Cinema Críticas

Crítica: Batman Ninja (2018)

Batman Ninja

Nome: Batman Ninja
Realizador: Junpei Mizusaki
Elenco (versão inglesa): Roger Craig SmithTony HaleGrey DeLisleAdam CroasdellTom KennyYuri LowenthalTara StrongFred TatascioreMatthew Yang King
Duração: 
85 minutos

Uma coisa é mais que certa: de todos os heróis da DC ComicsBatman consegue ser um dos mais rentáveis de sempre, além de terem o carimbo de qualidade por parte da comunidade dos críticos. Bandas desenhadas, filmes, séries de televisão, videojogos, é muito raro vermos uma aventura de Batman que fique aquém do esperado. Portanto, seria um tanto ou quanto inevitável que o herói tivesse um dos tratamentos mais bizarros do seu histórico: um filme em formato anime. E é isso mesmo que se obtém neste filme realizado por Junpei Mizusaki (que trabalhou como produtor da série de anime JoJo’s Bizarre Adventure) e com um guião a cargo de Kazuki Nakashima (que escreveu animes como Kill La Kill ou Tengen Toppa Gurren Lagan)!

Esta aventura começa de uma forma familiar, com Batman a tentar impedir mais um crime na sua adorada cidade de Gotham. Desta feita, tenta impedir o novo estratagema de Gorilla Grodd, que constrói a Quake Engine, um aparelho que lhe permite viajar no espaço-tempo. Claro que tudo não corre conforme o previsto e Batman, juntamente com alguns aliados e antagonistas, vê-se transportado para o Japão durante a era feudal. Face a este desafio, e desprovido dos seus recursos do costume, Batman não só tenta lidar com um vasto leque do seu rogues gallery, que tentam obter o controlo sobre o Japão, mas também tentar encontrar uma maneira de voltar a casa.

Sejamos francos, o seu enredo possui alguns elementos familiares para quem segue com afinco o género da ficção científica que envolve temporais: uma pessoa contemporânea perde-se numa nova era que lhe concede uma vibe “peixe-fora-d’água” e que tenta encontrar uma maneira de voltar a casa. É nessa onda familiar em que Batman Ninja se encontra, além de contar com um terceiro ato que pode ser considerado, por muitos, como full-on anime.

Dito isto, é muito raro os guionistas norte-americanos conseguirem fazer justiça ao Cavaleiro das Trevas. Muito menos um guionista japonês. No entanto, e de forma surpreendente, Nakashima conseguiu essa bela proeza. As melhores histórias de Batman são aquelas que colocam o herói sem os recursos habituais e é obrigado a improvisar para tentar salvar o dia, um ideia que não é muito explorada no grande ecrã. E Batman Ninja é uma dessas histórias de sobrevivência e de auto-conhecimento num ambiente desconhecido e desprovido dos recursos habituais.

O filme conta com um vasto elenco de personagens que tanto conhecemos desta mitologia, mas os claros destaques vão, obviamente, para Batman e Joker. Após ter dado a voz ao herói no videojogo Batman: Arkham OriginsRoger Craig Smith regressa ao papel e, de certa maneira, cumpre com os objetivos pretendidos. No entanto, a surpresa do filme vai para Tony Hale como Joker. Claramente, Hale não será propriamente um Mark Hamill, mas o ator não deixa de dar aquele tom sinistro com o qual o personagem se tornou sinónimo.

O que salva logo à vista em Batman Ninja é o estilo de animação. Verdade seja dita, nunca fui grande fã do estilo anime a três dimensões, muito por causa de, muitas das vezes, o filme ou série não conseguir mostrar muito bem as expressões faciais dos personagens, ou mesmo o ritmo frenético das sequências de ação. É nesse campo que o filme acaba por triunfar. Mas não se cinge apenas pelo estilo em 3D, uma vez que o filme também possui alguns momentos representados em duas dimensões.

Sem esquecermos também o design das personagens, que ganham uma nova face graças ao espaço-tempo em que o filme decorre. Mesmo em modo samurai, Batman continua intimidativo e obscuro como de costume. Joker ganha um make-up japonês, mas que continua a saltar à vista entre os demais. Cada um dos personagens presentes do filme ganham um design nipónico que, apesar das claras diferenças, não deixam de mostrar uma certa fidelidade ao que veio anteriormente.

Em suma, Batman Ninja é, além de um filme de uma beleza e fluidez de se ver, revela-se como um poderoso character study que muitos tentaram fazer anteriormente, e muito poucos foram bem sucedidos nessa vertente. Nada mau para uma produção completamente japonesa.

Trailer: Batman Ninja

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