Frame by Frame The Handmaid's Tale TV

The Handmaid’s Tale – 2×05 – Seeds

The Handmaid's Tale

PODE CONTER SPOILERS!

Depois de termos visto no último episódio, June (Elisabeth Moss) ser completamente consumida pelo discurso da Tia Lydia (Ann Dowd) e deixar que a “pessoa” que ela é, ser transformada por Gilead, tornando-se assim Offred. Porque tudo o que aconteceu até aqui foi obra da sua personalidade antes deste regime.

A protagonista apresenta-se agora como uma serva exemplar. Segue as regras, fala apenas o essencial, tendo inclusivé queimado as cartas de ajuda de outras mulheres, que Rita (Amanda Brugel) lhe tinha anteriormente dado. Quase desde o início que vamos tendo indicações que, mesmo se mantendo na linha e estar aparentemente bem, algo corre mal com o bebé que carrega. E começamos logo a sentir a tensão como se da própria nos tratassemos.

Mas a mulher está demasiado apática para tomar alguma atitude. Já não tem forças, perdeu toda e qualquer esperança de que conseguirá acabar com todo aquele sofrimento. A cena na banheira repleta de sangue (a da imagem) é demasiado dura. Na iminência de algo estar mal, seja com ela ou com o feto, é quase sufocante a falta de alguma atitude. E, mais uma vez, vemos aqui um trabalho brilhante de Moss, que consegue dar tudo com um olhar, atraindo a nossa atenção de qualquer maneira.

Nick (Max Minghella) é talvez o único que se apercebe que algo não está bem. Não tanto fisicamente, mas principal na parte mental. Alertando Serena (Yvonne Strahovski) para cuidar de June, apenas consegue piorar tudo. Esta fala com o marido e o Comandante Waterford (Joseph Fiennes) acha que o melhor a fazer para lhe agradecer por tudo que tem feito por aquela família é condecorá-lo. E, somos aqui surpreendidos com outros dos horrores de Gilead: o casamento. Vários homens são contemplados com um matrimónio “arranjado” para premiar as suas boas funções.

Toda esta cena é de partir o coração. A cerimónia em si é assustadora, principalmente pelo facto das noivas serem na sua maioria (ou totalidade) adolescentes ou pré-adultas; as lágrimas nos olhos de June a assistir a tudo são devastadoras e os sorrisos de Serena e de Fred são asquerosos. Estou ansioso para ver mais da Ms. Waterford, porque as ações dela são tão contraditórias que nunca sei se hei-de deixar-me confiar ou continuar a odiar.

É inevitável não nos sentirmos massacrados com certas cenas, às vezes dá mesmo vontade passar diversas cenas à frente por serem tão duras. Então não vemos séries como forma de entretenimento? Para quê estar a sofrer? Porque é necessário. É necessário e devia ser obrigatório vermos The Handmaid’s Tale para nalgum momento do nosso quotidiano e das nossas vida atarefadas, pensarmos no quão próximo isto pode estar da realidade.

As situações que nos custa ver aqui, acontecem muitas delas ao redor do Mundo. Mas como ou são abafadas, ou não fazem parte da nossa realidade, não ligamos. Custa ver isto? Imaginem a vida real. Mas voltando ao episódio…

Temos ainda direito a ver Emily (Alexis Bledel) e Janine (Madeline Brewer) nas Colónias e confesso que todas estas cenas me consegue incomodar mais do que as servas e patroas. Graças à qualidade da realização e da fotografia, é quase possível sentirmos o ambiente que realmente se passa ali. E chega a doer. Aquelas mulheres são escravizadas e lançadas para o lixo quando já não importam, não têm nada a dar ou, inevitavelmente, morrem.

Impossível não esboçar um sorriso a tentar controlar as lágrimas, quando duas das mulheres que ali são tratadas como animais, se casam numa cerimónia simples e extremamente bonita, antes de uma delas falecer.

Para acabar o episódio, vemos Nick encontrar June coberta de sangue no meio dos arbustos. Já no hospital e depois de sabermos que está tudo bem com ela e com o bebé, finalmente surge uma luz ao fundo do túnel. A força que ela tinha parece que continua ali e falando para a criança que carrega, ela promete que irá ficar tudo bem. GO GIRL! 

Leiam o frame by frame do episódio passado, aqui.

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É necessário e devia ser obrigatório vermos The Handmaids Tale para nalgum momento do nosso quotidiano e das nossas vida atarefadas, pensarmos no quão próximo isto pode estar da realidade. Finalmente surge uma luz ao fundo do túnel. A força que ela tinha parece que continua ali e falando para a criança que carrega, ela promete que irá ficar tudo bem. GO GIRL! 

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