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The Walking Dead – 8×16 – Wrath

Depois de uma boa recuperação ao longo desta segunda metade de temporada, The Walking Dead não conseguiu fazer jus ao nível que atingiu, mas também não voltou ao ponto de partida.
Não foi bom, não foi mau, foi satisfatório.

Chegou o dia D, em que ou são todos Negan ou são todos Rick. Após uma espiral descendente de decisões baseadas numa informação falsa de Dwight, Rick e companhia parecem ter perdido. No entanto, Eugene guardou uma na manga para dar a volta ao jogo. Não foi previsível, não foi forçado, foi engenhoso!

Eugene não é uma “pessoa de pessoas”, mas neste fim de temporada, provou que consegue ler bem quem o rodeia e jogar com isso. Eugene garantiu que Negan disparava a pistola com balas bem feitas e conquistou assim a sua confiança. Eugene sabia que Negan era a pessoa ideal para não voltar a disparar até ao momento em que era estritamente necessário (Lucile Lover). Eugene também sabia que eram todos Negan, logo só iam disparar quando Negan dissesse para o fazerem. Por fim, Eugene sabia que apesar de ter feito um novo batch de munições funcionais (supostamente), os Saviors já tinham o trauma de ficaram despidos de munições, logo, ainda que tivessem vontade de disparatar sem ordens de Negan, não o iam fazer, por consciencialização.

Noutro canto do episódio tivemos Oceanside foi até hoje uma narrativa inútil e continuo a defender que o continua a ser. Na altura em que poderiam ter-se tornado interessantes e importantes, ficaram de parte.
Neste episódio apareceram para dar o ar da sua graça de forma heróica, quando nem eram precisas. Se foi cool? Foi. Badass como o caraças e justiça poética à mistura, mas… Previsível.

Isto porque depois de tantas pontas soltas, era de esperar que as fossem atar e fazer tudo acabar por ter sentido, mas Oceanside continua a ser inútil e dispensável. Essa narrativa parece mais um filler para percebermos a desconfiança de Negan com Simon, bem como o perfil de Simon.

Uma ponta solta que teve mais impacto, foi Rick junto aos vitrais coloridos nos momentos finais. Coisa que apareceu antes, mas nada faria adivinhar em que contexto ia acontecer.

Em simultâneo com assim, assistimos à reciclagem que vão começar a fazer com Negan. pode ter tanto de interessante, como de desastroso.
Negan foi sem dúvida das melhores personagens que The Walking Dead teve (desde sempre) e ainda assim só foi uma personagem semi-recorrente, quando deveria ter sido a personagem principal. Papel da vida de Jeffrey Dean Morgan, pouco valorizado e desenvolvido na série!

Agora falando de coisas que vieram realmente prejudicar o episódio e podem muito bem vir a prejudicar a série. A Revolta de Maggie com o apoio de Jesus e Daryl.
Uma tripla improvável, mas acima de tudo incompreensível.
-Jesus sempre foi a personagem que defendia a vida humana e que todos mereciam uma segunda oportunidade. Não só educou pessoas moralmente como serviu de exemplo. Agora no final aparece como vilão (com um sorriso maléfico) apoiando o plano de Maggie de começar uma guerra interna? Get the hell out!
-Darryl já tinha provado não ser a pessoa mais inteligente do rooster. Nomeadamente quando fez asneira ao decidir, com a ajuda de Michonne e companhia, ir contra o plano de Rick e enfiar o camião dentro do armazém dos Saviors. Quis acelerar as coisas, acabou por virar o jogo, deixando todos em desvantagem. Agora quer ir contra Rick? É óbvio que vai levar um baile.
-Maggie… A viúva ressentida. É claro que a morte de Glenn não é algo fácil de engolir, mas se Tara conseguiu perdoar Dwight, o mínimo que se pode pedir é que Maggie aceite a decisão de Rick como a mais sensata, em vez de começar a conspirar contra ele.
A memória curta é algo comum a estas 3 personagens, mas se não fosse por Rick, Maggie era hoje um zombie a viver num Racho algures (Hershell nunca tinha sobrevivido tanto, tal como Beth), Daryl já se tinha perdido na sua falta de juízo e Jesus/Hilltop já nem existiria, muito provavelmente.

Tudo isto é cuspir no prato onde comeram. Todos devem mundos e fundos a Rick e no meio de tanto rancor injustificado, perdem o ponto chave de decisão de Rick: castigar consegue ser pior que matar.

Aparte de tudo isto, que havia necessidade em referir para descargo de consciência, há pontos positivos e muito positivos.

1- As sequências de acção foram óptimas, desde o backfire das munições de Eugene, à chuva de cocktail molotov de Oceanside.

2- No fim de Negan, todos deixaram de ser Negan. A humanidade que Rick defendia sobrepôs-se à tirania de um indivíduo. A prova foi parte do sonho de Carl concretizado, já no fim do episódio.
Falando no Carl…
Se a morte de Carl era necessária para este fim? Não.
Foi necessária para dar um boost que The Walking Dead precisava? Foi!

3- O desenvolvimento da narrativa do pessoal do lixo, aconteceu sem atrapalhar o rumo da série. Já referi o quão bem orquestrada foi, aproveito para salientar.

4- Como ponto mais positivo no meio disto tudo, foi a evolução psicológica de Rick e Morgan, que seguiram rumos muito parecidos em paralelo e a forma como no final mudaram com base na sua consciência. Nota para a prestação de Andrew Lincoln e Lennie James.

Para a próxima temporada se faltarem ideias, considero sensato que The Walking Dead se baseie nas personagens originais/semi-originais. Já que foram elas que alavancaram a série e a aguentaram quando esta andou em baixo, não era pior continuar a explorá-las e seguir o que aí vem através dos seus “olhos”.
Falo de Rick, Carol, Darryl, Maggie e Michonne.
Em paralelo, considero que pode ser dado um óptimo uso a Negan, Sadis, Ezequiel, Eugene e até a Gabriel.

P.S. – Obrigado por não terem terminado a temporada com um Cliffhanger desnecessário.

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