Excursões Air Lino Frame by Frame TV

Excursões Air Lino – 1×13 – Lino Vai ao Castigo

lino vai ao castigo

Chegaram ao fim as excursões mais animadas da história da televisão. Excursões Air Lino, um conceito soberbamente alinhavado por Mário Botequilha Filipe Homem Fonseca e com um cast bem apetrechado e encabeçado por Rui Unas Dânia Neto,  terminou.

A viagem foi boa. Talvez neste caso deva falar no plural. As viagens foram boas. Neste breve artigo final sobre a série vou fazer um 2 em 1: analisar o último episódio e tecer alguns comentários finais sobre a série com um todo.

Sobre o episódio “Lino Vai ao Castigo”

Este episódio final foi a cereja no topo do bolo. Frase cliché,  mas a encaixar que nem uma luva.

Em “Lino Vai ao Castigo” acontece quase tudo o que se está à espera. Desde logo o nascimento da filha de Anita (Dânia Neto). Nascida no acolhedor ambiente da carreira, claro, e trazida ao mundo pelo grupo de excursionistas. Como mais poderia ser? Um verdadeiro presépio do turismo sénior.

Durante o episódio, Lino (Rui Unas ) faz algo inesperado que torna o episódio diferente dos outros: decide ser honesto. Isto coloca todo o grupo numa posição delicada e nova. Ninguém sabe lidar com este novo Lino. Ninguém sabe e ninguém quer! Todos querem o Lino trafulha de volta.

E ele volta. Mais trafulha do que nunca. E com uma criança nos braços a quem passar tudo o que sabe no mundo do turismo de terceira idade e na arte impingir bugigangas a pensionistas mais ou menos carenciados.

A viagem devia ser à Pérola do Atlântico. Sim, todos pensavam que iam à Madeira… Mas acontece que Pérola do Atlântico é também o nome de um bar em Lisboa. Foi para lá que o grupo acabou por ir, despedindo-se em festa rija até ao amanhecer.

Como já escrevi,  este foi um episódio final quase perfeito, em que todas as personagens tiveram o seu espaço e a sua oportunidade para brilhar. Todos os arcos foram concluídos de forma sólida e isso coloca um ponto final dourado na série.

Um produto nacional de qualidade

Excursões Air Lino é mais um produto nacional de qualidade. Da realização à interpretação, o balanço é globalmente positivo. Mas o que mais gostava de enaltecer é a escrita. Narrativa bem construída, personagens densas o suficiente para o género que é, e sem buracos, o que é sempre importante. Apenas lamento que o Lino tenha abandonado o seu sonho de ser dono da TAP. Confesso que estive sempre à espera do plot twist que o fizesse chegar lá.

A série serviu para que Dânia Neto me convencesse, já o havia confessado, mas serviu também para solidificar Rui Unas como o canivete suíço que sempre foi. Tudo o que faz, faz bem e, mais importante que isso, sabemos sempre que da próxima vez ainda vai fazer melhor! Nunca tem crédito suficiente. Ninguém faria um Lino tão bom como ele.

A fechar…

…Umas palavras de lamento. Este último episódio foi para o ar quase um mês depois do penúltimo. Adiado por causa futebol, de isto e daquilo… E nem foi caso único. Aconteceu noutros episódios e até com a série 1986 esta semana. Assim a fidelização do público é difícil. É por isto que continuamos a ter séries de enorme qualidade com números de audiência demasiado humildes para justificar renovação. Não é que eu ache que esta série precise de uma nova temporada. Penso que terminou bem e uma nova temporada podia tirar a magia. Mas é hora da RTP repensar a sua posição quanto a estas séries. Talvez não haja espaço para elas na TV no seu paradigma actual. Porque não olhar para o RTP Play como uma alternativa séria?

Até que a coisa melhore, cá ficamos à espera… E que venham mais coisas de qualidade destas. Obrigado pelas viagens.

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