Cinema Críticas

Crítica: I Kill Giants (2017)

Nome: Eu Mato Gigantes
Título Original: I Kill Giants
Realizador: Anders Walter
Elenco: Madison WolfeZoe SaldanaImogen PootsSydney WadeRory Jackson
Duração:
 106 minutos

O realizador Anders Walter estreia-se nas longas-metragens com I Kill Giants, adaptação de uma série de bandas-desenhadas escritas por Joe Kelly. A história apresenta-se como um drama familiar que se foca nos os problemas de Barbara, sejam eles os bullies na escola ou os seus dilemas em casa. Anders já conta com um prémio da Academia pela sua curta-metragem Helium, e não baixa nada a fasquia com I Kill Giants.

Para quem viu o trailer de I Kill Giants e pensa que se vai aventurar num mundo cheio de magia e fantasia, que não se deixe enganar. Apesar do trailer dar a entender que estamos perante um filme cheio de ação e magia, ele, de facto, é um drama. Isto não implica que a película não tenha o seu toque de fantasia, porque tem, mas ao longo dos 106 minutos de filme apenas cerca de 15 ou 20 são de fantasia. I Kill Giants foca-se maioritariamente na vida atribulada de Barbara.

Barbara é interpretada por Madison Wolfe, que pode ser vista em The Conjuring 2, Zoo e True Detective, entre outros. Madison tem um papel fenomenal no filme, trazendo o lado mais forte e rebelde de Barbara para o ecrã, mas, em momentos-chave também o seu lado mais frágil, que esta tenta esconder. O filme está repleto de momentos de tensão, e o espectador consegue sentir todos os sentimentos de Barbara na pele.

Também podemos contar com Zoe Saldana no elenco. Zoe é uma atriz de renome, e podemos assistir às suas performances especialmente em Avatar e em Guardians of the Galaxy, nos quais esta interpreta Neytiri e Gamora respetivamente. Em I Kill Giants, Zoe interpreta Mrs. Mollé, uma recente psicóloga cujo papel é acompanhar e perceber a protagonista. Ao longo da história as duas formam um laço, e notamos que Mrs. Mollé realmente se importa com Barbara, apesar desta nunca se abrir completamente com ninguém.

Imogen Poots é Karen, a irmã mais velha, que se debate entre o seu emprego e as suas tarefas em casa. Karen tem que tomar conta de Barbara e do seu irmão sozinha. Poots tem uma performance incrível, fazendo o espectador identificar-se com o desespero de alguém que sente a sua vida a desmoronar, fazendo os possíveis para ajudar aqueles mais próximos de si e com quem mais se importa.

Outra perofrmance de levantar o chapéu é a de Sydney Wade, que interpreta Sophia, uma menina nova na cidade que faz amizade com Barbara. Sophia é a única amiga de Barbara e também esta é confrontada com o mundo fantástico em que Barbara está envolvida, sentindo muitas vezes que a sua amizade poderá estar em risco.

Todas as prestações são incríveis. Todos os membros do elenco trouxeram à vida uma personagem com sentimentos reais, fazendo com que o espectador se possa relacionar com a mesma.

Apesar do filme só ter um orçamento de 35 milhões, a produção está muito perto da perfeição. Quando assistimos a cenas que necessitem de efeitos especiais, deparamo-nos com alguns de extrema qualidade. Também podemos contar com a uma banda sonora incrível e arrepiante e um guarda-roupa muito bem desenhado, que assenta na personagem de Barbara que nem uma luva.

Uma vez mais, o filme é baseado numa banda-desenhada, e é um dos exemplos em que assitimos a uma cópia (quase completa) do produto original, cena após cena, fala após fala, o que poderá agradar imenso aos fãs do título. Apesar disto, I Kill Giants não baixa em nada a sua qualidade do papel para o ecrã, fazendo deste um dos pontos mais positivos da adaptação.

I Kill Giants transmite acima de tudo um mensagem extremamente forte e significativa. Barbara debate-se entre realidade e fantasia. Tenta fugir aos seus problemas no mundo real entrando no seu mundo fantástico e desligando-se de tudo o que se passa à sua volta. Os melhores momentos do filme são, sem dúvida, os confrontos entre estes dois mundos de Barbara. Especialmente quando esta se vê envolta numa discussão com a sua psicóloga ou irmã, tentando justificar as suas ações no mundo real com acontecimentos do seu imaginário. Esta mensagem é apresentada no filme de forma muito subtil ao início, e vai aumentando ao longo da história, até que toma proporções tão grande em que o próprio espectador já não sabe distinguir realidade de fantasia. Todo este drama e tensão lida a um clímax emocional no terceiro ato que deixa o espectador chocado e sentido pela história de Barbara.

I Kill Giants é uma obra de arte, com personagens carismáticas com que o espectador vai conhecendo e criando laços ao longo do filme. As prestações são fantásticas, e não há um único momento em que não sentimos empatia com as personagens. Os efeitos especiais, quando presentes são muito bem utilizados e não caem em exageros, e ainda temos uma banda sonora incrível, que se adequa a todos os momentos da história. Além disso, I Kill Giants transmite uma mensagem forte, chocante e bastante emocional, que deixa o espectador agarrado à cadeira do início ao fim. O enredo está impressionante e podemos considerar o filme uma adaptação quase perfeita.

Posso afirmar com toda a certeza que I Kill Giants é um dos filmes mais bonitos e significativos que vi, e é incrível o facto de ser a primeira longa-metragem de um realizador estreante no ramo. I Kill Giants é um filme que vai certamente ficar na minha memória e que recomendo fortemente.

Leiam o especial que escrevemos sobre o filme aqui.

Trailer | I Kill Giants

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