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Krypton – 1×03 – The Rankless Initiative

Krypton

CONTÉM SPOILERS!!!

Seg-El e Adam Strange deparam-se com um novo problema: um parasita alienígena parece ter aterrado em Kandor e necessita de ocupar um hospedeiro para se infiltrar em Krypton. Lyta também não está em melhores lençóis, visto que é recrutada para uma missão no Setor 19 (onde o seu amigo Seg habita) em busca por uma organização terrorista que ameaça o governo de Kandor.

Em poucas palavras, Krypton conseguiu mais uma vez surpreender pela positiva. Em vez de se focar na habitual fórmula cansativa dos super-heróis imbatíveis e com vilões semanais, a série prefere explorar outros aspetos que lhe conferem um carisma inigualável. Embora tenha as suas falhas, The Rankless Initiative consegue gradualmente conquistar-nos por convergir linhas de história diferentes e, por conseguinte, faz-nos aproximar mais deste universo e das personagens que o habitam.

Apesar de uma confusão de nomes bizarros (decorar os nomes dos intervenientes é uma missão quase impossível), Krypton está a preparar-se para algo interessante. As performances podem não ser também um dos seus pontos mais fortes, mas a cheesiness com que constrói alguns dos seus diálogos assenta que nem uma luva às sequências, tornando-as aprazíveis e envolventes.

Mas o maior trunfo de Krypton é mesmo focar-se nas fragilidades sociais que assolam o planeta que, por sinal, não são muito diferentes do nosso próprio. Em Krypton também há fome, miséria e pobreza; existe uma fração rica e onírica e outra humilde e digna de pesadelos. As favelas do Setor 19 e o assalto militar que lá ocorre transportam-nos para um meio difícil onde ninguém está a salvo das forças governamentais. Um exemplo ficcional que pode muito bem ter-se inspirado às invasões constantes da “bope” nas favelas do Rio de Janeiro.

A cruel realidade social de Krypton (ainda que tenha muito para crescer) acaba por ser um dos pontos mais atrativos da série. Explorar as fragilidades de um mundo que outrora vimos como matéria de sonho e poder (basta ter em conta Superman e Supergirl) é certamente um passo na direção correta.

Somos também apresentados a um Sentry, parasita alienígena, que parece estar ligado a uma estranha força proveniente de outra galáxia. O mistério e o ambiente remetem-nos para algumas ligações com The Thing, de John Carpenter, ainda que de forma leve e isto promete desenvolver-se em algo bastante apelativo para os fãs das bandas-desenhadas. (Sim, Brainiac está a caminho!)

No entanto, apesar destes aspetos bons, Krypton ainda necessita de nos fazer aproximar mais das suas personagens principais. Conhecemos Seg e Adam Strange, gostamos da sua química, mas não nos sentimos particularmente confortáveis com eles ainda. Lyta, uma das personagens femininas mais fortes da série, é uma lufada de ar fresco e as suas ousadias têm permitido que os episódios sejam ainda mais confiantes no seu desenrolar, dando ao espectador mais um motivo para estar atento ao que está ainda por vir.

Portanto, esta semana, Krypton sobe na qualidade e promete trazer bastante ação e aventura para os capítulos seguintes e começa a deixar um pouco de “água na boca” ao apresentar-nos a um meio que, ao contrário do que originalmente se pensava, tem tanto de força como de fraqueza.

Leiam o nosso Frame by Frame dos episódios anteriores aqui.

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Krypton continua a crescer ao expor-nos a um mundo que vai para além da fórmula típica dos super-heróis e por arriscar mostrar as fragilidades de um meio que é mais humano que imortal.

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