Dos Quadradinhos à Grande Tela Rubricas

The Road to Avengers: Infinity War – Phase 1

The Road to Avengers: Infinity War - Phase One

Avengers: Infinity War está a meras semanas de estrear nas salas de cinema portuguesas (estreando no dia seguinte nos Estados Unidos e outros países). Como tal, durante as próximas semanas, a rubrica “Dos Quadradinhos à Grande Tela” irá examinar os filmes que foram sendo lançados desde 2008 até à data. No entanto, desta vez, vamos fazer as coisas de maneira diferente: em vez de dedicarmos entradas da rubrica separadamente para cada um dos filmes, vamos falar de TODOS, agrupados em cada uma das fases concluídas (no caso da Phase 3, vamos falar APENAS dos filmes lançados!) Now then, shall we begin?

Iron Man

Título: Homem de Ferro
Título Original: Iron Man
Realizador: Jon Favreau
Elenco: Robert Downey Jr.Terrence HowardJeff BridgesGwyneth PaltrowPaul Bettany
Duração:
 126 minutos

Houve uma época em que a Marvel esteve em sérios sarilhos. Sim, tivemos direito a filmes durante o início do século XXI como Blade IISpider-Man ou tantos outros. No entanto, quanto mais sequelas ou filmes originais foram lançando, cada vez mais a Marvel se ia afundando. Especialmente quando a empresa de bandas desenhadas esteve perto de abrir falência. Em comparação, a DC Comics viu um novo interesse quando Batman Begins foi lançado em 2005, mostrando um herói numa luz mais realista. Com uma sequela, The Dark Knight, a ameaçar arrecadar milhões, e a Marvel a decrescer em termos de qualidade, seria preciso um milagre para salvar a empresa. E a sua aposta? Iron Man!

Verdade seja dita, Iron Man tinha tudo para ser um grande fracasso: era um filme baseado numa personagem que, na altura, era considerada de nível B; contava com Jon Favreau como realizar (aliás, este filme foi o seu terceiro em toda a sua carreira cinematográfica!); apesar de um elenco recheado de estrelas como Gwyneth Paltrow, Terrence Howard ou Jeff Bridges, este era liderado por Robert Downey Jr., um ator que teve algum sucesso nos anos 90, mas que começou a perder-se por más vidas. Não havia maneira nenhuma de que Iron Man pudesse ter dado resultado.

E depois o filme estreou. E assim o mundo mudou. Após filmes de super-heróis que se tomaram demasiado a sério ao longo dos anos, eis que Iron Man muda as regras do jogos. Em vez de um típico herói trágico motivado por um sentido de justiça, Tony Stark é um herói que sobrevive a um atentado e se torna num herói para satisfazer o seu ego. Ajuda quando Downey Jr. se entrega de corpo e alma neste filme e dá uma performance de uma vida. Pode parecer um exagero dizer isto, mas, quando os traços cinematográficos de uma personagem são transferidos para o material de origem, é porque se está a fazer um bom trabalho!

O filme também viria a originar os vários mecanismos que tomaram a Marvel de assalto. Cenas pós-créditos? Um interesse romântico por desenvolver? Check. Um melhor amigo que aprova/condena as ações do herói? Check. Um vilão pessoalmente ligado ao herói? Check. Podíamos ver Iron Man sem o associarmos a um universo cinematográfico expansivo, que nem dávamos pela diferença. Mas a presença de Nick Fury (Samuel L. Jackson) e a referência a uma Avengers Initiative viria a mudar tudo daqui para a frente. 

Mas Iron Man não seria o único filme da Marvel a estrear em 2008…

The Incredible Hulk

Nome: O Incrível Hulk
Título Original: The Incredible Hulk
Realizador: Louis Leterrier
Elenco: Edward NortonLiv TylerTim RothWilliam Hurt
Duração:
 112 minutos

Meramente um mês após a estreia de Iron Man, a Universal – que é a atual detentora dos direito do Hulk – lançou The Incredible Hulk, uma tentativa vã por parte de Leterrier – responsável por filmes como Transporter ou Now You See Me – de tentar encontrar uma maneira de criar um Hulk mais fiel às bandas desenhadas do que propriamente a tentativa de Ang Lee em 2003.

Fundo no fundo, esta nova versão ficou melhor do que se esperava, pelo menos comparado à última aventura do personagem no grande ecrã. No entanto, e apesar dos bons esforços de Norton e companhia, falham redondamente em deixar a sua marca. E a culpa não é apenas da data de estreia – como dito acima, um mero mês após a estreia de Iron Man – mas também de um elenco secundário que ficou aquém do desejado, apesar do chamado star power em força. Muito menos serviu para cimentar de forma coesiva todo um universo em construção da Marvel, contando apenas com algumas referências – e um cameo de Downey Jr. – mas que em nada de novo adicionam ao big picture.

Iron Man 2

Nome: Homem de Ferro 2
Título Original
Iron Man 2
Realização: Jon Favreau
Elenco: Robert Downey Jr.Gwyneth PaltrowDon CheadleScarlett JohanssonSam RockwellMickey RourkeSamuel L. Jackson
Duração:
 124 minutos

Como dita a “regra de ouro” de Hollywood: “quando um filme é bem sucedido, há que fazer uma sequela para continuar a render para os cofres”. Bem, Iron Man foi um sucesso estrondoso, tanto em termos de críticas como de vendas de bilheteira. Portanto, os executivos acharam sensato seguir em frente com uma sequela. E decidiram manter a equipa original por perto, com Favreu a retomar funções de realizador e Downey Jr. de volta ao papel do irreverente Tony Stark. No entanto, também haveriam algumas mudanças.

Para começar, Justin Theroux – que provavelmente reconhecerão pelo seu papel na série The Leftovers – esteve a cargo do guião. Devido a dramas nos bastidores, cujas razões não foram propriamente apuradas – umas fontes falam de desentendimentos com o elenco ou a equipa técnica, outras ditam a diferença salarial – Don Cheadle substituiu Terrence Howard como James Rodhes (ou, como Tony o chama, Rodhey). Mickey Rourke Sam Rockwell – que tiveram papéis de revelação em The Wrestler Moon, respetivamente – foram contratados como os “vilões de serviço”. E numa tentativa de tentar construir um universo mais coesivo, Samuel L. Jackson teve um papel mais “alargado” do que um cameo, além de Scarlett Johansson ter-se juntado ao elenco como Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra. Com tantos ingredientes, o que correu mal?

Existe dois tipos de sequela neste mundo. Num dos casos, a sequela ajuda a expandir o universo pré-estabelecido do filme anterior, numa verdadeira “melhoria”. Outro dos casos, a sequela não traz nada de novo, somente como uma espécie de maneira de extorquir dinheiro aos contribuintes. Infelizmente, é nessa vertente que Iron Man 2 se insere. Claro, tem os seus bons momentos, e os efeitos visuais continuam a ser um deleite de observar. No entanto, e se pensarmos com muito esforço, o que é que esta sequela trouxe de novo? A resposta é um “não”.

Thor

Nome: Thor
Título Original:
 Thor
Realização: Kenneth Branagh
Elenco: Chris HemsworthNatalie PortmanTom HiddlestonAnthony Hopkins
Duração: 115 minutos

Atualmente, a Marvel é conhecida por tomar muitos riscos, e muitas vezes saem a ganhar (mas mais sobre isso nas próximas edições). Mas a ideia de fazer um filme da marca Marvel com um toque de William Shakespeare? Impensável! E se calhar foi o que muita gente pensou quando Kenneth Branagh, um ator/realizador maioritariamente ligado a adaptações de obras de Shakespeare – ele viria a ser nomeado para três Óscares em produções do género, uma delas para Melhor Realizador e Melhor Ator por Henry V e Melhor Argumento Adaptado por Hamlet – foi o eleito para realizar um filme baseado no Deus Nórdico do Trovão, Thor. Também houve um certo risco ao escolher Chris Hemsworth – um ator conhecido em produções australianas – e Tom Hiddleston – mais recorrente em obras britânicas – como Thor Loki, respetivamente. E isto ao lado de astros do grande ecrã, como Natalie Portman ou Sir Anthony Hopkins.

Portanto, podem imaginar a surpresa que foi quando a veia shakespeareana acabou por sortir o resultado desejado. Sim, para todos os efeitos e circunstâncias, esta é uma história de origem que serviria apenas para apresentar um personagem que marcaria presença em Avengers, mas existe uma vibe inerente ao filme, que lhe concede o seu charme. Além de servir como uma boa rampa de lançamento para Hemsworth como Thor, foi Hiddleston com o seu Loki que deixou a sua marca. Até agora, a Marvel tinha o problema de ter vilões que, infelizmente, ou não criavam empatia com o público ou que tivessem uma relação íntima com os protagonistas. Loki salta logo à vista pelas suas motivações, não para conquistar o mundo, mas sim conquistar o amor de um pai que sempre aceitou o primogénito. You can’t get any more relatable than that!

Captain America: The First Avenger

Nome: Capitão América: O Primeiro Vingador
Título Original:
 Captain America: The First Avenger
Realizador: Joe Johnston
Elenco: Chris EvansHayley AtwellSebastian StanTommy Lee JonesHugo WeavingDominic CooperStanley TucciToby Jones
Duração:
124 minutos

Naquela altura, estávamos apenas a um filme de uma das estreias mais antecipadas de sempre. Faltava-nos sermos apresentados ao Capitão América. E assim, em 2011, e pelas mãos “seguras” de Joe Johnston – realizadores de filmes indicados para toda a família como Honey, I Shrunk the Kids ou Jumanji – a cargo da realização. No entanto, havia um certo receio com o filme. Começando pelo protagonista.

Chris Evans pode ser considerado um bom ator, e o seu currículo é exemplo disso. No entanto, este tinha uma enorme sombra a pairar sobre ele: Johnny Storm/Tocha Humana nos dois filmes de Fantastic Four. Esses filmes deixaram uma nódoa negra na Primeira Família da Marvel, mas também nas próprias carreiras dos atores. Contratar Evans para interpretar um símbolo do patriotismo americano não caiu muito bem nas mentes dos fãs acérrimos dos personagens.

E o filme foi lançado, e os medos que tínhamos de Evans desvaneceram-se assim que o vimos a interpretar um Steve Rogers digitalmente reduzido a um homem franzino pequenino que queria prestar o seu serviço para o Exército norte-americano durante a 2ª Guerra Mundial, sendo rejeitado uma e outra e outra vez. Durante o filme inteiro, o homem que fora outrora Johnny Storm passou a ser a versão “definitiva” de Steve Rogers, também conhecido como Capitão América!

Foi uma pena que o filme, no seu todo, não tenha tido o mesmo tipo de entusiasmo que as restantes propriedades da Marvel. O enredo em si, parecia bastante familiar para quem viu inúmeros filmes de aventuras. Ter nazistas como vilões principais – se bem que Hugo Weaving como o Caveira Vermelha é um caso aparte – é já uma ideia tão desgasta no seio de Hollywood. E sem querer criticar Johnston, que já deixou a sua marca na indústria, apesar do claro público-alvo das suas melhores obras, mas dá a entender que, no meio de tanto risco que saiu a ganhar, os executivos decidiram apostar numa vertente mais segura. E também o filme tinha uma sombra enorme a pairar sobre si: a ideia de que, inevitavelmente, teria de concluir com o herói titular a acordar no mundo atual. O que, por si só, acaba por ser um pouco decepcionante.

Avengers

Nome: Vingadores
Título Original: The Avengers
Realizador: Joss Whedon
Elenco: Robert Downey Jr.Chris EvansMark RuffaloChris HemsworthScarlett JohanssonJeremy RennerTom HiddlestonCobie SmuldersSamuel L. Jackson
Duração: 
143 minutos

Diz o velho ditado que “todos os caminhos vão dar a Roma”. E o mesmo se aplica aos Vingadores, um produto cuidadosamente estruturado desde a estreia de Iron Man em 2008 até 2012. Até lá, tivemos filmes a solo dos vários personagens centrais (inclusive uma sequela inevitável). Todos os caminhos lideraram para este mega-evento supervisionado por Joss Whedon, com a fama de criar séries televisivas bem-amadas pelos fãs (os nomes Buffy the Vampire Slayer ou Firefly dizem-vos alguma coisa?). No entanto, um projeto desta magnitude e expectativa também tem tudo para correr mal. Já não seria a primeira que um dos blockbusters mais esperados do ano se revelou como o maior flop de sempre. E também existe um desafio particular de tentar conjugar protagonistas dos seus próprios filmes a solo. Quem teria o maior destaque? Quem ficaria a perder?

São medos que foram colocados de lado assim que o filme saiu. E o resultado tornou-se uma referência de como fazer um Universo Cinematográfico que muitos outros tentaram fazer (e muitos falharam). Sim, o filme esteve repleto de estrelas anteriormente apresentadas; no entanto, pela mão experiente de Whedon, cada um dos heróis teve direito ao seu destaque de forma equilibrada, mas o que mais salta à vista são as várias relações entre cada um deles. O patriotismo e sacrifício de Capitão América entra em colisão direta com o ego de Tony Stark; vemos uma surpreendente bromance entre StarkBruce Banner (daqui para a frente na forma melhorada de Mark Ruffallo)… houve todo um conjunto de personalidades bem distintas em conflito pelo maior tempo de antena, cada um com os seus conflitos internos. E mesmo assim, funcionou às mil maravilhas, além de conjugar com um nível de humor que se complementa ao tom urgente do filme, com Nova Iorque como o palco de uma invasão de Loki.

Em suma, The Avengers é todo um sumário dos vários filmes anteriormente lançados com a promessa de uma aventura sem precedentes. Tinha tudo para dar errado, mas mesmo assim, funcionou, tornando-se num dos filmes mais bem sucedidos a nível de bilheteira na História da 7ª Arte, além de um dos melhores exemplo de como fazer um ensemble movie.

Fiquem atentos, cinéfilos/as; para a semana iremos cobrir a Phase Two. Até lá, toca a recordar a Phase One!

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