3% Mini-Reviews TV TV

3% – Season Finale – 2ª Temporada

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS!!!

A série brasileira 3% regressou para a segunda temporada. Terá o Maralto conquistado? Como se comportaram os personagens ao longo da temporada?

O Melhor:

3% pode não ser uma série extraordinário mas possui alguns aspetos interessantes.

Os episódios conseguem cativar a nossa atenção sempre que se focam no contraste entre a riqueza do Maralto e a pobreza do Continente. Apesar de algumas características não terem sido desenvolvidas da melhor forma, 3% consegue ainda ter alguma criatividade.

Apesar de Michele (Bianca Comparato) ser a protagonista, quem roubou todos os louros na temporada foram Rafael (Rodolfo Valente) e Fernando (Michel Gomes). Os contrastes entre A Causa e o Maralto proporcionaram um desenvolvimento interessante para estes dois: Fernando, que já era alvo do nosso afeto na primeira temporada, revelou ser mais do que apenas um indivíduo frágil, salvando todas as cenas em que aparece; já Rafael, embora o enredo amoroso que lhe foi incutido ter atrasado a sua evolução, ainda conseguiu sobressair.

Conhecermos mais de ambos os locais facilita-nos a visão geral do universo de 3%. A história do próprio Maralto e as iniciativas d’A Causa tornaram-se um aspeto engraçado, na medida em que ficamos finalmente a entender os objetivos de cada um, sejam eles bons ou maus.

O Pior:

No entanto, 3% pecou imenso em desviar-se do rumo que devia ter tomado.

Ao contrário de Rafael e Fernando, todos os restantes personagens tornaram-se desinteressantes e tiveram um desenvolvimento algo megalómano para o meio em que se inserem. Um exemplo prático disto é Michele, cuja conduta nunca foi estável e regular durante toda a temporada (para além das capacidades performativas da própria atriz). Ao lado dela junta-se Vaneza Oliveira, que interpreta Joana, cujo acting não nos conquista em nenhum momento em que entra em cena.

Embora reconheçamos que 3% é uma série com limitações orçamentais e de casting, nada justifica que os próprios atores não se esforcem para superar as suas dificuldades. O elenco pode ser jovem, mas também já ultrapassaram a fase de serem rostos das novelas do seu país: a exigência de contracenarem numa série com o selo Netflix deveria impingir um esforço maior das suas partes.

Outra questão para além do casting é o próprio fluxo de história que nem sempre se manteve constante. O que nos fez agarrar a 3% foi precisamente os desafios que os protagonistas tiveram que passar para alcançar o seu objetivo final; nesta temporada tivemos dilemas desnecessários e que romperam, precisamente, com o que nos fez gostar dela.

Quando a narrativa sofre um golpe de originalidade e, por conseguinte, “destrói” um pouco do seu próprio carisma. Uma prova disto é precisamente o desfecho. Michele e Fernando, num momento de grande relevância parecem ter optado por uma via de maior divisão social do que o próprio Maralto.

O objetivo de 3%, não só procura adequar a sociedade brasileira à sua temática, como também vai buscar inspirações a Hunger Games para o elemento entretenimento. A igualdade de direitos foi sempre a maior motivação para destruir o Maralto e a necessidade de dividir a sociedade em ricos e pobres. O que é que aconteceu agora? Basicamente a série seguiu a opção mais “fácil” em tentar desviar a nossa atenção do “processo” e focar-se na criação de um novo local para a população se enriquecer a si mesma.

Estado da série: STAND-BY

Leiam a nossa Mini-Review da temporada anterior de 3% aqui.

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40%
Average Rating

A série brasileira 3% regressou e, embora tenha tido alguns momentos interessantes, deitou tudo a perder, com performances que deixam a desejar e com um enredo que vai tropeçando até chegar ao seu desfecho.

  • 40%

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