Cinema Críticas

Crítica: You Were Never Really Here (2017)

You Were Never Really Here

Título: You Were Never Really Here
Título Original: You Were Never Really Here
Realizado por: Lynne Ramsay
Elenco: Joaquin Phoenix, Judith Roberts, Ekaterina Samsonov
Duração: 89 minutos

“It’s a beautiful day”. Da mente por detrás de We Need To Talk About Kevin (podem ler aqui numa das nossas rúbricas), chega-nos You Were Never Really Here, um bonito e perturbador filme neo-noir, com performances fenomenais de Joaquin Phoenix, estrela de Her, Gladiator, entre outros; e Ekaterina Samsonov, cara conhecida de Anesthesia e Wonderstruck. Conta com uma soundtrack absolutamente arrebatadora de Jonny Greenwood, músico da banda Radiohead. You Were Never Really Here é um filme baseado no livro com o mesmo título de Jonathan Ames.

Joe é um veterano que sofre de Perturbação Pós-Stress Traumático, assombrado pelos constantes flashbacks de um passado atormentado pela guerra e pelos abusos em criança. Vive com a sua mãe idosa, interpretada lindamente por Judith Roberts, de quem cuida carinhosamente. Poderia ser um average Joe grisalho, se não fosse pelo seu perigoso emprego de resgatar crianças e adolescentes desaparecidas. Após mais um trabalho bem sucedido, Joe é contactado por Albert Votto (Alex Manette), um senador Nova-Iorquino, a pedir que resgate a filha Nina (Ekaterina Samsonov) de uma situação de abuso sexual. Porém, quando Joe a salva, as coisas dão para o torto, e Joe é preso numa conspiração horrorífica.

A partir da cena inicial, Joe é-nos apresentado como um indivíduo preso ao passado, cicatrizado por dentro e por fora, aparentemente violento e um tanto lunático. A frase “You must do better” é uma das primeiras falas do filme. Ficamos com a ideia de que ele é o perigo. Mas a relação com a sua mãe é terna e infantil, iluminando um homem sensível e assustado por detrás da faceta mega violenta que mostra ao mundo.

You Were Never Really Here contém cenas violentas, tem quase sempre um tom depressivo, sombrio (excepto nas cenas com a mãe), e toca em assuntos dolorosos como pedofilía, suicídio, stress pós-traumático e violência infantil, temas que são retratados em obras como American Sniper ou Taxi Driver. Há uma constante comparação entre o bem o mal, entre o presente e o passado, entre o real e a alucinação; ao lado de Joe vamos descobrindo que nem tudo é preto e branco, e que as coisas (e as pessoas) nem sempre são como as vemos. Questionamo-nos, tal como o nosso protagonista, até onde vai a maldade do Homem, e o que nos faz quebrar o silêncio perante as injustiças.

Nina serve como um ponto de rotura para Joe, uma pequena luz no seu mundo decadente; a sua inocência perdida desperta em Joe uma vontade de viver, e podemos ver ao longo do filme que Joe se vai “despindo” da casca dura e quebrada.

A caracterização de Phoenix é subtil, um homem cuja aparência é tão desgastada como a sua personalidade. Nina e a mãe de Joe, sendo o bem que este quer tanto proteger, são personagens com ar delicado. A cinematografia de Thomas Townend é tremendamente bonita e inteligente, com a cidade e as ruas como background em muitas das cenas em You Were Never Really Here, uma delas que se destaca pela emoção transmitida por Phoenix num momento com Judith Roberts.

You Were Never Really Here é uma bonita obra, que trouxe à tona muitas emoções, e que me deixou cada vez mais curiosa com a história que conta. O seu único pecado é não desenvolver mais essa história, deixando por vezes o espectador confuso.

Trailer – You Were Never Really Here

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