlo do Estado, mostrando a forma doentia como a vigilância das pessoas é feita e como este mundo aprisionado numa câmara funciona. Tudo bem, mas foi demais. E cansou-me “a vista”. É que o espectador é capaz de compreender isso por si…

A única personagem que mereceu a minha atenção foi a de Amanda Seyfried, e penso que, ainda assim, ficou muito aquém do que poderia ter ficado. Mas o próprio guião é preguiçoso, diga-se, e perde uma quantidade incrível de oportunidades para “enfeitiçar” o filme e torná-lo mais interessante, explorando mistérios em torno desta (e de outras) personagens.

Acontece assim mais um filme de ficção científica que rapidamente e certamente cairá no esquecimento.

Trailer – ANON

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