Cinema Críticas

Crítica: Captain Fantastic (2016)

Nome: Capitão Fantástico
Título Original: Captain Fantastic
Realizador: Matt Ross
Elenco: Viggo MortensenGeorge MacKayNicholas HamiltonAnnalise BassoFrank Langella
Duração:
 118 minutos

Captain Fantastic é um drama indie que segue a vida de Ben Cash (interpretado por Viggo Mortensen) enquanto este tenta criar os seus seis filhos numa floresta, longe da sociedade. Após a descoberta da morte da sua mãe, a família embarca numa road trip até ao local onde se irá realizar o seu funeral.

Captain Fantastic é um filme invulgar, que aborda a temática da família de uma maneira interessante e diferente: apesar de viverem no meio da floresta, vemos que todas as crianças são alegres, bem educadas e partilham laços de sangue fortes, tanto com os seus irmãos como com os seus pais. É impossível assistir a este filme sem um constante sorriso na cara. É claro que todo este crédito, apesar de pertencer a todo o elenco e equipa, vai um pouco mais para Viggo Mortensen, sendo este que carrega o filme desde o início. Ben ensina os seus filhos a caçar, a cultivar e a apanhar a sua própria comida e, apesar de viverem afastados da sociedade, ensina os seus filhos matérias escolares e entretém os mesmos com variadas atividades. Apesar de um regime restrito, notamos que se importa com eles, e que para si são o que de mais precioso há no mundo. Viggo tem uma prestação fenomenal, fazendo com que o espectador crie uma ligação de empatia com o personagem, torcendo sempre para que este consiga ser feliz apesar das adversidades por que passa. Este desempenho do ator levou-o a ser nomeado para a categoria de Melhor Ator pela Academia (o qual merecia ter ganho).

O restante elenco é também uma adição incrível à película, especialmente George MacKay e Nicholas Hamilton, que interpretam Bodevan e Rellian respetivamente. Bodevan, o irmão mais velho e mais responsável, não possui qualquer tipo de habilidades de interação com pessoas da sociedade atual, especialmente raparigas. É um sonho seu poder entrar numa universidade e estudar algo para além daquilo que o pai lhe ensina. Rellian é um rapaz mais rebelde, que sente que a culpa da morte da mãe pertence a Ben. Ao longo do filme assistimos a dramas familiares que são intensos e nos partem o coração em mil pedaços, mas, no entanto, não conseguimos acabar de ver o filme sem lágrimas de alegria e um enorme sorriso na cara.

O enredo, apesar de parecer comum, aposta muito em momentos pessoais e familiares. Aborda situações do dia-a-dia de maneira diferente e agarra o espectador do início ao fim. É muito bem construido em redor de Ben (e da sua restante família) e faz-nos acompanhar o seu arco e a sua história. A banda sonora também é de se levantar o chapéu. É pertinente e dá um tom mais alegre ao filme, especialmente o cover final de Sweet Child O’Mine, numa cena repleta de emoções que, no entanto, é uma das mais alegres no filme.

Captain Fantastic é, à primeira vista, a viagem da família Cash por estradas americanas. No entanto, o filme é realmente a viagem emocional de todos os membros da família, tanto de Ben como dos seus seis filhos. Ao longo do seu percurso todos os personagens se apercebem do que realmente querem, especialmente o personagem de Ben, que no final toma um rumo diferente ao que nos é apresentado no resto do filme. No fundo, trata-se de um pai que ama e cria os seus seis filhos de uma forma extritamente rigorosa e que se vê obrigado a abandonar o seu pequeno paraíso para lidar com o mundo exterior, desafiando a sua ideia do que significa ser pai. Captain Fantastic exulta de todas as maneiras possíveis, com Viggo Mortensen a ter uma performance formidável, e não deixa de ser um filme divertido e alegre que nos deixa em lágrimas.

Trailer | Captain Fantastic

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