Cinema Críticas

Crítica: The Last Movie Star

the last movie star

Título original: The Last Movie Star.

Título: The Last Movie Star.

Realizado por:  Adam Rifkin.

Elenco:  Burt ReynoldsAriel WinterClark Duke.

Duração: 94 min.

Uma ex-estrela de cinema forçada a interiorizar a ideia de que os seus tempos de glória passaram. À primeira vista, The Last Movie Star, é uma história sobre o passar do tempo. Mas em última análise, é uma gigante lição sobre o que é envelhecer.

The Last Movie Star é um daqueles filmes que aparece de vez em quando. É bom em tudo, sem deslumbrar em nada, e tem uma particularidade cada vez mais rara e, mais triste do que isso, cada vez menos apreciada pelo público: é profundo e deixa-nos a pensar.

Sejamos francos: para as massas, o cinema é cada vez mais efeitos especiais, explosões e os bons actores são os que trabalham nos blockbusters. Fast food para os olhos, se quiserem. Mas quase nunca Brain Food. O bonito da coisa, é que nem sequer é errado estar incluído nesse grupo. Há espaço para tudo e a subjectividade desta arte, em conjunto com a minha capacidade de viver em sociedade, permite-me respeitar perfeitamente isso e as pessoas que preferem esse tipo de produto. O que me deixa menos satisfeito é que essa mentalidade impeça muita gente de olhar para filmes como The Last Movie Star e ver neles alguma qualidade ou pura simplesmente vê-los de todo.

A história (sem spoilers)

O filme conta a história de Vic Edwards (Burt Reynolds), um galã de Hollywood dos anos 70, cujo tempo de glória passou. Vive agora só e sossegado. Vic recebe uma carta do International Nashville Film Festival, no seu estado natal, que decidiu atribui-lhe o Lifetime Achievement Award.

Inicialmente reticente, Vic deixa-se convencer pelo amigo Sonny (Chevy Chase), e parte de Los Angeles para Nashville com expectativas talvez demasiado altas. A organização do festival recebe-o como pode e é aí que começam as peripécias. O International Nashville Film Festival é organizado por Doug McDougal (Clark Duke), Shane McAvoy (Ellar Coltrane) e Stuart Muckler (Al-Jaleel Knox) e carece das condições mínimas.

Este é o ponto de partida para uma viagem mais emocional de Vic e da sua assistente Lil McDougal (Ariel Winter), designada pela organização do festival, através daquilo que é o passado e as origens do actor com ligação directa à vida da jovem que o acompanha.

Em vários momentos do filme, Lil aprende muito com Vic e este tenta corrigir-lhe a sua trajectória. Vic vai mostrando que, apesar de tudo, aprendeu com os seus erros. Esta viagem é um momento para encontrar a sua paz.

Breve Análise

Em termos técnicos, não há nada de especial a apontar. Tem uma estética interessante e uma fotografia muito agradável. Mais uma vez, não deslumbra, mas funciona. Em termos de linguagem é muito leve e muito directo. Usa alguns truques de edição que funcionam muito bem, como transições rápidas intercaladas com outras mais lentas para mostrar a monotonia da rotina de Vic, por exemplo.

Há também momentos no filme em que Vic jovem e Vic velho interagem um com o outro, com este último a alertar o primeiro para as más escolhas. Momentos surreais que ajudam a transmitir a mensagem principal do filme: o que aprendemos com a idade. São estes momentos em que o personagem sai dele próprio, digamos, que são usados pela narrativa para nos mostrar o real sentimento de Vic com as escolhas que fez. E é também assim que vamos conhecendo melhor o personagem. É o cinema. Não precisamos que nos digam como foi. Basta que nos mostrem alguns sinais e nos deixem imaginar.

O elenco é bem construído e a dupla Burt/Ariel tem um desempenho excepcional. Fazendo um bom contraste entre a larga experiência de um e a mais curta da outra. Não desfazendo o primeiro, Ariel Winter vai deixando transparecer que é muito multifacetada e isso pode ser a pedra basilar de uma longa e bem sucedida carreira.

Ariel Winter e Burt Reynolds
Ariel Winter e Burt Reynolds

De uma forma geral, a narrativa principal é boa e consistente. Mas as secundárias deixam transparecer algumas debilidades. Não temos grandes backstories sobre os personagens secundários, à excepção de Lil.

Mensagem

Alguns filmes provam que esta arte é de facto mais simples do que pode parecer. Sigam-se as regras, quebrem-se algumas e que se filme com o coração. E para o coração. Muitas vezes basta isso. Ver este filme fez-me pensar sobre vários aspectos da vida e da sociedade. Um filme com este poder, nos dias que correm, tem de ser especial. A maior parte dos filmes que vemos são de consumo imediato. Este é daqueles que impactam o momento e nos dias seguintes ainda nos vão na mente.

Paralelismo entre Burt Reynolds e Vic Edwards

The Last Movie Star pode ser visto como um paralelo com a vida e carreira do próprio Burt Reynolds. Durante o filme passam vários trechos de filmes do passado de Burt, em que o actor era jovem. Em décadas passadas, Burt foi um galã de cinema tal como Vic. Além disso, a arrogância de Vic encontrava paralelo na de Burt. Alegadamente, claro.

Festivais

O filme estreou no conhecido Tribeca Film Festival, onde foi bem recebido de uma forma geral. Depois passou ainda pelo Nantucket Film Festival, San Diego International Film Festival, Key West Film Festival e ainda o Palm Springs International Film Festival. De todos, o maior destaque foi dado em San Diego, onde o realizador Adam Rifkin e o próprio filme receberam o Chairman’s Award.

Trailer | The Last Movie Star

Comments