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Homeland – 7×12 – Paean to the People

Paean to the People

Em Moscovo, a missão de Carrie (Claire Danes) e Saul (Mandy Patinkin) continua a não correr como planeado e em Washington, Elizabeth Keane (Elizabeth Marvel) continua a lutar pela sua presidência. Ainda que possa ser resumido em apenas uma frase, Paen to the People fecha a temporada com chave de ouro. E que boa que foi esta temporada de Homeland!

Ainda que algumas análises tenham sido ágeis em achar que este season finale tenha sido feito num tom meio monocórdico, eu sou aquela alma que chegou para discordar. O ponto final na penúltima temporada de Homeland teve de tudo e é, por isso mesmo, rico e completo. Faz o que o season finale de fazer: fechar um capítulo, abrindo já outro.

Análise aos eventos de Paean to the People (contém spoilers)

Homeland pode por vezes perder a noção do realismo, o que é normal por se tratar de ficção (duh!), mas no que toca a demonstrar consequências destes confrontos entre “bons” e “maus” fá-lo muito bem. Relembre-se o que aconteceu no passado com Peter Quinn (Rupert Friend) por exemplo, ou até Brody (Damian Lewis). Homeland provou-nos que nunca há vitórias sem danos colaterais ou baixas de ambos os lados. Essas baixas podem ser metafóricas ou não, dependendo do contexto.

De Moscovo para Capitol Hill

O episódio pode facilmente ser dividido em duas partes: a extracção de Simone Martin (Sandrine Holt) de Moscovo e depois as consequências do seu depoimento em Capitol Hill.

Na altura mais tensa do episódio, quando Saul está quase a sair de Moscovo, mas fica barrado no aeroporto, só Warner (Beau Bridges), o Vice Presidente que assumira a presidência depois de destituir Keane, o podia salvar. Com o embaixador russo na sala e com Paley a tentar “queimar” Saul, Warner decide defender Saul e diz a Paley (Dylan Baker): “Get the fuck out of my White House.”. E é com esta frase a ecoar na minha mente, que Saul, Simone e o resto da equipa levantam voo. Do outro lado da cidade, Carrie era apanhada. E esmurrada por um Yevgeny (Costa Roninfrustrado.

A missão de Saul passa por contratempos (mais contratempos) mas, no final do dia, Simone Martin acaba em solo americano a contar todo o plano russo para minar a administração americana. Isto pode ser considerado como uma vitória para Saul e para a Presidente. Mas a que preço? E terá o plano russo falhado mesmo?

Os russos falharam mesmo?

Na sua essência, não diria que tenha falhado. Na realidade acredito que acabou mesmo por ser relativamente bem sucedido. Ainda que tenha sido tudo descoberto e revelado à opinião pública, Keane acaba por perceber que existem fissuras entre os organismos a que preside que foram aprofundadas pelos russos. Essas brechas nunca podem ser fechadas enquanto ela estiver no poder. Assim, decide terminar com a presidência pela qual lutou durante a temporada anterior e 11 episódios e meio desta. Neste episódio, vemos como ela consegue ser restituída como presidente, apenas para mais tarde decidir que o melhor é ceder o lugar ao seu número 2.

Por falar em danos colaterais, Carrie Mathison acaba por ser sacrificada na missão de Moscovo. Para dar tempo à equipa de Saul para fugirem, Carrie acaba nas mãos de Yevgeny e, pelo que é perceptível na última cena, enlouquece. Fica no ar a questão sobre qual será o estado de Carrie na próxima temporada.

Estas duas mulheres perderam muito. Uma o poder que conseguiu de forma meritória e justa. A outra a sanidade mental e talvez a família, uma vez que este episódio cobre um espaço temporal de cerca de 7 meses, durante o qual não aparece Frannie nenhuma vez.

Por isso, fica a questão novamente: os bons ganharam, mas a que preço?

Carrie detida em Moscovo
Carrie detida em Moscovo

Conclusão

Não me canso de enaltecer a qualidade do episódio. Acontece mais em cada episódio de Homeland do que em temporadas inteiras de algumas séries. Não vou citar nomes… Todos sabem de qual estou a falar. É interessante ver aqui o desfecho de alguns arcos, como o de Paley, que acaba vítima do seu próprio plano e a quem acontece tudo o que de mal se pode desejar a este antagonista, e até de Ralph Warner, o vice presidente que se torna um aliado inesperado de Saul e Keane quando tinha nas mãos a oportunidade para dar a machadada final.

Ainda que estejamos com apenas uma temporada para a acabar, não acredito que tenhamos visto Yevgeny pela última vez. Este agente está ao nível de Saul e Carrie e seria interessante vê-los frente a frente novamente.

Que venha a última temporada para fechar os restantes capítulos e que seja pelo menos tão boa como esta.

Notas finais

  • Um misterioso prisioneiro, de nome Gorin, é usado como troca por Carrie. Todos os personagens envolvidos nos dão a entender que Gorin é um activo valioso para a Rússia. Talvez venha a ter um papel de relevo na próxima temporada.
  • Warner deverá voltar como presidente na próxima temporada. Espero bem que sim. Beau Bridges é um grande actor e a personagem surpreendeu-me muito neste último eposódio.
  • No geral, foi uma temporada muito sólida. Pode ter tido alguns episódios mais mornos, mas teve picos muitíssimo altos. Tem o mérito de ter pegado em alguns pontos daquilo que se passa na geopolítica actual e partido daí para uma narrativa muito bem feita.
  • As performances dos actores foram fantásticas. Todos sentimos falta de Ruper Friend, claro, mas Costa Ronin, Linus Roache e Morgan Spector estiveram à altura.
  • Quem foi para vocês o MVP da temporada?!
  • O que esperam que vá acontecer na última temporada?! Como deverá terminar tudo?!

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