Cinema Críticas

Crítica: Ready Player One (2018)

Ready Player One

Nome: Ready Player One: Jogador 1
Título Original: Ready Player One
Realizador: Steven Spielberg
Elenco: Tye SheridanOlivia CookeBen MendelsohnLena WaitheT.J. MillerSimon PeggMark Rylance
Duração:
 140 minutos

Não é à toa que Steven Spielberg é considerado como um dos melhores realizadores de todos os tempos. Spielberg esteve a cargo de poderosos dramas políticos (filmes como LincolnSchindler’s List ou o recente The Post são alguns dos seus melhores exemplos), de filmes de guerra (como Saving Private Ryan ou War Horse) ou mesmo épicos de ficção científica (Close Encounters of the Third KindE.T. the Extra-TerrestrialJurassic Park ou Minority Report). E pelo meio, Spielberg também consegue fazer filmes indicados para toda a família, tais como Raiders of the Lost Ark ou The Adventures of Tintin. Com uma lista sem fim de filmes fantásticos, e com a sua incidência mais recente em dramas, já mais esperávamos que Spielberg conseguisse fazer um filme que fosse, para todos os efeitos e circunstâncias, “divertido”. E é isso mesmo que o realizador se predispôs a fazer quando aceitou realizar a adaptação cinematográfica de Ready Player One, baseada na homónima obra de Ernest Cline. E os resultados estão praticamente à vista de todos!

Eis um pequeno ponto de situação: num futuro próximo, a sociedade vai estar feita em cacos devidos aos constantes conflitos. A pobreza torna-se mais acentuada em algumas zonas dos Estados Unidos; há zonas de São Francisco em que as pessoas são obrigadas a viver nas Stacks, torres em que auto-caravanas estão empilhadas (stacked; get it?) umas em cima das outras. Com o intuito de tentar encontrar uma escapatória desta dura realidade, o visionário James Halliday (Mark Rylance), juntamente com o seu amigo Ogden Morrow (Simon Pegg) cria o OASIS, um mundo de realidade virtual em que o único limite é a nossa imaginação. Querem fazer escalada com o BatmanYou got it! Querem ir a um clube noturno dançar com personagens femininas como Tracer (de Overwatch) ou Harley QuinnYou got it! Gostariam de ter o DeLorean de Back to the Future ao vosso dispor? You got it! A lista infinita de possibilidades continua! Em 2040, Halliday faleceu, deixando um último desafio para os seus utilizadores: encontrar três chaves escondidas no mundo expansivo da OASIS que levam a um Easter Egg. Quem conseguir obter esse Easter Egg passará a ter o controlo total da OASIS, já para não falar de um prémio de 500 biliões de dólares. O filme arranca 5 anos após a sua morte, com o jovem Wade Watts/Parzival (Tye Sheridan) a tentar uma nova abordagem para encontrar o Easter Egg. Mas a tarefa não se avizinha fácil, com Wade não só a ter de lidar com centenas de milhares de outros jogadores, mas também de lidar com Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn), o diretor da companhia rival da OASIS.

Ready Player One revela-se como um misto ente os estilos live-actionCGI, com Spielberg a explorar ambas as vertentes e a mostrar as várias diferenças entre elas. Por um lado, São Francisco é revelada com tons mais acizentados e com um teor mais pessimista, já para não falar de vermos as várias pessoas “agarradas” ao OASIS como uma crítica social de como nós, como sociedade, vivemos “agarrados” à tecnologia. Em contraste, o mundo de OASIS corresponde ao seu nome, com cada espaço dedicado a mostrar a sua diferença em relação às restantes, cada uma com uma atmosfera e palete de cores distintas.

Outra vantagem que a OASIS ganha a favor é a quantidade infindável de referências da cultura pop dos anos 80 para a frente, não só em termos da banda sonora eleita (o filme abre logo com o Jumpda banda Van Halen), mas também em termos de filmes, séries e jogos. Pode-se dizer, com muita certeza, que Ready Player One é um verdadeiro jogo de Spot the Reference, por existirem imensas referências que vão suscitar mais do que uma visualização (para este fim, somente se se for ao cinema mais do que uma vez ou esperar pelo lançamento doméstico).

Mas Ready Player One não se define apenas pelas cores, explosões ou divertimento. Zak Penn, que esteve por detrás de guiões de filmes como The AvengersLast Action Hero ou X-Men 2, junta forças com o próprio Ernest Cline para elaborar o guião. E de facto, o filme mostra revelar aquela ideia de “diversão” inerente de alguns dos filmes de Steven Spielberg. Apesar de todo um negrume da realidade, existe também um certo otimismo que se torna contagiante desde o primeiro até ao último minuto.

Felizmente, o filme também conta com um elenco que junta novas revelações e velhos veteranos. Tye Sheridan lidera o filme com uma energia positiva, demonstrando que a ingenuidade juvenil consegue dar luz à corrupção da vida adulta. A ele juntam-se jovens astros como Olivia Cooke como a enigmática Art3mis ou Lena Waithe como comic relief na forma de Aech. A estes junta-se também Mark Rylance, que mais uma vez demonstra ser um ator capaz de enternecer até mesmo os corações mais duros (esse valor fica a dobrar quando o vemos em modo monofónico).

No entanto, Ready Player One não está isento de defeitos. Apesar de os dois primeiros atos do filme estarem à altura do que é pedido (o primeiro ato revela-se como o mais forte, com uma corrida de obstáculos e que envolve Tyranossaurus Rex de Jurassic Park e o King Kong), o enredo fica a perder nos próximos atos, com o terceiro a ser o mais fraco em termos comparativos. Os próprios vilões também deixam a desejar, nomeadamente Ben Mendelsohn, que interpreta um vilão que já vimos associado ao ator mais do que uma vez, Hannah John-Kamen desilude como uma líder da secção de fiscalidade. Nem mesmo T.J Miller como um mercenário que tem a voz – e age – como T.J. Miller consegue ajudar nessa vertente. 

Ficará Ready Player One na História como um dos melhores filmes de Steven Spielberg? Provavelmente não. Mas cumpre o seu objetivo de maravilhar, de entrenter, algo que já fazia a alguns anos? Absolutamente! Preparados para se perderem em imensas referências da cultura pop moderna? Esperemos bem que sim. Bem-vindos à OASIS, onde o vosso limite… é a vossa imaginação!

Trailer: Ready Player One

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