Lost in Space Mini-Reviews TV TV

Lost in Space – Season Finale – 1ª Temporada

Lost in Space

Apesar de não partilhar da mesma popularidade que, digamos, Star Treka verdade é que Lost in Space gozou de uma popularidade que lhe valeu três temporadas e um estatuto de culto dos fãs de ficção científica. No entanto, também deu origem a um filme dos anos 90 que ficou duramente aquém do desejado e a um piloto de John Woo que foi descartado em 2003. Numa era televisiva em que algumas obras televisivas atuais são, na verdade, remakes, reboots ou re-imaginações de propriedades antigas, Lost in Space não estava exatamente no topo de prioridades dos fãs. Apesar disso, foi exatamente isso que a Netflix, juntamente com os criadores Matt Sazama e Burk Sharpless (que estiveram a cargo do guião de Power Rangers), decidiu criar, tendo a sua estreia há uma semana atrás.

O MELHOR

Antes de alongarmos nos pormenores, eis um breve sumário: num futuro próximo, o nosso planeta torna-se inabitável a longo prazo. Para combater uma possível extinção, as mentes brilhantes unem esforços para colocarem um plano de colonização para Alfa Centauri. No entanto, um acidente nessa rota faz com que o 24ª Grupo de Colonos se despenhe num planeta não explorado. E é nesse grupo que encontramos a família principal: os Robinsons.

O que salta mais à vista na série são os seus efeitos visuais. E o que se pode dizer é que esta nova versão de Lost in Space prometeu – e cumpriu – uma vertente técnica ambiciosa. O planeta onde a série toma lugar tem um misto de beleza (seja pelas paisagens práticas ou flora por efeitos de computador) e de perigo (a fauna que se assume como os verdadeiros predadores da série).

Uma coisa é certa: as propriedades anteriores correspondiam à época em que foram lançadas. Por exemplo, a série original dos anos 60 tinha um John Robinson no centro das atenções, ao passo o filme dos anos 90 colocou todos os membros dos Robinsons como verdadeiros génios. No entanto, para esta nova versão, seria mais que obrigatório que tivéssemos uma família que correspondesse a esta era moderna. E de certa forma, a série conseguiu fazer uma distinção palpável entre cada um dos membros. Vamos por partes: John (Toby Stephens) é um veterano da Marinha que valorizou a sua carreira militar do que propriamente a sua responsabilidade como marido e pai de três filhos; Maureen (Molly Parker) é uma engenheira espacial e a líder da família; Judy (Taylor Russell), a filha mais velha, logo, a mais responsável, mas também a mais altruísta; Penny (Mina Sundwall), a filha do meio, aspirante a escritora (e dotada de uma língua bem afiada); e Will (Maxwell Jenkins), o mais novo com muito para provar e a representação humana da inocência juvenil. Com um grupo tão diverso, seria de esperar que, ao longo do curso da série, estes começassem a criar elos mais definidos entre eles.

Falando em elos definidos, há que mencionar outra parte essencial dos Robinsons: o Robô (Brian Steele). Ao contrário das outras versões, em que o Robô era concebido por humanos e para humanos, este Robô ganha uma backstory e um design mais ligado a uma componente alienígena. E é a sua ligação adorável com o jovem Will que a série merece os seus pontos positivos.

No entanto…

O PIOR

Nem tudo em Lost in Space funciona às mil maravilhas. Os Robinsons ganham o destaque por próprio mérito. Isto leva a que os restantes personagens sofram com essa causa. Don West (Ignacio Serricchio) é o mais próximo que a série terá de um Han Solo: um contrabandista que se importa com o dinheiro numa primeira aparência, mas que revela uma certa humanidade de vez em quando. Esta complexidade é sempre bem-vinda, não fosse estarmos a ver a mesma transição episódio atrás de episódio. Até os vários sobreviventes do 24º Grupo de Colonos revelam-se como unidimensionais.

Mas o maior insulto reside nesta versão de Dr. Smith (desta vez interpretado por uma mulher, Parker Posey). Sim, esta personagem é motivada pela sua própria auto-preservação, o que, segundo a norma, a torna numa ameaça ainda mais imprevisível. Manipuladora até ao último minuto, esta nova versão de um velho antagonista dos Robinsons tinha tudo para ser uma vilã complexa; no entanto, chega a um certo ponto em que esta revela as suas verdadeiras cores e intenções um tanto ou quanto datadas, por maiores que sejam os esforços de Posey.

Outro fator que não abona a favor da série é a sua “familiaridade”. Vivemos numa era em que o género da ficção científica planeia ir ainda mais longe no que se toca às mensagens que permite transmitir. E estes revelam-se como uma boa fonte de intriga que nos levam a matutar e a tentar com que cheguemos às nossas próprias conclusões (Westworld é um desses casos). No entanto, fica a sensação de que a rota tomada nestes 10 episódios tiveram uma certa “segurança”, tocando em temáticas já tão familiares do público.

Ainda que não tenha sido renovada oficialmente, os produtores de Lost in Space revelaram já estarem a colocar algumas ideias para uma possível segunda temporada. E considerando o cliffhanger da season finale, quem sabe o que reserva o futuro dos Robinsons?

Estado da série: STAND-BY

0 74 100 1
74%
Average Rating

Lost in Space revela-se como uma boa receita para um serão familiar. Pena que não consiga ser muito mais do que isso.

  • 74%

Comments