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Crítica: Tremors: A Cold Day In Hell

Tremors: A Cold Day In Hell

Título Original:  Tremors: A Cold Day in Hell
Título: Palpitações 6
Realizador: Don Michael Paul
Elenco:  Jamie KennedyTanya van GraanJamie-Lee Money
Duração: 98 minutos

O primeiro Tremors (Palpitações) faz parte das melhores memórias cinematográficas da minha infância. As incontáveis vezes que passou na televisão pública tiveram em mim um espectador relativamente atento. Confesso que para um miúdo que não conhece mais nada, Tremors era e continua a ser um conceito interessante e relativamente bem feito.

Passados 28 anos, o original continua a ser um clássico, à sua maneira e na sua categoria, claro.

Neste período supramencionado, a indústria cinematográfica não seria ela própria se não tivesse feito sequelas em cima de sequelas deste filme que, no início da década de 90, fez cerca $48,572,000 no mundo todo.

É neste contexto que nos chega o sexto capítulo com o título Tremors: A Cold Day in Hell.

Tremors - O Elenco Principal
Tremors – O Elenco Principal
O que muda e o que não muda

Burt Gummer (Michael Gross), o homem que é a “cara” de todos os Tremors até hoje, está numa situação diferente da que estava no 5º capítulo do franchise. A gerir a loja do falecido Chang, uma das estrelas do primeiro filme, e com o IRS à perna. A juntar a isto, a sua relação com o filho mantém-se tensa.

Mas há muita coisa que não mudou em Tremors. A começar pelo próprio protagonista, que continua com um feitio muito próprio, Gummer continua a ser o sobrevivente, conspiracionista e anti-governo que todos conhecem dos capítulos anteriores.

Ainda que Tremors: A Cold Day in Hell não vá às salas de cinema, saiu a 1 de Maio em Blu-ray, DVD e Digital On Demand. São mais 90 minutos de tiros, explosões, caça e matança. Mas não é sempre isto nos filmes do franchise?

Sim. Mas nos primeiros 5 capítulos habituamo-nos a ver os Graboids em climas secos e áridos. Como o próprio título indica, isso muda radicalmente desta vez e vamos até ao à neve no extremo norte do Canadá.

Sobre Tremors: A Cold Day In Hell

Uma equipa de jovens cientistas descobrem acidentalmente Graboids em hibernação no gelo. E tal como os humanos quando acordam, esta bicharada tentacular tem fome ao despertar.

Alguns dos cientistas morrem e os sobreviventes fazem aquilo que todos nós fazemos quando temos uma praga de Graboids no jardim: ligamos ao Gummer! Não é?! Todos temos o número do Gummer, certo? Bem, não interessa, aqueles cientistas tinham-no em speed dial no telefone satélite.

Tremors: A Cold Day In Hell, não é só uma sequência de imagens de Graboids a dizimarem humanos, com aquela ocasional explosão de sangue cor de abóbora. Há alguns momentos de throwback em que Gummer revisita momentos dos filmes anteriores muito por culpa da sua condição patológica que desenvolve ao longo deste filme.

Tremors - Os Graboids
Tremors – Os Graboids
O passado é lembrado

Um dos poucos bons momentos do filme, e em que realmente percebemos que por baixo de tanto tiro, correria e explosões há um enredo a ligar tudo, é quando temos ligações a outros filmes e personagens do passado. Val, personagem interpretado por Kevin Bacon no primeiro filme, tem uma filha que faz parte da equipa de cientistas e tem uma admiração forte por Gummer. Também o filho de Burt Gummer, Travis (Jamie Kennedy), regressa ao franchise. Formam uma dupla pouco ortodoxa, mas muito engraçada. Esse é um outro aspecto a destacar. Este filme, curiosamente e inesperadamente, funciona muito melhor em termos de comicidade do que como terror ou seja lá qual for o género com que isto se identifica por estes dias…

A grande diferença entre este Tremors e os anteriores é que há algo que aconteceu num dos filmes anteriores que volta para assombrar Gummer e influenciar a forma como ele lida com os Graboids de forma definitiva. Não dei spoiler para vos obrigar a ver esta “pérola”.

Conclusão

Em suma, Tremors 6 é mais do mesmo. Ou melhor, é mais do mesmo com algumas melhorias que a tecnologia e os efeitos especiais hoje permitem. Um dos grandes turn downs de ver o Tremors original hoje é ver aquela criatura que não parece nada realista… Com os VFX de hoje teríamos uma coisa como deve de ser. Aqui os Graboids têm um aspecto espectacular.

Fora isso, é mais do mesmo. Sabemos exactamente o que se vai passar. Se forem fãs incondicionais do franchise, isso é bom. Se não forem, ver este filme pode não ser uma grande experiência. Tecnicamente está bem executado. Aqui e ali temos uns planos que são um bocadinho aldrabados em prol de um maior efeito de tensão. O enredo é melhor do que noutros Tremors, pelo simples facto de que estabelece ligações aos filmes anteriores. Mas o facto de ser melhor que os anteriores não faz dele necessariamente bom.

Numa nota final, apenas adiantar que este Tremors parece preparar caminho para uma viragem no franchise. Este filme prepara uma nova geração de “Caçadores de Graboids”, nomeadamente com os filhos de Val e Burt ao comando. Esta malta não sabe quando parar…

Adeptos de acção em catadupa com mais explosões do que nexo narrativo, vão adorar este filme. Quem gostar de uma boa história e bem contada, se calhar é melhor passar

Trailer | Tremors: A Cold Day In Hell

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