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The Handmaid’s Tale – 2×01/02 – June/Unwomen

The Handmaid's Tale

PODE CONTER SPOILERS!

Depois de cerca de um ano em espera pela nova temporada, eis que esta chegou e em dose dupla. A história tem como ponto de partida o exato momento em que nos deixou no ano passado: June (Elisabeth Moss) é levada e ficamos na expetativa para saber se aquele seria o seu escape ou apenas outro caminho para o inferno.

Sem diálogo, com a câmara a fazer um trabalho incrível, apenas focada no trajeto, na chegada e nas expressões de horror, tão dolorosas, que não nos deixam fugir o olhar, as Servas são levadas para um campo aberto, um estádio de futebol (outrora dos Boston Red Sox, mostrando aquilo que os Estados Unidos se transformaram) e aí são torturadas física e psicologicamente, tudo por terem desobedecido às ordens da Tia Lydia (Ann Dowd). Esta sequência é do mais dura que pode haver, onde o foco são os olhares de medo, os gemidos de dor e até onde vai a crueldade humana.

Moss e Dowd estão maravilhosas e as cenas entre as duas, depois desta última descobrir que a outra está grávida, são soberbas. A qualidade das interpretações é acima da média e não há um único ponto (ou ator) a apontar neste campo. Também os flashbacks assumem um papel extremamente importante, não só para nos aproximar da nossa realidade e fazer-nos questionar o futuro, mas também para saber como era tudo antes, para nos situar na história e perceber que de um momento para o outro, tudo mudou.

Para nos fazer encher o coração de esperanca e com ajuda de Nick (Max Minghella), June consegue escapar da clínica onde se encontra para ver o bebé e é levada não se sabe bem para onde, de forma a esconder-se. É aqui, nos minutos finais, que temos direito a uma das mais extraordinárias cenas que a série já nos trouxe: a protagonista queima a sua roupa de Serva, corta o cabelo e também pedaço da orelha, de maneira a tirar tudo o que Gilead poderia ter deixado em si.

“My name is June Osborne. I’m from Brooklyn, Massachusetts. I am 34 years old. I stand 5’3″ in bare feet. I weight 120 pounds. I have viable ovaries. I’m five weeks pregnant. I am… free.”

O segundo episódio continua a mostrar-nos Offred, com esta a viver numa espécie de armazém mas a figura principal é sem dúvida Emily (Alexis Bledel). Atualmente nas colónias a trabalhar arduamente e nas piores condições, assume o papel de enfermeira das suas colegas e o seu olhar transmite força, acima do desespero.

É graças aos flashbacks que entramos mais a fundo na vida desta mulher e olhamos para a sua vida antes da guerra. Professora universitária, aconselhada a esconder a sua homossexualidade e depois obrigada a fugir com a mulher e o filho, isso não acaba por acontecer, ficando retida enquanto a sua família parte. O que aconteceu a partir daqui já é quase tudo do nosso conhecimento.

O cenário atual é devastador. As colónias remetem-nos de imediato para os campos de concentração nazi e o que me impressiou foram os cavalos com máscaras, para se protegerem do ar poluído, enquanto as escravas estão desprotegidas. Tudo tem mais valor que a mulher. É neste plot que temos direito a uma grande surpresa: Marisa Tomei. No papel da ex-mulher de um Comandante, é levada para lá depois de cometer o “pecado da carne” como a própria diz.

Se Emily a ajuda perante a frieza e ataques das outras companheiras, depressa muda de ideias quando se percebe aquilo que ela fez com outras mulheres no passado, trazendo-nos um final chocante e inesperado. Tanto Tomei como Bledel são supremas nas performances e, tal com referi em cima, é dos pontos mais fortes que a série tem (aliado a todos os outros).

A Hulu não brinca em serviço e se a primeira temporada já tinha sido incrivel, esta parece que irá superar. Os planos são grandiosos, a realização sabe exatamente o que tem de mostrar e focar, os textos são divinos e a fotografia é assustadora, envolvente e remete-nos de imediato para aquele ambiente e locais. A trama consegue incomodar não só pelo que vemos, mas também pelo que imaginamos que pode acontecer, visto não estar assim tão distante da nossa realidade quanto isso. As expetativas estão em alta e tenho a certeza que será sempre a melhorar!

p.s: No final temos ainda outra coisa para encher o nosso coração: Janine (Madeline Brewer) está de volta, ainda que nas colónias e o abraço de segundos com a sua amiga é do melhor que podemos retirar destes episódios.

Blessed be the fruit.

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Os planos são grandiosos, a realização sabe exatamente o que tem de mostrar e focar, os textos são divinos e a fotografia é assustadora, envolvente e remete-nos de imediato para aquele ambiente e locais.

  • The Handmaids Tale - 2x01 - June
    95%
  • The Handmaids Tale - 2x02 - Unwomen
    91%

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