Cinema Críticas

Crítica: Isle of Dogs (2018)

Título orginal: Isle of Dogs

Título: Ilha dos Cães

Realizado por: Wes Anderson

Elenco: Bryan Cranston, Edward Norton, Bill MurrayScarlett JohanssonKoyu Rankin

Duração: 101 min.

Isle of Dogs é um exercício (quase) perfeito. Provocador, imensamente divertido mas também bastante emotivo. Wes Anderson, traz-nos um dos filmes mais humanos da história da animação, destacando o melhor amigo do homem, o cão.

“Whatever happened to man’s best friend?”

Para qualquer aficionado pelos trabalho de Wes Anderson não é novidade saber que os animais são uma presença, quase que, obrigatória nos seus trabalhos (nem que seja para fins sadísticos). Já em 2009, com Fantastic Mr. Fox, podemos assistir a uma família de raposas a protagonizar um destes contos andersonianos… por isso não é loucura se, ao pronunciarmos Isle of Dogs em voz alta repetidamente, começarmos a ouvir uma espécie de I love dogs, intencional.

Num futuro distopiano, uma praga de gripe canina afeta a cidade japonesa de Megasaki levando a que o Presidente Kobayashi exile todos a população canina da cidade para Trash Island. Literalmente, uma ilha coberta por lixo. Como gesto simbólico, o primeiro cão a ser exilado é Spots, que pertence a Atari, o tutelado de 12 anos do presidente.

Apesar da maioria da população de Megasaki se adaptar rapidamente (e curiosamente) a esta nova sociedade, livre de qualquer companhia canina, o jovem Atari recusa-se a aceitar perder o seu fiel amigo. Assim, e num estilo já típico de Anderson (mas inspirado em Antoine de Saint-Exupéry), o pequeno piloto parte à procura de Spots.

Ao chegar a Trash Island, uma matilha de alpha-dogs (se bem que bastante diplomáticos), ajudam Atari, e logo ao início, recebemos o aviso do rafeiro incompreendido, Chief (Bryan Cranston), Eu mordo. E se ele morde, Wes Anderson, morde ainda mais. Isle of dogs não é o típico filme de animação, e percebe-se isso quando num dos momentos iniciais do filme vemos uma orelha a saltar, depois de uma luta entre cães.

Mas se o filme tem estas cenas gráficas, também tem a capacidade de brincar com elas. Todas as lutas são acompanhadas por uma poeirada rodopiante que envolve as personagens enquanto ocasionalmente se destaca um braço ou uma pata, ao estilo das clássicas animações de Tex Avery. Para além disso, há um certo humor negro envolvente que torna todos os momentos mais cruéis menos constrangedores.

De facto, se Wes Anderson já é um ótimo realizador, capaz de brincar com os planos como quer e bem lhe apetece. Portanto, não é de todo estranho pensar que num filme de animação, a sua imaginação se destaque, tornando o impossível, possível.

A animação é fenomenal durante o filme todo, e muitas vezes conta a história quando o diálogo não o permite. A menos que o espetador seja fluente na língua japonesa, há vários momentos em que as personagens dialogam na sua língua materna fazendo com que apenas possamos compreender a situação através da animação. Por outro lado, todos “os latidos dos cães foram traduzidos”. Algumas pessoas poderão ficar incomodadas com isto, mas é um pormenor de excelência que personifica as figuras caninas, e protagonistas do filme, afinal de contas.

Isle of Dogs conta uma história de amizade refletindo várias questões morais e humanas importantes. No final, levanta-se a questão, numa sociedade com cada vez menos valores, não serão as pessoas os verdadeiros animais?

Trailer | Isle of Dogs

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