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Dear White People – Season Finale – 2ª Temporada

dear white people 2

CONTÉM SPOILERS!

Depois de uma primeira temporada de extrema qualidade, Dear White People regressa num clima que potencializa ainda mais as mensagens que tem para nos passar.

O MELHOR

Se a primeira temporada não dá a devida atenção a cada uma das personagens, deixando-nos quase com a sensação que não conhecemos algumas, desta vez não há forma de não gostar de todo o elenco. As personagens menos abordadas na primeira temporada são muito bem exploradas agora e o ritmo é bem pensado em cada episódio. Os episódios de estreia de Dear White People deixavam-me por vezes a perguntar “onde está Sam (Logan Browning) e porque não estamos com ela?”. Neste regresso, todas as personagens já estão estabelecidas como seres interessantes e os episódios beneficiam desse forte ponto de partida.

CoCo (Antoinette Robertson) já é muito mais que uma jovem à procura de atenção, e agora que sabemos disso a série explora a sua personalidade de forma brilhante. O mesmo acontece com Troy (Brandon P Bell) que tem alguns dos melhores momentos da temporada. Joelle (Ashley Blaine Featherson) sai um pouco da sombra de Sam ainda que continue a sentir-se invisível ao lado da amiga. Mas a série nunca desce ao nível de lutas baratas entre as duas. Lida com a situação sempre do ponto de vista de Joelle e deixa que ela sobressaía por mérito próprio. E Reggie (Marque Richardson) começa finalmente a lidar com o trauma da primeira temporada, tornando-o muito mais interessante do que a sua obsessão por Sam na primeira temporada.

A série acaba também por lidar com uma das suas falhas, a necessidade de controlo de Sam. Num dos melhores episódios centrados nela, num diálogo muito bem executado com Gabe (John Patrick Amedori), a personagem deixa cair um pouco a máscara. Por vezes Sam pode ser demasiado, mas em momentos como esses volta a ser extremamente interessante.

Se a primeira temporada de Dear White People foi relevante e tocou exatamente nos pontos necessários no clima social da altura, numa América pós-Trump e infestada de violência policial, a série é absolutamente necessária. A sua mensagem é clara, mas apresenta argumentos de todos os pontos de vista. Por vezes é completamente direta e ataca o cérebro do espectador com diálogos demasiado eloquentes e factuais para serem credíveis numa conversa normal. Outras vezes fá-lo de forma subtil, numa situação típica de qualquer dia-a-dia. É nesse equilíbrio que a série encontra o seu ponto forte e a sua voz.

O PIOR

Lionel (DeRon Horton) é simultaneamente uma das personagens com mais desenvolvimento e uma das que mais estagnou. A série parece dar-lhe mais atenção desta vez, mas usa-o mais para impulsionar o enredo do que para desenvolver a personagem.Como já mencionei, é por vezes difícil assimilar certos diálogos num clima que deveria ser mais casual. Imensas conversas se assemelham a comentários de Facebook, e quase pedem bibliografia no final. No entanto, em Dear White People funciona porque é exatamente esse o objetivo. Divulgar informação por detrás de todas as piadas, de todas as discussões. A própria série se questiona se não será propaganda. Talvez seja, mas é da necessária perante a sociedade em que vivemos.

ESTADO DA SÉRIE: STAND BY

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