Cinema Críticas

Crítica: The Vanishing of Sidney Hall (2017)

The Vanishing of Siney Hall

Título: Sidney Hall

Título original: The Vanishing of Sidney Hall

Realizador por: Shawn Christensen

Elenco: Logan Lerman, Elle Fanning, Michelle Monaghan, Margaret Qualley, Kyle Chandler

Duração: 119 min.

Dificilmente teria tido a oportunidade de ver este filme, se não tivesse sido sugerido. Ainda que conte com um elenco recheado de estrelas, o certo é que pouco se ouviu falar antes e agora, mesmo depois de estrear, continua a fazer o seu percurso sorrateiramente.

Com apenas uma longa-metragem no seu ainda curto currículo, Shawn Christensen deixa as cantorias de lado e volta a marcar o público com The Vanishing of Sidney Hall, depois de ter recebido vários prémios pelo seu primeiro filme, Before I Disappear.

A trama conta a história de Sidney Hall (Lerman), um jovem escritor que consegue aos 20 e poucos anos atingir o sucesso ao lançar um romance que é extremamente bem recebido pelo público. Acompanhando-o em diversas fases da sua vida, tudo nos vai sendo revelado aos poucos, assim como todas as pessoas que o roderam nas diferentes alturas: na altura do secundário, quando é um escritor famoso mas deprimido e, mais adulto, quando desapareceu do mapa e o vemos a vaguear por aí, como um mendigo.

Todo o trabalho de câmara é intenso, com tons escuros que combinam na perfeição com a estranheza daquilo que estamos a ver. O ponto inicial apenas nos faz gostar do protagonista, não sabendo contudo, para onde ele vai e aquilo que a longa pode vir a ser. Se não desistem na 1ª parte, dificilmente o vão fazer depois quando as pontas se começam a juntar.

É difícil entender a maneira como ele age e reage durante as fases posteriores da sua vida, porque não nos é dado tudo de imediato. Se ele tem fama e conseguiu realizar o sonho de ser um escritor reconhecido, porque é um rapaz tão cinzento, triste e frustrado? E como é que ele chegou àquele estado degradado? Eu acabei por ser envolvido e quis saber mais e no final, a nota foi muito positiva.

A chegada de Melody (Fanning) faz toda a diferença e se, até então, era difícil sentir química com Hall, depois vemos outro lado dele que muda a nossa perspetiva. As cenas entre os dois são lindas, muito mais do que apenas um romance adolescente e não é de agora que são ambos atores que terão muito a dizer na indústria. Ver uma Michelle Monaghan como a mãe do rapaz, Chandler como um “inspetor” que quer descobrir o paredeiro de Sidney na sua fase adulta, Blake Jenner que me surpreende com uma personagem ambígua que evolui ao longo do tempo e Margaret Qualley como um dos seus interesses amorosos, só acrescente ao filme e todos acabam por funcionar na história que quer ser contada.

Quando cheguei ao último ato, estava completamente rendido ao rapaz e finalmente entendi-o. Já ambientado com os flashbacks e flashforwards, tudo começou a fazer sentido e foi impossivel controlar as lágrimas no trágico e poético final.

Mas tem várias coisas que poderiam ter sido levadas de outra maneira. A cena da descoberta do pai de Brett Newport (Jenner) ser um pedófilo e abusar dos filhos, acabou por não ter o impacto que pedia, porque efetivamente as personagens envolvidas não tiveram a profundidade pedida. Esta parece ter sido a grande razão que leva Hall a sentir-se culpado e infeliz, mas não é assim tão óbvio que o espectador consiga entender e achar legítimo.

As cerca de 2 horas de duração também não ajudam e às vezes, pode parecer arrastado e até confuso, podendo afastar muita gente. Agora, quem consegue “aguentá-lo”, certamente não se irá arrepender. E a banda sonora? Bonita e que funciona em todas as cenas na perfeição.

Dramático, bonito e cheio de mensagens para descortinar, The Vanishing of Sidney Hall consegue cumprir na história que quer contar, tendo acabado o filme não com vontade de o rever, mas feliz por o ter visto. Aconselho!

TRAILER – THE VANISHING OF SIDNEY HALL

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