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Homeland – 7×11 – All In

All In

Com apenas um episódio para o final, “All In” deixa-nos ansiosamente a contar os dias para o desfecho da penúltima temporada de Homeland.

O nome do episódio, “All In” diz muito sobre o conteúdo e a narrativa do mesmo: Homeland põe “carne toda no assador” nesta fase final decisiva. Mas passemos à análise, sem mais rodeios

Segue-se spoilers

Sobre “All In”

A missão de Saul (Mandy Patinkin) recebeu luz verde e a comitiva diplomática chega à Rússia. Claro que por trás daquela comitiva há um objectivo oculto: recuperar Simone Martin (Sandrine Holt). À vista de todos, decorrem conversações entre os dois corpos diplomáticos. O objectivo dos americanos é trazer Yevgeny (Costa Ronin) para a mesa, afastando-o de Simone e então a equipa de Carrie (Claire Danes) entra em acção. No entanto, em Washington as jogadas de bastidores continuam e o embaixador russo acaba notificado das intenções de Saul e a equipa de Carrie é emboscada sofrendo uma baixa e falhando a extracção de Simone.

Keane caiu.

Em Washington o cerco aperta-se em torno de Keane (Elizabeth Marvel). Mecanismos legais são postos em andamento para que a cabeça da administração caia, o que acaba mesmo por acontecer. Sem Keane na presidência o cargo de Saul é irrelevante e a sua posição de negociação em Moscovo é agora nula.

Saul vê-se assim obrigado a ceder totalmente e optar pelo regresso a casa sem o objectivo cumprido. Mas Carrie tem outras ideias. Recusando-se a desistir, convece Saul a uma última jogada: tentar lançar diferentes departamentos dos serviços russos uns contra os outros.

Em suma, Saul acaba por chantagiar um dos líderes do corpo russo, recorrendo à sua equipa nos Estados Unidos. O General Yakushin (Misha Kuznetsov), encostado à parede, lança assim os seus homens numa caça por Simone Martin com tiros e buscas na capital russa.

No meio do caos, Carrie acaba por ela própria extrair Simone, mesmo debaixo das barbas de Yevgeny. Mas isto ainda foi só metade do trabalho… O resto veremos para a semana!

Análise a “All In”

Aconteceu muita coisa neste episódio, quase todas elas muito bem feitas. Começando pela acção, todo o episódio é pleno de adrenalina. Sejam as fases de combate ou as de negociação. Homeland tem, desde o seu início, esse mérito de fazer transpirar tensão quer numas, quer noutras com igual facilidade. Penso que todos concordam que é mais fácil provocar tensão numa cena de combate do que numa negociação verbal entre duas partes. No segundo caso é muito trabalho de edição. Os planos certos, nos timings certos, e o diálogo é um trunfo. Felizmente, os técnicos e os actores de Homeland têm o talento necessário. A todo o momento sentimos que estamos a ver um verdadeiro jogo de xadrez humano, e nunca sabemos para que lado irá pender a vitória. Homeland habituou-nos a uma imprevisibilidade cada vez mais rara nas séries de hoje

As cenas finais, da invasão ao reduto onde Yevgeny escondeu Simone, são intensas e é nessas que Claire Danes acaba por brilhar sempre. Sobretudo no diálogo com Simone onde consegue convencê-la que as coisas não vão acabar como esta pensa. Carrie tem experiência própria para falar. Aconteceu com ela um sem fim de vezes nas 7 temporadas até à data,

Detalhes negativos

Uma coisa que me desagradou neste episódio foi o facto de ter sido dada a sensação de que a situação actual em Washington é menos importante do que o que se passa em Moscovo. Numa análise mais realista, não é. A presidência mudou. Na prática estas acções de Saul e Carrie podem não ter qualquer legitimidade ou até aceitação por parte do novo presidente. Mas penso que esse será o tema do episódio final

Outra situação prende-se com um detalhe relacionado com o local das filmagens. As cenas de Moscovo foram realizadas na Hungria. Os mais atentos puderam ver que a maioria dos carros usados nas cenas finais tem matrícula húngara. Pode parecer picuinhas da minha parte, mas ver tropas russas transportadas em carrinhas húngaras… Corta um bocadinho a legitimidade.

Conclusão

Este foi talvez o melhor episódio de Homeland. Muita acção, toda ela com consequências directas na narrativa, e começamos a ver finalmente o payoff do arco a materializar-se. Um episódio que mantém o espectador preso durante toda a duração. É o que se quer nesta fase da temporada e não ter um penúltimo episódio que é um filler e depois tudo acontece no fim. Bem jogado. É a estratégia correcta. O entusiasmo está ao rubro.

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