Cinema Críticas

Crítica: The Raid: Redemption (2011)

The Raid: Redemption

Nome: The Raid: Redemption
Título Original: Serbuan maut
Realizador: Gareth Evans
Elenco: Iko UwaisJoe TaslimDonny AlamsyahYayan RuhianPierre GrunoRay Sahetapy
Duração:
101 minutos

Quando pensamos em “filmes de ação”, a nossa mente vai para os “clássicos” norte-americanos protagonizados por estrelas de ação como Jean-Claude Van DammeChuck Norris ou Steven Seagal. Também pensamos nos filmes chineses de estrelas de artes marciais como Jackie ChanJet Li ou Bruce Lee. Existe um certo apelo nessas histórias, apesar de estarem longe do brilhantismo. No entanto, não quer dizer que, em pleno século XXI, não tenhamos direito a algumas pérolas desse género aqui e acolá. Uma dessas pérolas é este The Raid: Redemption, de Gareth Evans, natural do País de Gales.

Em termos de enredo, o filme pode-se resumir ao seguinte: na cidade de Jacarta, na Indonésia, uma equipa da Força Policial da Polícia recebe a missão de infiltrar um edifício, capturar o seu líder, e regressar. Uma tarefa que, normalmente, parecia simples, não fosse dois factos: o líder é também o maior barão da droga de Jacarta e o edifício estar apinhados de criminosos armados até aos dentes. E o que começa como uma operação fácil transforma-se numa verdadeira luta pela sobrevivência.

À primeira vista, o enredo do filme assemelha-se a tantos outros filmes de Hollywood, com momentos de ação a dominarem grande parte do tempo de antena e deixando o enredo de lado. No entanto, e de certa forma surpreendente, esse mesmo enredo encontra-se recheado de twists que das duas uma: ou apanharão o espectador desprevenido ou vão colocar mais perguntas do que respostas.

Mas aonde o enredo e as surpresas poderão não agradar, certamente as sequências de ação irão compensar essa lacuna. E pode-se dizer que é algo raramente visto no género. Para começar, o filme investe no emprego da Pencak Silat, uma arte marcial tradicional da Indonésia. Enquanto vários filmes do género jogam pelo seguro e contam com artes marciais como Kung FuKaratéJiu Jitsu ou outras, apostar numa arte marciais que muita gente não está a par parece ser uma receita para o desastre. No entanto, é isso mesmo que a marca pela diferença no panorama geral do género. Já para não falar de que faz claro sentido ter uma arte marcial indonésia num filme passado na capital da Indonésia.

Também ajuda quando a coreografia, orientada por UwaisRuhian (que interpretam os personagens Rama e Mad Dog, respetivamente), se revela como frenética e visceral. Hoje em dia, já é bastante comum vermos filmes ou séries de ação com sequência que concedem uma certa beleza (John Wick pode ser um desses casos); The Raid: Redemption não se preocupa em ser belo. Cada punho, cada pontapé, cada lock, cada arremesso, não se preocupam em embelezar o filme, mas sim transmitir o tom violento que tanto querem transmitir e que conseguem com eficácia.

Num panorama cada vez mais dominado pela máquina de Hollywood, é bom vermos um filme como The Raid: Redemption, que possui o objetivo de ser diferente do que temos visto durante anos. E para todos os efeitos, esse objetivo foi cumprido na perfeição, tornando-se num dos melhores filmes (e quiçá subvalorizados) do século XXI.

Trailer: The Raid: Redemption

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