Cinema Críticas

Crítica: Pacific Rim: Uprising (2018)

Pacific Rim

Nome: Batalha do Pacífico: A Revolta
Título Original: Pacific Rim: Uprising
Realizador: Steven S. DeKnight
Elenco: John BoyegaScott EastwoodCailee SpaenyBurn GormanCharlie Day
Duração:
 111 minutos

Pacific Rim: Uprising desenrola-se 10 anos após o fim da invasão dos Kaijus – monstros gigantes enviados por seres alienígenas para destruir o planeta – ao mundo que conhecemos. A história segue o protagonista Jake Pentecost (enterpretado por  John Boyega) desde a sua vida nas ruas de Califórnia até à stressante vida de um ranger.

Apesar de contar com um elenco promissor, liderado por John Boyega, um dos mais carismáticos novos atores em Hollywood devido ao franchise de Star Wars, todo o elenco parece fora do lugar e desconectado com o eu personagem. É claro que é sempre bom vermos Boyega no ecrã, no entanto nem este consegue encontrar um ponto de equilíbrio com o seu personagem. Não querendo descredibilizar a sua performance no filme (que é de longe a mais dominante), mas nota-se que é um dos seus mais fracos trabalhos.

Muito disto parte da escrita do argumento do filme, que é desleixada e preguiçosa. O enredo está longe de credível, os personagens não possuem qualquer dimensão (nem mesmo o protagonista) e ao longo da película sentimos que esta faz cada vez menos sentido. O diálogo, para além de cliché e cheesy, é constrangedor e repleto de one-liners fora de contexto e desprovidos de humor.

As relações que se tentam criar no filme não são nada fáceis de engolir, para além do facto de serem forçadas ao máximo. Quando deparado com uma cena que poderia ter algum valor emocional, o espectador não sente ligação suficiente com os heróis, devido à má escrita e ao mau desenvolvimento de personagens.

O enredo é de tal forma ridículo que não tem qualquer sentido nem contexto possível. Os supostos plot-twists que acontecem ao longo do filme nem chegam perto de chocar ou provocar qualquer tipo de reação por parte do espectador. O filme não sabe o que quer de si mesmo. Torna-se confuso de seguir devido à sua precária execução.

Os efeitos especiais são o único ponto positivo do filme. Contamos com grandes sequências de destruição de cidades e de Jaegers – robôs gigantes construídos para rivalizar os Kaijus – a lutarem entre si. Os efeitos sonoros também não ficam muito atrás, conseguindo captar alguns sons poderosos nas batalhas entre robôs e monstros.

Se estão interessados em ver o filme pela ação de monstro contra máquina (como pudemos ver na primeira película de 2013) não se deixem enganar: 70% do filme é dominado por Boyega, 25% por Jaegers e os restantes 5% por Kaijus. Não é até ao final do 3º ato que podemos finalmente presenciar Kaijus em ação, tornando-se numa desilusão em comparação à primeira instalação.

Pacific Rim: Uprising possui um elenco capaz de carregar qualquer filme medíocre a um estatuto aceitável, aplaudido quer por espectadores como por críticos, mas perde todo esse encanto no seu argumento. O filme é preguiçoso, desleixado, lento. Também conta com personagens sem qualquer dimensão, momentos dramáticos que se tornam constrangedores e um enredo ridículo. Pacific Rim: Uprising podia fazer jus ao trabalho de Del Toro, mas devido à industrialização que Hollywood está a passar, não chega sequer à nota de medíocre.

Trailer | Pacific Rim: Uprising

Nota pessoal: Pacific Rim: Uprising impressionou-me bastante, não pela positiva, mas pela forma de como um filme pode ser tão mal aproveitado. O cinema está a passar por uma fase má no que toca a conteúdo; 90% dos filmes que são lançados têm um único propósito: alcançar o tipo de espectador que não se importa com a qualidade de um filme, e apenas espera poder “desligar o cérebro” numa demonstração de ação e espetáculo visual desprovido de mensagem ou significado. O cinema já não se pode considerar uma arte (salvas raras excepções) mas sim uma produção em massa de vídeos cujo objetivo é “entreter” e manipular massas que não tentam sequer puxar pelo seu intelecto e ver para além do que lhes é mostrado. Como um amigo meu diz, as pessoas hoje em dia preferem ver “mísseis, bombas e murros nas trombas” do que encontrar um significado, uma mensagem que torne um produto audiovisual num ensinamento e num pedacinho de si mesmo. Num desabafo, hoje perdi a réstia de esperança que tinha para Hollywood, e posso dizer com toda a certeza que filmes como antigamente nunca mais serão produzidos.

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